Moçambique - Dom Inácio Saúre: A Igreja não vai calar
Cremildo Alexandre - Nampula, Moçambique
O Arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, afirma que a Igreja Católica continua preocupada com a falta de informações oficiais sobre quem matou Dom Osório Citora, porquê e quais foram as motivações do crime. Segundo o prelado, o esclarecimento dos autores materiais e morais do assassinato é fundamental para que a Igreja possa compreender o acontecido e contribuir para um verdadeiro processo de reconciliação em Moçambique.
Dom Inácio sublinha que a Igreja não procura vingança, mas justiça e verdade. Para o Arcebispo, mesmo numa perspectiva cristã de perdão, é necessário conhecer a verdade sobre o crime. “A atitude da Igreja, de Cristo, não é de se vingar matando aquele que matou”, afirmou, defendendo que o perdão não deve significar o esquecimento dos acontecimentos.
O Arcebispo revelou que a Conferência Episcopal de Moçambique continua a acompanhar o caso e tem mantido contactos com diferentes instituições. Dom Inácio explicou que, na semana anterior à celebração, realizou-se um encontro tripartido envolvendo o Governo de Moçambique, a Nunciatura Apostólica e a Conferência Episcopal de Moçambique.
Segundo o prelado, o encontro contou com representantes do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério das Finanças, além da representação da Santa Sé e da Presidência da Conferência Episcopal de Moçambique.
Dom Inácio Saúre reconhece que o processo se encontra sob segredo de justiça e que, por isso, ainda não é possível apresentar conclusões oficiais sobre os responsáveis pelo assassinato. No entanto, manifesta preocupação com o risco de o caso perder atenção pública com o passar do tempo.
O Arcebispo recordou que, em Moçambique, casos graves podem permanecer durante algum tempo no centro das atenções e depois perder espaço no debate público, sem que a sociedade conheça os seus desfechos. “Devemos deixar isto como Igreja? Não!”, questionou perante os peregrinos, reafirmando o compromisso dos bispos em continuar a acompanhar o caso.
Para Dom Inácio Saúre, conhecer a verdade sobre a morte de Dom Osório é também uma condição importante para a construção de um caminho de reconciliação. A Igreja pretende saber não apenas quem executou o crime, mas também quem o terá organizado e quais foram as suas motivações, para que a sociedade moçambicana possa avançar no caminho da verdade, justiça, perdão e reconciliação.
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