Gabriela Mendonça veio de Santa Catarina para participar dos eventos em Roma contra o Tráfico Humano Gabriela Mendonça veio de Santa Catarina para participar dos eventos em Roma contra o Tráfico Humano

Brasil em Roma: o rosto jovem e leigo na vanguarda contra o tráfico humano

Em preparação para o 12º Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, representantes brasileiros trazem ao coração da Igreja o diagnóstico das novas escravidões e a força das redes de cuidado.

Pe. Rodrigo Rios – Cidade do Vaticano

Roma tornou-se, desde a última quarta-feira, o epicentro de uma mobilização global contra uma das realidades mais dolorosas do nosso tempo: o tráfico de pessoas. Sob a coordenação da rede internacional Talitha Kum, os encontros de formação e sensibilização preparam o caminho para a jornada de oração do próximo dia 8 de fevereiro.

Do Brasil, ecoam duas vozes que se destacam na caridade e no intelecto: a experiência de campo de Gabriela Mendonça e a análise sociotransformadora de Luis Rogério do Nascimento Braz. Juntos, eles personificam a Igreja que "sai de si" para tocar as feridas de Cristo nos irmãos que sofrem.

Gabriela Mendonça, voluntária da Rede Um Grito pela Vida, é advogada e especialista em Direito Internacional e Direitos Humanos. Suas colocações revelam as novas e alarmantes faces da escravidão moderna no território brasileiro. Atuando diretamente nas bases, a advogada trouxe dados que confrontam a visão tradicional sobre o crime, detalhando como o tráfico se adaptou aos tempos atuais e a mudança ocorrida no perfil das vítimas: "Hoje, a maioria dos resgatados vem da construção urbana; não vem mais apenas do campo, como tínhamos antigamente".

Testemunho de Gabriela Mendonça

Gabriela destaca que o Brasil, por sua extensão continental e fronteiras porosas, enfrenta desafios logísticos imensos e uma alarmante subnotificação. Contudo, faz questão de desmistificar a ideia de passividade do país: "Temos leis, temos iniciativas e muitas redes atuantes. Aqui falamos sobre as nossas realidades e o que estamos fazendo para combater o tráfico, para que o mundo conheça nossas iniciativas". Ela complementa que, quando o assunto chega à imprensa, o foco geralmente recai apenas na vítima ou na origem; raramente se mostra o trabalho de combate. "Vir a Roma é também mostrar que o Brasil possui legislação sólida e ações concretas".

No acompanhamento das vítimas, a rede atua como uma ponte de confiança. Gabriela relata que o medo é a principal barreira para a denúncia: "Muitas vezes, a vítima teme a polícia. Nosso papel é o acompanhamento humano e jurídico, articulando com o Ministério Público para que a justiça seja feita e a dignidade, restaurada".

A base teórica e a formação de base

Se Gabriela atua na urgência do resgate, Luis Rogério do Nascimento Braz, leigo da Diocese de São José dos Campos e residente em Roma, oferece a base teórica fundamentada na Doutrina Social da Igreja. Para ele, o tráfico de pessoas não é um incidente isolado, mas uma "falha sistêmica".

"Nossa missão é traduzir o conhecimento técnico e o fervor espiritual para a base, para as paróquias. Não podemos fechar os olhos para o que acontece debaixo do nosso nariz, seja no canteiro de obras ou na exploração digital", provoca Luis Rogério. Seu olhar reforça que a oração sem ação é incompleta e que a técnica sem fé corre o risco de ser fria.

Luis fala sobre ser Jovem Embaixador em Roma

Inovação e Juventude: #PrayAgainstTrafficking

Reconhecendo que a prevenção é o caminho mais eficaz, a delegação brasileira aposta em novas linguagens para falar aos jovens. Gabriela iniciou o uso de podcasts temáticos para que, através da narração de casos reais de grande impacto, como redes de adoção ilegal e exploração sexual, a iniciativa desperte a curiosidade e ensine a identificar situações de risco.

"Um dos episódios que fiz foi sobre adoção ilegal. Falei de um caso que aconteceu no Sul nos anos 90, que envolvia uma rede especialista em traficar bebês. Eu explicava como o caso ocorria e, depois, questionava: 'Você entendeu como funciona?', para que as pessoas pudessem associar o que caracteriza aquele tipo de tráfico a um exemplo concreto", conta.

Ainda conforme Gabriela, essa abordagem educativa utiliza um vasto repertório midiático para criar associações diretas entre os exemplos narrados e as características do crime. Isso permite que a rede adapte sua comunicação conforme o objetivo: atrair novos voluntários ou alertar sobre perigos e formas de prevenção.

Com a hashtag #PrayAgainstTrafficking, a Igreja convida os fiéis a romperem as correntes que ainda aprisionam milhões de pessoas no mundo. Para conhecer mais sobre a iniciativa e baixar os roteiros de oração, acesse: https://preghieracontrotratta.org/ e selecione o idioma português.

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05 fevereiro 2026, 15:53