O Lar de Idosos que será visitado pelo Papa Leão XIV durante a sua Viagem Apostólica a Angola de 18 a 21-4-2026 O Lar de Idosos que será visitado pelo Papa Leão XIV durante a sua Viagem Apostólica a Angola de 18 a 21-4-2026 

A visita do Papa “é um momento sem igual para nós”

São palavras de Georgina Mwandumba, diretora do Lar de Assistência à Pessoa Idosa de Saurimo, Lunda-Sul, que Leão XIV vai visitar durante a sua estada em Angola. Os 74 idosos que ali residem acolheram a notícia da visita do Papa com muita alegria e se estão a preparar para o receber, enquanto o Lar está também em obras de requalificação. Para a diretora, a visita do Papa a esse lugar, onde se acolhem “os rejeitados”, a visita do Papa “é uma lição sem tamanho” para as famílias e a sociedade.

Dulce Araújo - Vatican News

Ser idoso é uma bênção grande. É bom conviver com os avós (...), vamos valorizar a vida”. É esta a mensagem que Georgina Mwandumba deixa aos angolanos no final da entrevista à Vatican News em que apresenta o Lar de que é diretora desde há sete anos. Anos que passaram sem que se desse conta. É que gosta mesmo de trabalhar com idosos. Formada em Assistência Social para a Infância, o ex-Governador da Província, Daniel F. Neto, identificou nela a pessoa adapta para gerir o Lar, que já existe há 14 anos e pertence ao Estado angolano.

A diretora, Georgina Mwandumba, com alguns idosos do Lar
A diretora, Georgina Mwandumba, com alguns idosos do Lar

Boas relações com a Igreja

Mwandumba sublinha, contudo que têm ótimas relações com a Igreja que, para além do acompanhamento espiritual dos internados, faz também doações para o funcionamento. Contribuições económicas vêm igualmente de associações e bem-feitores, mas é sobretudo com o contributo mensal do Estado, embora aquém do necessário, que o Lar funciona. Os idosos praticam alguma agricultura em terrenos vagos para passatempo e como forma de contribuir para o seu sustento. Mas, tudo o que precisam, desde a alimentação à saúde é garantido pelo Lar. Aliás, o Posto de Saúde do Lar até presta serviço aos habitantes das aldeias vizinhas. Predisposto em duas alas, uma feminina e outra masculina, o Lar está, por ocasião da visita do Papa a assumir um novo rosto e alguns serviços que a dirigente andava a reclamar há muito como, por exemplo, a ligação à rede elétrica de Saurimo (não gerador) e água canalizada, já são uma realidade e facilitam a vida, faz notar a senhora Georgina, vendo nisto já uma bênção proporcionada pela visita do Papa: “Oh, oh, uma bênção caída do Céu e já somos felizes!” - exclama. 

O P. Rui Sambo, da Arquidiocese de Saurimo, saudando a diretora do Lar
O P. Rui Sambo, da Arquidiocese de Saurimo, saudando a diretora do Lar

Feitiçaria e abandono familiar

O Lar dista cerca de 10km da cidade de Saurimo. Os 74 idosos que alberga, dos quais 42 mulheres, têm entre 60 e 93 anos de idade, mas por vezes aparentam muito mais, pois chegam em más condições físicas, levados pela polícia a quem pedem proteção devido a maus tratos por parte de familiares que os abandonam sob acusação de feitiçaria. Mas, no fundo, isto está, segundo Georgina Mwandumba, a se tornar uma desculpa para não se assumir a responsabilidade de cuidar do idoso. Daí que ela lance um apelo a valorizar as pessoas de terceira idade e considere a visita do Papa a esses “rejeitados, uma lição sem tamanho”. E dá mesmo o exemplo da sua vivência pessoal com os avós que foi para ela muito boa. Esses idosos estão felizes no Lar, dão-se bem entre eles, assistem à Missa juntos, mesmo não sendo todos católicos, mas não há dúvida de que gostariam de estar junto das próprias famílias que, infelizmente, nem sequer as vão visitar - revela, um bocado triste, a diretora.

Alguns idosos no Lar
Alguns idosos no Lar

Visita do Papa ao Lar

A visita do Papa ao Lar na manhã do dia 20 de abril de 2026, vai ser, portanto, um momento de grande alegria para esses homens e mulheres que, nessa ocasião, estarão no centro da atenção. E a preparação para acolher o importante hóspede já está a bom ponto: oradores em representação de todos, cânticos e outras surpresas. E quem sabe que essa visita não dê lugar também à criação de uma capela no seio do Lar onde, atualmente, a assistência espiritual não é feita por um capelão, mas por padres que vão rezar a Missa aos domingos numa pequena sala predisposta para isso. E nessa estrutura de acolhimento, articulada em duas alas, uma feminina e outra masculina, com três ou a máximo quatro pessoas por quarto, o sonho da diretora é ter também mais pessoal para atender os idosos. Atualmente, têm um diretor, um administrador, um assistente social e algum pessoal de cozinha e limpeza. Contudo, o que mais preocupa Georgina Mwadumba é que se acabe com a questão absurda da feitiçaria e também de a usar como subterfúgio para abandonar idosos. “Somos crentes, vamos à Igreja”, acreditar que haja um ser (feiticeiro/a) capaz de ultrapassar a bênção de Deus - diz - “é descrença, não é crença!”. E instada a pronunciar-se sobre a relação entre isto e o lema da visita do Papa a Angola - “Peregrino de Esperança, Reconciliação e Paz”, Georgina recorda que “a paz tem de iniciar nas nossas famílias.” 

Aspeto externo do Lar, onde, no tempo da pandemia, os idosos comiam
Aspeto externo do Lar, onde, no tempo da pandemia, os idosos comiam
Oiça a entrevista com a senhora Georgina Mwandumba

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08 abril 2026, 10:16