Encerrado CONVIVIUM, ocasião para “ver para onde o Senhor nos chama”. Encerrado CONVIVIUM, ocasião para “ver para onde o Senhor nos chama”. 

Madri: encerrado CONVIVIUM, ocasião para “ver para onde o Senhor nos chama"

CONVIVIUM, a assembleia presbiteral da arquidiocese de Madri, que reuniu mais de 1.300 participantes nos dias 9 e 10 de fevereiro, tem sido uma oportunidade para discernir que tipo de sacerdotes Madri precisa neste momento.

Padre Miguel Modino - Madri

Presbíteros chamados a pensar como levar a cabo a missão nesta igreja local. Daí a importância da reflexão de Mons. Luis Marín, subsecretário do Sínodo dos Bispos, centrada nos desafios da missão nos nossos dias a partir da perspectiva do ministério sacerdotal, para além do ativismo e do profissionalismo. O bispo agostiniano não hesita em ver o CONVIVIUM como uma oportunidade para “fortalecer a identidade sacerdotal” e “potenciar a presença evangelizadora”.

O ponto de partida são as Bem-aventuranças, a caridade, o amor, ponto de partida prévio à fé, que garante a comunhão, que “não é uniformidade, mas opção de amor”, dado que “a harmonia, necessariamente, exige diferença”. Uma dinâmica necessariamente presente na Igreja, “espaço onde as relações podem prosperar no amor mútuo, fundado na Trindade”, o que exige uma conversão ao amor fundante, cuja ausência nos afasta de Deus.

Um segundo elemento é a Verdade, que “não é algo, mas Alguém”, Jesus Cristo. Para isso, é necessária a virtude da humildade, que nos leva a confiar no Espírito, a deslocar o centro de gravidade de nós mesmos para o Senhor, a assumir a obrigação de ouvir o Senhor e os outros para poder entrar em diálogo e “ver para onde o Senhor nos chama”. Assim, evitaremos “o perigo de ideologizar a fé”, destacou.

Encerrado CONVIVIUM
Encerrado CONVIVIUM

Desenvolver o Vaticano II

Os ministros ordenados “temos o desafio de conhecer, aprofundar e desenvolver o Concílio Vaticano II”, nas palavras do subsecretário do Sínodo, seguindo o Magistério dos últimos papas. O Vaticano II destaca o mandato missionário da Igreja, a eclesiologia da comunhão, a koinonia com Deus e com os irmãos. Em uma troca de dons, que destrói a divisão na Igreja, que aparece quando agimos contra a vontade de Deus. Marín lembrou as palavras de Leão XIV: “o sacerdote é chamado a promover a reconciliação e gerar comunhão”.

Tudo isso como Povo de Deus, com a totalidade dos batizados, a partir da diversidade de “vocações, carismas e ministérios”. Portanto, o discernimento “deve necessariamente ser feito no e a partir do Povo de Deus”, dado que no Espírito Santo os batizados “são tornados participantes da natureza divina”. Uma dinâmica que se concretiza na Igreja sinodal, que nas palavras do atual pontífice “expressa felizmente o modo pelo qual o Espírito modela a Igreja”. Uma sinodalidade que “é aprofundar a comunhão com Cristo e com os irmãos”, que é dimensão constitutiva da Igreja, que se concretiza em estruturas e se desenvolve na Igreja local. Isso exige “avançar para uma Igreja totalmente sinodal no ser, no fazer e no estilo”, segundo o bispo agostiniano.

Desafios para a missão

A partir daí, ele sugeriu alguns desafios. Em primeiro lugar, o cristocêntrico, que parte dos princípios de que a salvação está em Cristo e somente em Cristo, que sublinha a importância do batismo e que há um único sacerdote: Cristo Jesus. É necessário que os sacerdotes evitem a rotina, não caiam na exterioridade ou no ritualismo, assumam que “a missão do sacerdote não é outra senão a missão de Cristo”. Junto com isso, o desafio eclesiológico, que exige unidade e fraternidade entre os presbíteros, seu cuidado; serviço, que nos ministros ordenados deve levá-los a se sentirem inseridos no povo de Deus. Finalmente, o desafio da corresponsabilidade diferenciada, que leva o pastor a discernir no e a partir do Povo de Deus, sem defender um regime assemblear que dilua a autoridade do bispo ou do pároco.

No que diz respeito aos desafios evangelizadores, Luis Marín apelou a um serviço à Igreja em saída missionária, com criatividade e dinamismo evangelizador; a saber ler os sinais dos tempos, com um “discernimento histórico e pastoral, à luz da fé”, com “atenção às crianças e aos jovens e à promoção da mulher”; fazer opção pelos pobres e “envolver-se ativamente na promoção da justiça no mundo, reconhecendo a dignidade de todo ser humano”, numa Igreja chamada a “ser pobre com os pobres”. Para realizar tudo isso é necessária a alegria, ser como sacerdotes servidores da alegria, com um entusiasmo que brota da identificação com Cristo, concluiu o subsecretário do Sínodo dos Bispos.

Corresponsabilidade com os leigos

Um caminho presbiteral que avança mais e melhor quando os leigos são consultados, algo que foi realizado no processo do CONVIVIUM, como agradeceu Susana Arregui, delegada dos Leigos na arquidiocese de Madri. Os leigos de Madrid veem os sacerdotes como referências espirituais que acompanham a vida das comunidades, como impulsionadores da sinodalidade, e pedem que confiem nos leigos e nos seus carismas, a partir de uma autoridade entendida como serviço e não como poder.

Também os chamam a não viver o ministério em solidão, a criar comunidades nas quais se delegam responsabilidades reais aos leigos, onde se confia em seus carismas e competências, com conselhos pastorais e econômicos que são espaços de discernimento compartilhado. Para isso, exigem a formação como fundamento indispensável e fazem ver que, na Igreja, “todos, a partir de vocações distintas, somos necessários”.

Mobilizar para evangelizar

Um ministério baseado na identidade com Cristo, que “se explica em nossa relação com o povo de Deus”, afirmou o cardeal José Cobo. O arcebispo de Madri chamou os sacerdotes a serem “instrumentos que nos mobilizem a todos para evangelizar”, a viver “a relação concreta com as comunidades que cada um de nós tem a cargo, a aprender com elas a discernir o que temos que fazer agora, em harmonia”. A partir daí, agradeceu a grande participação e compromisso, pedindo que assumissem as linhas de reflexão como propostas que serão trabalhadas nos próximos anos, para que possam trabalhar juntos. Um compromisso assumido pelo clero madrilenho, que lhe disse ao arcebispo: “O senhor pode contar conosco para evangelizar”. E fazê-lo em comunhão e fraternidade, as duas palavras mais destacadas pelos participantes.

Uma assembleia que foi um espaço para descobrir a necessidade do cuidado integral e do acompanhamento pessoal do sacerdote; para ver a fraternidade sacerdotal real como um caminho para combater a solidão; para mostrar que é necessária mais proximidade, acessibilidade e tratamento igualitário por parte dos bispos e vigários; para viver com menos burocracia e mais ajuda prática para libertar o sacerdote; para avançar na formação permanente e integral, desde o seminário, com uma cultura de confiança; para gerar estruturas e recursos concretos para que tudo isso seja possível. E assim, tornar realidade um modelo presbiteral centrado no cuidado e na comunhão.

Trata-se, como concluiu o cardeal Cobo, de caminhar juntos, em processo, de viver com sentido de pertença, a partir da centralidade em Cristo, de escutar e viver com humildade, de continuar caminhando com a diversidade do laicato, com ritmos diversos, de que os padres cuidem uns dos outros, em uma fraternidade aberta, que construa comunidades cristãs abertas, além dos espaços de serviço. E fazê-lo a partir de um ministério alegre, como sacerdotes a quem o seu arcebispo disse: “Obrigado por serem padres e agora continuem trabalhando”.

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10 fevereiro 2026, 15:11