Dom Inácio Saúre - Presidente CEM, Conferência Episcopal de Moçambique Dom Inácio Saúre - Presidente CEM, Conferência Episcopal de Moçambique  (Cremildo Alexandre)

Moçambique - Dom Inácio Saúre: A Igreja não vai calar

A Igreja Católica, em Moçambique, não vai ficar em silêncio até que sejam esclarecidas as circunstâncias da morte de Dom Osório Citora, assassinado em Junho deste ano. O compromisso foi reafirmado pelo Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique e Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, durante a missa de encerramento da peregrinação ao Santuário Maria Mãe do Redentor, em Meconta, no domingo, 16 de agosto de 2026.

Cremildo Alexandre - Nampula, Moçambique

O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, afirma que a Igreja Católica continua preocupada com a falta de informações oficiais sobre quem matou Dom Osório Citora, porquê e quais foram as motivações do crime. Segundo o prelado, o esclarecimento dos autores materiais e morais do assassinato é fundamental para que a Igreja possa compreender o acontecido e contribuir para um verdadeiro processo de reconciliação em Moçambique.

Oiça as palavras de Dom Inácio Saúre

Dom Inácio sublinha que a Igreja não procura vingança, mas justiça e verdade. Para o Arcebispo, mesmo numa perspectiva cristã de perdão, é necessário conhecer a verdade sobre o crime. “A atitude da Igreja, de Cristo, não é de se vingar matando aquele que matou”, afirmou, defendendo que o perdão não deve significar o esquecimento dos acontecimentos.

O Arcebispo revelou que a Conferência Episcopal de Moçambique continua a acompanhar o caso e tem mantido contactos com diferentes instituições. Dom Inácio explicou que, na semana anterior à celebração, realizou-se um encontro tripartido envolvendo o Governo de Moçambique, a Nunciatura Apostólica e a Conferência Episcopal de Moçambique.

Segundo o prelado, o encontro contou com representantes do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério das Finanças, além da representação da Santa Sé e da Presidência da Conferência Episcopal de Moçambique.

Em memória de Dom Osório Citora Afonso, assassinado na Diocese de Quelimane em Junho de 2026
Em memória de Dom Osório Citora Afonso, assassinado na Diocese de Quelimane em Junho de 2026   (©Cremildo Alexandre, Rádio Encontro (Nampula, Moçambique))

Dom Inácio Saúre reconhece que o processo se encontra sob segredo de justiça e que, por isso, ainda não é possível apresentar conclusões oficiais sobre os responsáveis pelo assassinato. No entanto, manifesta preocupação com o risco de o caso perder atenção pública com o passar do tempo.

O Arcebispo recordou que, em Moçambique, casos graves podem permanecer durante algum tempo no centro das atenções e depois perder espaço no debate público, sem que a sociedade conheça os seus desfechos. “Devemos deixar isto como Igreja? Não!”, questionou perante os peregrinos, reafirmando o compromisso dos bispos em continuar a acompanhar o caso.

Para Dom Inácio Saúre, conhecer a verdade sobre a morte de Dom Osório é também uma condição importante para a construção de um caminho de reconciliação. A Igreja pretende saber não apenas quem executou o crime, mas também quem o terá organizado e quais foram as suas motivações, para que a sociedade moçambicana possa avançar no caminho da verdade, justiça, perdão e reconciliação.

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18 agosto 2026, 13:53