Lusofonias – México lindo e querido ... em visita aos missionários Espiritanos
Por Tony Neves, no México
A minha visita apostou em duas geografias onde os missionários Espiritanos vivem e trabalham: a do Estado de Tamaulipas, Golfo do México, em Tampico e Nuevo Progresso; a da huasteca potosina, nas áreas dos povos nahuatl e tenec, onde visitei as comunidades de Pujal, San Antonio, Tanlajas e Coxcatlan, todas situadas nas montanhas do Estado de San Luis de Potosi.
A viagem de Lisboa para Tampico demorou mais 30h, entre tempos de voo e de espera, pois fiz escala em Frankfurt e cidade do México. Cheguei noite dentro e levaram-me a uma ‘taqueria’, esses bares-restaurantes de rua onde se comem os famosos tacos: carne prensada e sempre a cozer em lume brando, condimentados com picantes que lhe dão o sabor. E, depois, são servidos enrolados em ‘tortillas’, que substituem o pão em todas as refeições. Embora me garantam que não têm ‘chile’ (picante), sempre que os como tenho vontade de chamar os bombeiros!
Andei 7h para trás, o que me virou o dia do avesso. Mas não havia tempo a perder e iniciei logo a visita canónica à comunidade espiritana de Tampico que anima a grande paróquia de S. David Roldan e o Centro de Desenvolvimento Espiritual dos Missionários Espiritanos (CEDEME), num dos bairros periféricos de Altamira, cidade satélite de Tampico. Foram dois dias muito marcantes que deu para perceber o ritmo acelerado desta cidade do Golfo do México.
A etapa seguinte levou-me a Nuevo Progreso, uma comunidade a 154 kms de Tampico, que ganhou recentemente o estatuto de paróquia. Situada numa das estradas que leva aos EUA, foi muito atingida pela seca que, nos últimos dez anos destruiu colheitas, matou gado e deslocou as pessoas para as cidades. Os Espiritanos são os primeiros párocos, não têm residência paroquial e devem animar uma longa geografia, montanhas adentro, lá onde populações indígenas continuam a remar contra ventos e marés. Felizmente, as chuvas regressaram o ano passado e o povo está mais esperançado num futuro melhor.
O que mais me marcou foi acompanhar o P. Leo numa visita a El Plomo, a aldeia mais distante, mesmo encaixada nas montanhas. A missa a que presidi, na capela da aldeia, permitiu-me encher os olhos de uma paisagem de sonho. Mas as conversas ajudaram-me a ver as dificuldades de um povo isolado e abandonado à sua má sorte. Nesta área – contava-me um líder da comunidade – o gado é atacado por jaguares e ainda naqueles dias tinham apanhado uma cobra cascavel de muitos guizos!!! O povo vive, sobretudo, do carvão que produz, queimando as árvores das florestas e ganhando doenças pulmonares graves. Também apostam no gado, no mel e em algumas frutas tropicais.
Regressado a Tampico, iniciei uma viagem mais longa rumo à huasteca potosina, terra de nahuatls e tenecs, povos indígenas que teimam em manter vivas as suas culturas ancestrais. Foi por aqui que, há 55 anos, Espiritanos vindos do norte da América, iniciaram a missão por terras mexicanas.
A estrada que nos leva à huasteca, numa viagem de quase 200 kms, vai-nos descobrindo uma paisagem que muda constantemente: ou vemos extensas plantações de cana de açúcar ou ganadarias em ‘ranchos’ cuja propriedade se perde na linha do horizonte. E não deixa de ser interessante (e assustador) olhar para as placas da estrada que avisam o perigo de chocar contra iguanas, crocodilos ou mesmo jaguares! Para falar verdade, apenas vimos um coiote morto no meio da via, vitimado por algum camião que o passou a ferro. Dizia-me um padre na viagem: ‘para os ganadeiros, menos um coiote é mais paz para vacas e bois!’.
Sobre esta marcante visita às comunidades indígenas da huasteca potosina, partilharei na próxima crónica.
Desejo uma boa celebração do Dia Mundial dos Trabalhadores.
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