Reforçar as relações com a Santa Sé
Dulce Araújo - Vatican News
A catolicidade é parte integrante da identidade cabo-verdiana tendo acompanhado a trajetória histórica da Nação desde as suas origens. É nesta senda que o país tem mantido e deseja reforçar as relações com a Santa Sé - frisou aos microfones da Rádio Vaticano, o primeiro Ministro, Ulisses Correia e Silva, que foi recebido pelo Santo Padre na manhã de sábado 14/2/2026 com a esposa e o séquito.
Concordata
Satisfeito, o chefe do governo de Cabo Verde recordou que em 2013 foi assinado um acordo jurídico - Concordata - entre o país e a Santa Sé e que em maio deste ano deverá ser também assinado entre as partes um documento complementar para a plena aplicação da Concordata. Esse documento, há muito esperado, exigiu muita “discussão”, justificou o primeiro ministro, explicando que a Concordata já vinha, contudo, sendo aplicada nalguns aspetos. Agora estão a ser preparados os detalhes para que seja assinado esse documento estruturante de atuação.
Uma Nunciatura em Cabo Verde
Ulisses Correia e Silva frisou, outrossim, que manifestou ao Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, pelo qual foi também recebido, o desejo de Cabo Verde (dada as suas especificidades) de ter uma Nunciatura na cidade da Praia, pois há uma “relação umbilical entre os cabo-verdianas e a sua Igreja.” Além disso, Cabo Verde tem sido um país estável, democrático, atento aos direitos humanos e onde a dignidade da pessoa humana está no centro de tudo, o que está em sintonia com os valores cristãos.
Seria uma grande honra receber o Santo Padre em Cabo Verde
Questionado se convidou o Santo Padre a visitar Cabo Verde, o chefe do governo disse que reforçou esse convite e que espera que se possa concretizar, o que seria uma grande honra para os cabo-verdianos. Durante a visita, Ulisses Correia e Silva ofereceu ao Santo Padre um cavaquinho e uma camisola do equipa nacional de futeból, os Tubarões Azuis.
Manter viva a chama da ligação com Cabo Verde
Na parte da tarde de sábado 14 de fevereiro, o primeiro Ministro teve um encontro com a comunidade cabo-verdiana radicada em Roma, em que a instou a ter altas aspirações certa de que com os seus esforços poderá realizar grandes coisas. Falou-lhe das dificuldades por que o país tem passado como a pandemia de covid-19 que levou abaixo o turismo (perno da economia cabo-verdiana) ou, mais recentemente, o furacão Erin que devastou a ilha de São Vicente e a tempestade nalgumas áreas da ilha de Santiago, com prejuízos calculados em 60 milhões de Euros, num país cujo orçamento do Estado é de 90 milhões. Teve-se de se desviar recursos previstos para outros fins. Mas, disse, o país está a levantar-se e a crescer. Mais do que deixar-se enredar pelas dificuldades, há que pensar, sempre confiantes, em soluções, encorajou.
No que toca à diáspora, que contribuiu com 10% dos referidos 60 milhões, mas que não cessa de reclamar por mais e melhores serviços a ela endereçados, como por exemplo, no caso da Itália, uma Casa da Cultura de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, disse na entrevista, que o governo está a melhorar os serviços consulares e que dados os custos e as dificuldades de ter uma Casa de Cabo Verde, de momento o país só dispõe de uma, em Lisboa.
E depois de responder a perguntas apresentadas por alguns membros da comunidade, o encontro que contou também com momentos de musicais, encerrou-se com um lanche em que Ulisses Correia e Silva e a sua delegação participaram.
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