África e Europa reforçam compromisso com a evangelização e a sinodalidade
Por Sheila Pires, em Joanesburgo
O encontro do Luxemburgo deu continuidade ao diálogo iniciado em Nairobi, no Quénia, em 2024. Entre os participantes esteve Dom José Manuel Imbamba, Segundo Vice-Presidente do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SECAM), que apresentou a reflexão africana sobre a evangelização. Segundo o prelado, o encontro permitiu identificar desafios comuns, partilhar experiências pastorais e discernir caminhos de cooperação para que a Igreja seja cada vez mais um espaço de comunhão, escuta e missão.
“O objetivo foi refletir sobre o que podemos fazer juntos para que a Igreja continue a ser um rosto de acolhimento, fraternidade e esperança para o mundo”, afirmou.
África oferece ao mundo a riqueza da sua fé
Refletindo sobre a missão da Igreja em África, Dom Imbamba, que também é Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST), destacou o dinamismo missionário do continente.
Segundo ele, África deixou de ser apenas destinatária da ação missionária para se tornar protagonista da missão universal da Igreja.
Na sua intervenção, o Arcebispo de Saurimo recordou que milhares de sacerdotes, religiosas e leigos africanos servem atualmente em diversas partes do mundo, contribuindo para revitalizar comunidades cristãs e testemunhar a vitalidade da fé africana.
“Hoje África oferece ao mundo a beleza da sua fé, o entusiasmo das suas comunidades e a alegria do Evangelho vivido em comunidade”, afirmou.
Ao mesmo tempo, reconheceu que o continente continua a enfrentar desafios sociais, económicos, políticos e culturais que exigem uma evangelização cada vez mais profunda e transformadora.
Sinais de esperança e desafios comuns
As reflexões partilhadas durante o seminário mostraram que tanto África como Europa enfrentam desafios importantes, embora em contextos diferentes.
Os participantes reconheceram sinais encorajadores de renovação da fé em algumas regiões da Europa, depois de décadas marcadas pela secularização. Em África, por sua vez, a Igreja continua a crescer, impulsionada pela participação dos jovens e pela forte dimensão comunitária da vida cristã.
Apesar dessas diferenças, ambos os continentes partilham preocupações relacionadas com a formação dos fiéis, as migrações, a evangelização dos jovens e a necessidade de responder às rápidas transformações culturais do mundo contemporâneo.
A caminhada sinodal continua
Grande parte dos trabalhos foi dedicada à fase de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade, que culminará na Assembleia Eclesial prevista para 2028.
Segundo Dom Imbamba, os participantes constataram que o processo está a avançar de forma positiva nos dois continentes. Em África, muitos dos elementos promovidos pela sinodalidade – como a participação, a escuta e a vida comunitária – já fazem parte da experiência eclesial quotidiana.
Contudo, os bispos sublinharam a necessidade de continuar a investir na formação e no acompanhamento pastoral para consolidar uma cultura verdadeiramente sinodal.
Um dos temas mais debatidos foi a participação dos sacerdotes no processo. Os participantes concordaram que a implementação da sinodalidade não poderá produzir os frutos desejados sem o envolvimento ativo do clero.
“Os sacerdotes são protagonistas indispensáveis da vida pastoral e da missão da Igreja. É necessário que se sintam cada vez mais envolvidos e comprometidos com este caminho”, afirmou o prelado.
Uma Igreja unida na diversidade
Os participantes também refletiram sobre alguns equívocos em torno da sinodalidade, insistindo que esta não significa a eliminação da autoridade na Igreja, mas antes um modo de caminhar juntos, cada um segundo a sua vocação e responsabilidade.
Ao concluir o encontro, Dom Imbamba destacou a experiência de fraternidade vivida entre representantes de diferentes culturas, línguas e realidades eclesiais.
“O que levamos connosco é a certeza de que, apesar das nossas diferenças, partilhamos a mesma fé, a mesma missão e o mesmo desejo de servir o povo de Deus”, afirmou.
Os bispos decidiram ainda que o próximo encontro entre o SECAM e o CCEE terá lugar em África, antes da Assembleia Eclesial de 2028, reforçando a colaboração entre os dois continentes na construção de uma Igreja cada vez mais sinodal, missionária e próxima das pessoas.
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui