Papa Leão XIV assina a sua primeira Encíclica "Magnifica humanitas", no Vaticano Papa Leão XIV assina a sua primeira Encíclica "Magnifica humanitas", no Vaticano  (@Vatican Media)

Especialistas e estudantes defendem uso ético da IA após apelo do Papa Leão

Na nova encíclica dedicada aos desafios da inteligência artificial (IA), o Papa Leão XIV apela para que a tecnologia permaneça ao serviço da dignidade humana e não substitua a capacidade crítica das pessoas. Em Moçambique, especialistas e estudantes universitários reconhecem os benefícios da inteligência artificial, mas alertam para os riscos da dependência excessiva das máquinas.

Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique

Na sua nova encíclica, dedicada à inteligência artificial, o Santo Padre alerta para os perigos do uso irresponsável destas ferramentas e defende que o progresso tecnológico deve preservar sempre a dignidade humana, a ética e o bem comum.

Falando à Rádio Vaticano, o docente universitário e consultor Paulo Vevelua considera que a visão defendida pelo Papa levanta vários desafios éticos no desenvolvimento tecnológico atual.

Segundo explicou, um dos principais riscos está relacionado com a desumanização do trabalho e das relações sociais, devido à substituição progressiva das decisões humanas por sistemas automatizados.

Paulo Vevelua alertou igualmente para o risco de aprofundamento das desigualdades sociais e digitais, sobretudo em países em desenvolvimento como Moçambique.

O docente universitário apontou ainda preocupações ligadas à privacidade e à transparência dos sistemas inteligentes. Segundo afirmou, muitos algoritmos funcionam como “caixas pretas”, sem explicar claramente como chegam às decisões, o que levanta dúvidas sobre justiça, responsabilidade e confiança.

Apesar dos desafios, o consultor considera que a inteligência artificial pode ter um impacto profundamente positivo em Moçambique, desde que seja aplicada de forma responsável e inclusiva.

Paulo Vevelua, Docente universitário em Moçambique
Paulo Vevelua, Docente universitário em Moçambique

Na área da educação, por exemplo, Paulo Vevelua acredita que a tecnologia pode ajudar no ensino personalizado, facilitar o acesso a conteúdos educativos e apoiar estudantes com dificuldades de aprendizagem, sobretudo em regiões com escassez de professores.

Para o especialista, as universidades têm um papel central na formação ética e crítica dos estudantes. Segundo explicou, não basta ensinar apenas programação ou ferramentas tecnológicas. É necessário incluir disciplinas ligadas à ética, direitos humanos e impacto social da inteligência artificial.

Na mesma linha, o engenheiro informático Ekoko Clesh alertou para o risco da dependência excessiva das máquinas. Segundo afirmou, muitas pessoas já delegam tarefas simples à inteligência artificial, situação que pode comprometer a capacidade humana de pensar criticamente.

O especialista defende que os profissionais das áreas tecnológicas devem pautar-se pela ética no desenvolvimento de plataformas digitais, garantindo segurança de dados, inclusão social e acessibilidade para pessoas com deficiência visual ou auditiva.

Ekoko Clesh, Engenheiro informático em Moçambique
Ekoko Clesh, Engenheiro informático em Moçambique

Os estudantes universitários reconhecem que a inteligência artificial traz benefícios importantes e alertam que o uso excessivo pode criar dependência e reduzir a capacidade de as pessoas resolverem problemas por si próprias.

A encíclica do Papa Leão XIV surge num momento em que cresce o debate mundial sobre os limites éticos da inteligência artificial e o impacto das novas tecnologias na educação, comunicação, economia e segurança global.

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29 maio 2026, 16:00