Basílica São Paulo Fora dos Muros, Roma - Lusofonias Basílica São Paulo Fora dos Muros, Roma - Lusofonias  (Tony Neves, Espiritanos em Roma)

São Paulo, o Missionário por excelência

O mundo católico celebra a 29 de junho S. Pedro…e S. Paulo. Quando cheguei a Roma (faz quase 8 anos!), impressionou-me ver, em todas as Basílicas (incluindo a de S. Pedro e a de S. Paulo) e grandes Igrejas, a estátua de S. Pedro (com o molho de chaves!) e a de S. Paulo (com a espada – a Palavra de Deus como espada de dois gumes) sempre presentes, lado a lado! São, de facto, dois dos enormes pilares da Igreja nascente.

Tony Neves,CSSp, em Moçambique

D. António Couto, biblista

Este ano fui marcado pela publicação do novo livro de D. António Couto, ‘Paulo, modelo de evangelizador’. O Bispo de Lamego é um dos biblistas-poetas portugueses mais notáveis, responsável pela formação de inúmeros Bispos, Padres, Religiosos/as e Leigos. Missionário da Boa Nova, doutorado em Roma nas Ciências Bíblicas, foi Professor na Universidade Católica e outras instituições de Ensino Superior. Depois de exercer o cargo de Superior Geral dos Missionários da Boa Nova, foi nomeado Bispo Auxiliar de Braga, de onde rumou a Lamego, onde é o Bispo titular desde 2012. Apesar destas responsabilidades mais governativas e pastorais, nunca deixou de investigar, lecionar ou escrever sobre assuntos relacionados com a Bíblia.

Paulo, o homem cem por cento…

Na contracapa está quase tudo dito sobre Paulo, foco desta investigação: ‘é um homem intenso. (…) Viveu o judaísmo a cem por cento (…). Tornou-se cristão a cem por cento. Parece nunca ter sabido viver a menos de cem por cento. (…). Dedicação máxima, a cem por cento. Metodologia personalizada, paternal e maternal, a tempo inteiro e a corpo inteiro’.

‘A graça e a paz e o amor’ é um capítulo para dizer que Paulo inicia as Cartas com a saudação de ‘Graça e Paz’. Diz mesmo: ‘A Graça abre e fecha – inclusão literária -, enche as Cartas de Paulo’ (p.81).

Ao abordar ‘a palavra da Cruz’, D. António lembra: ‘registe-se o revestimento interior, a radical novidade de vida, de quem vive em Cristo. Vê-se bem que vestir-se de misericórdia, bondade, humildade, mansidão, magnanimidade, amor, paz, nada tem a ver com o exterior e lojas de modas ou pronto-a-vestir, mas com a nossa nudez interior, que só Cristo pode verdadeiramente resolver’ (p.110). Por isso, entende que ‘é inquestionável, e Paulo mostra-o até à exaustão, que a Cruz de Cristo constitui o chão e o critério da sua e da nossa identidade cristã e apostólica’ (p.118).

A vocação de Evangelizar

‘A missão de evangelizar é a graça e a vocação própria da Igreja, de toda a Igreja, a sua identidade mais profunda. A Igreja existe para evangelizar’ (p.134).

Em ‘a outra rede da missão: muitos e bons cooperadores’, Paulo como D. Couto concordam que ‘o título de ‘cooperador’ mostra que, no trabalho da Evangelização, não há lugar para trabalhadores solitários’. (p.163). Por isso, ‘na peugada de Paulo, o desafio da formação séria, cuidada e alargada dos ministros ordenados e dos fiéis leigos não pode deixar de nos ocupar e preocupar também hoje’ (p.168).

D. António Couto valoriza muito ‘a viagem da comunhão’: ‘ a viagem que desde Corinto Paulo encetará para Jerusalém é uma viagem histórico-geográfica, mas o seu tom é sobretudo eclesial. Digamos mesmo que, para Paulo, é a viagem da sua vida: é a viagem da comunhão das igrejas em Cristo, quer as oriundas do Judaísmo quer as oriundas do paganismo’ (p.191). Define a Carta aos Romanos, ‘magna carta da unidade e da liberdade das igrejas em Cristo’, último escrito saído da mão de Paulo, ‘obra madura, amadurecida nas esperanças e nas dores’ (…)’seu testamento’ (p.195).

Em jeito de conclusão

Estando a visitar Moçambique, termino com o autor: ‘Paulo, o maior missionário de todos os tempos, há de ensinar-nos a solicitar de nós empenho radical, testemunho intenso, devotação a tempo inteiro e de corpo inteiro a Jesus Cristo e ao Evangelho. Agregou pessoas, fundou comunidades dinâmicas, escreveu cartas para encurtar distâncias, promoveu uma coleta para gerar comunhão e acudir aos pobres, fenómeno único no Cristianismo antigo’ - está escrito na contracapa.

Que Paulo continue a ser a fonte de inspiração de todos os missionários que deixam as suas terras e partem pelo mundo a anunciar o Evangelho.

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25 junho 2026, 17:33