Líderes religiosos na sessão de abertura da apresentação do Fórum e do livro "Vozes pela paz", em Bissau Líderes religiosos na sessão de abertura da apresentação do Fórum e do livro "Vozes pela paz", em Bissau 

Guiné-Bissau. Líderes religiosos reforçam compromisso com a paz e direitos humanos

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, afirmou esta quarta-feira que, num mundo cada vez mais marcado por divisões, incertezas e narrativas de exclusão, o diálogo religioso representa a mais elevada e responsável expressão da fé colocada ao serviço da paz, da coesão social e da defesa incondicional da dignidade humana.

Por Elisângila Raisa dos Santos Camará / RSM, Bissau

Bubacar Turé falava em Bissau na sessão de abertura da apresentação do Fórum dos Líderes Religiosos e do livro “Vozes pela Paz”, iniciativa promovida pela Liga Guineense dos Direitos Humanos e pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF), no âmbito do projeto Observatório da Paz – “Nô Cudji Paz”. O evento reuniu representantes das diferentes confissões religiosas do país.

Segundo o responsável, a criação e institucionalização de um Fórum dos Líderes Religiosos constitui um passo significativo diante dos desafios que ameaçam a estabilidade nacional.

Turé sublinhou que a iniciativa assume particular relevância num contexto global e regional cada vez mais complexo, sobretudo na África Ocidental, onde se registam desafios crescentes ligados ao radicalismo, extremismo violento e à instrumentalização da religião para fins contrários aos valores da convivência pacífica.

O Fórum resulta da implementação da agenda comum dos líderes religiosos guineenses, adotada em 2022, após o primeiro Encontro Nacional dos Líderes Religiosos, organizado pelo Observatório da Paz – “Nô Cudji Paz”, em parceria com o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos.

Momento solene da abertura e apresentação do livro "Vozes pela Paz"
Momento solene da abertura e apresentação do livro "Vozes pela Paz"

Também presente na cerimónia, o embaixador da União Europeia na Guiné-Bissau, Federico Bianchi, exortou os líderes religiosos a manterem-se ativos na atual conjuntura global, reforçando o compromisso com a promoção de direitos humanos universais, inclusivos e inalienáveis.

O diplomata europeu destacou que a defesa dos direitos humanos deve ser feita diariamente nas igrejas, mesquitas e demais espaços espirituais das comunidades.

Alertou ainda para os sérios desafios enfrentados pelo mundo, como o extremismo, o radicalismo violento, o terrorismo e as ameaças ao multilateralismo. Segundo afirmou, esses fenómenos não pertencem a nenhuma religião, mas exploram a pobreza, a exclusão social, a falta de oportunidades e a desinformação para dividir comunidades.

Por sua vez, o representante dos líderes religiosos guineenses, padre António Imbombo, lamentou o surgimento de novos desafios à coesão social nos últimos anos, marcados por instabilidade política, circulação de discursos de ódio e tentativas de instrumentalização da religião para fins alheios aos valores espirituais.

Foto de família dos participantes no Fórum dos Líderes Religiosos, em Bissau
Foto de família dos participantes no Fórum dos Líderes Religiosos, em Bissau

Os promotores da iniciativa esperam que o Fórum se afirme como um instrumento vivo e atuante, capaz de fortalecer o diálogo inter-religioso e promover ações concretas em prol da paz. A ambição é que as “Vozes pela Paz” continuem a ecoar não apenas como um alerta, mas também como sinal de esperança, para que a Guiné-Bissau permaneça como exemplo de convivência religiosa pacífica, construída com diálogo, responsabilidade e visão de futuro.

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17 fevereiro 2026, 09:48