Corações ao alto para acolher o Santo Padre
Dulce Araújo e P. Cristóvão C. Kiala Salazar - Vatican News
É uma graça, uma bênção. “Só o Senhor sabe o porquê disto”, diz, incrédulo, Dom Sumbelelo, que não deixa de acrescentar que o Papa, mensageiro de paz, vai confirmar na fé todos os angolanos, e isto é uma graça para Angola, primeiro país da África subsaariana a receber o Evangelho. Foi em 1489, há mais de 500 anos. O país tem também o privilégio de ter o primeiro bispo negro da África e primeiro Embaixador africano junto da Santa Sé: António Manuel Nsaku Ne Vunda, vindo a Roma em 1608 com uma mensagem do então Reino do Congo para o Papa Paulo V e que está sepultado na Basílica de Santa Maria Maior na capital italiana.
À frente duma Diocese com quatro milhões de católicos, mais de metade dos sete milhões de habitantes do territorio de Viana, Dom Emílio Sumbelelo apela a ter os corações abertos para acolher a mensagem do enviado do Senhor que vai deixar palavras de consolo de que os angolanos tanto precisam nessa fase crítica que o país está a viver do ponto de vista social.
Por isso, estão todos empenhados numa intensa preparação que quer ser antes de mais espiritual: orações, catequeses, encontros a nível de dioceses, paróquias, escolas católicas, meios de comunicação. Tudo pelo bom êxito da visita e para que a mensagem de Cristo através do Papa encontre terreno fértil e leve à conversão e à mudança de vida.
Dois pulmões espirituais da Diocese
A Diocese dispõe de dois Santuários Marianos, São José, de Calumbo, e Nossa Senhora da Muxima, aonde o Papa irá e que é considerado Santuário Nacional com peregrinações anuais de grande relevo. Para Dom Sumbelelo trata-se de dois pulmões espirituais, lugares de evangelização que, para além de serem metas de romarias, tem havido a preocupação de os tornar em lugares de conversão e evangelização. “Quem vai, tem de voltar feliz e abençoado por Deus” - recorda o prelado.
Situado a cerca de 160km do Kilamba, o Santuário da Muxima, já está a ser preparado para acolher o Santo Padre. Leão XIV inaugurará a Praça da Peregrinação nessa Vila que está em obras de requalificação desde 2022 para a construção da Basílica, cuja conclusão vai ainda levar algum tempo.
Tal como o Santuário da Muxima, também a centralidade do Kilamba está a ser predisposta para acolher cerca de 400 a 500 mil fiéis que acorrerão de toda Angola e de países vizinhos para assistir à Missa presidida por Leão XIV, na manhã do domingo, 19 de abril, antes de seguir, de helicóptero, na parte da tarde, para Muxima.
Nesta intensa preparação estão envolvidos tanto o Estado angolano como a Igreja numa estreita colaboração que não exclui o aporte dos cidadãos e fiéis.
Um estímulo para o pastoreio
Dom Sumbelelo não esconde a sua alegria. Para ele, à frente da Diocese com maior número de católicos em Angola e fulcro dos dois eventos espirituais presididos pelo Papa na primeira etapa da visita que o levará também ao Leste de Angola, é um “estímulo” para dar cada vez mais de si no pastoreio que o Senhor lhe confiou. Um pastoreio para o qual conta com o auxílio de 81 sacerdotes (diocesanos e religiosos), um número significativo de diáconos, 165 religiosas, muitos catequistas, espalhados todos por 34 paróquias e 12 Centros Pastorais. A tudo isto se acrescenta o Seminário Maior de Filosofia, criado há um ano e que está em funcionamento, constituindo uma esperança para a evangelização - frisa Dom Sumbelelo, ao apresentar a sua Diocese em entrevista realizada pelo P. Cristóvão Capitão Kiala Salazar e em que são salientados traços históricos da mesma, sendo ele o segundo pastor dessa jurisdição diocesana, criada pelo Papa Bento XVI, em 2007 e à cabeça da qual está desde 2019.
O Bispo conclui, deixando um convite a todos quantos quiserem participar nos eventos papais a se porem em contacto com a CEAST, Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe.
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