Padre Ricardo Fontana: Começar de novo!
Padre Ricardo Fontana
Era meio-dia. Vinte e cinco de maio de 2026, fomos surpreendidos por um Incêndio de grandes proporções na Igreja Nossa Senhora de Lourdes, Município de Flores da Cunha.
Uma Matriz, por excelência, é o símbolo da fé de uma comunidade e referência histórico-cultural de um povo. A história da Igreja Matriz de Flores da Cunha, acompanhou o crescimento da cidade e o desenvolvimento socio, econômico e cultural do município. Os Imigrantes italianos que chegaram no final da década de 1870 na região se dividiram em duas comunidades chamadas capelas: a primeira São José, no alto de um monte, e a segunda: São Pedro, na planície, onde fica o atual Centro que, juntas em 1890, formaram Nova Trento, ou seja, o primeiro distrito do Município de Caxias do Sul, quando se emancipou de São Sebastião do Caí.
Em 4 de dezembro de 1904 inicia a construção da Igreja em estilo arquitetônico neogótico, com 40 metros de comprimento, 20 metros de largura e 15 metros de altura.
Da Itália veio o altar-mor formado por três nichos. No nicho central, está Nossa Senhora de Lourdes ladeada pelos outros dois nichos com as imagens de São Pedro e São José, em homenagem às duas primeiras capelas de Nova Trento. A Emancipação acontece em 1924, e em 1935, com a promessa de linha férrea, nunca cumprida, recebe um novo nome: Flores da Cunha. Resta, agora, o imponente e silencioso campanário de 55 metros de altura, ao lado das ruínas secas do templo. Totalmente construído em basalto, foram utilizadas 11.122 pedras. Sua construção iniciou em 1946 e terminou em 1949.
A Igreja formada por pedras vivas, reconstruída sobre a pedra principal Cristo, vai ajustar toda (re)construção da Igreja em Flores da Cunha. O convite é formar um templo santo de pedras vivas. Esse é o primeiro passo para reconstrução da Igreja Matriz, considerada o coração da fé e da História da Cidade de Flores da Cunha.
A impressionante força dos bombeiros, resgatando a imagem do Cristo Morto e do Corpo de Deus Eucarístico, demonstra que a Igreja não é formada apenas por elementos físicos, mas pelas pessoas, que simbolizam as pedras que formam o Novo Povo de Deus Peregrino, a Igreja. Expressam também que cada pessoa faz parte do Corpo Místico de Cristo, chamado Igreja. As cinzas são da igreja com “i” minúsculo, mas a fé pertence a Igreja com “I” maiúsculo. É hora de recomeçar e reconstruir!
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