Irmã Paulina Sens Irmã Paulina Sens 

Pedida abertura de Causa de Beatificação da Irmã Paulina Sens

Missa de Ação de Graças pelos 24 anos do falecimento da Religiosa foi celebrada pelo bispo da Diocese de Rio do Sul, e contou com a presença de familiares da religiosa e a comunidade

Associação das Irmãs Franciscanas de São José

A Congregação das Irmãs Franciscanas de São José oficializou, na noite de domingo, 21 de junho, o pedido para a possível abertura do inquérito da Causa de Beatificação de Irmã Paulina Sens. O ofício foi entregue ao bispo da Diocese de Rio do Sul, Dom Adalberto Donadelli Júnior, durante a Missa de Ação de Graças pelos 24 anos de falecimento da religiosa, que dedicou cerca de 60 anos de sua vida ao serviço da comunidade de Ituporanga e região, especialmente por meio de sua atuação junto ao Hospital Bom Jesus (HBJ).

A celebração reuniu um grande número de fiéis, religiosas da Congregação das Irmãs Franciscanas de São José, familiares e pessoas que conviveram com Irmã Paulina ao longo de sua trajetória missionária. Conhecida carinhosamente como a "Mãe dos Pobres", a religiosa permanece viva na memória da comunidade pelo testemunho de fé, simplicidade, caridade e dedicação aos mais necessitados.

Durante a celebração, presidida por Dom Adalberto, os presentes também puderam conhecer melhor as etapas e os critérios exigidos pela Igreja Católica para um processo de beatificação. O bispo explicou que a entrega do ofício representa um importante passo inicial, manifestando oficialmente o desejo da Congregação de iniciar a fase preparatória para uma possível abertura da causa.

Celebração presidida pelo bispo da Diocese de Rio do Sul, dom Adalberto Donadelli Júnior,
Celebração presidida pelo bispo da Diocese de Rio do Sul, dom Adalberto Donadelli Júnior,

O pedido também é resultado de um caminho de reflexão iniciado pela Congregação, após inúmeras manifestações da comunidade que, ao longo dos anos, passou a demonstrar cada vez mais o desejo de ver reconhecida a trajetória de vida da religiosa. 

Segundo Irmã Edelir Stupp, diretora do Hospital Bom Jesus e que por mais de 14 anos conviveu com a religiosa, o pedido nasce da devoção e do testemunho deixado por Irmã Paulina ao longo de sua vida." A fama de santidade de Irmã Paulina não surgiu agora. Ela permanece viva no coração de muitas pessoas que conviveram com ela ou que foram tocadas pelo seu testemunho de amor, serviço e dedicação aos mais pobres. Este pedido é fruto da oração, da escuta da comunidade e do reconhecimento de um legado que continua produzindo frutos", destacou.

Ao receber o documento, Dom Adalberto ressaltou que a entrega do ofício representa apenas o início de uma caminhada que exige prudência, estudo e discernimento por parte da Igreja. "A Igreja possui critérios muito claros para analisar uma causa de beatificação. Este é um primeiro passo importante, que será acolhido e estudado com toda a seriedade necessária. É um momento significativo para a Congregação, para a Diocese e para todos aqueles que guardam com carinho a memória de Irmã Paulina Sens", afirmou.

Mais do que um ato formal, a celebração foi marcada pela emoção e pela gratidão. Rogério Mendonça, ex prefeito da cidade de Ituporanga atendeu a pedidos da religiosa, entre os anos de 1993 e 1996, ele relembra que a religiosa fez a diferença para a comunidade. “Ela ajudou a construir muitas casas para os mais necessitados e vinha por muitas vezes solicitar ajuda da prefeitura e nós enquanto gestão publica ajudava com tijolos, e pra nós é uma alegria muito grande poder ter participado”, conta.  

Os familiares da religiosa que também estiveram presentes manifestaram a alegria e satisfação pela fama de santidade da religiosa. Carlos Sens, sobrinho de Irmã Paulina Sens, relembra  que o convívio com a religiosa era bem próximo. E a família está bem confiante. “Todos da família estão muito contentes, estamos muito esperançosos que essa beatificação vai acontecer”, destacou.

Passos para a Beatificação

 

Para dar sequencia ao processo a Congregação das Irmãs Franciscanas de São José, já nomeou o Postulador Paolo Villota, que reside em Roma/Italia, que fará todo o encaminhamento junto ao Vaticano.  Segundo a presidente da Associação das Irmãs Fraciscanas de São José,  Irmã Zulmira Martins, a entrega do pedido representa um marco importante, mas também o início de um longo caminho de discernimento e investigação por parte da Igreja.

"Estamos dando o primeiro passo de um processo que pode levar muitos anos e que será conduzido com todo o rigor e prudência que a Igreja Católica exige. Neste momento, apresentamos oficialmente o pedido para que a vida, as virtudes e a fama de santidade de Irmã Paulina Sens sejam avaliadas pela Diocese."

A religiosa explica que, após a fase diocesana, toda a documentação será encaminhada ao Vaticano para análise de especialistas, historiadores e teólogos." É um caminho que passa pelo reconhecimento das virtudes heroicas, pela comprovação da fama de santidade e, posteriormente, pela análise de possíveis graças e milagres atribuídos à sua intercessão. Somente após todas essas etapas a Igreja poderá se manifestar sobre uma eventual beatificação."

As religiosas da Congregação das Irmãs Franciscanas de São José
As religiosas da Congregação das Irmãs Franciscanas de São José

O caminho para a beatificação é um processo rigoroso conduzido pela Igreja Católica e pode levar anos. Ele é composto por diversas etapas de análise e discernimento.

1. Pedido de abertura da causa: Tudo começa com o pedido formal para que a Igreja avalie a vida, as virtudes e a fama de santidade da pessoa. Foi esta etapa que a Congregação das Irmãs Franciscanas de São José oficializou ao entregar o ofício ao Bispo da Diocese de Rio do Sul.

2. Fase Diocesana: Caso o pedido seja acolhido, a Diocese inicia uma investigação local. Nessa etapa são reunidos documentos, escritos, fotografias, testemunhos e relatos de pessoas que conheceram o candidato. O objetivo é comprovar suas virtudes cristãs, sua reputação de santidade e a relevância de sua vida para a Igreja.

3. Análise pelo Vaticano: Concluída a fase diocesana, toda a documentação é enviada ao Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano. Especialistas, teólogos e historiadores analisam minuciosamente o material apresentado.

4. Reconhecimento das Virtudes Heroicas: Se a Igreja concluir que a pessoa viveu de forma exemplar as virtudes cristãs, ela recebe o título de "Venerável".

5. Reconhecimento de um Milagre: Para a beatificação, é necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão do Venerável, ocorrido após sua morte. O suposto milagre passa por rigorosa investigação médica, científica e teológica.

6. Beatificação: Com a aprovação do milagre pelo Papa, a pessoa é proclamada "Beata", podendo receber culto público em determinadas regiões, dioceses ou congregações religiosas.

7. Canonização: Para que seja declarada santa, geralmente é necessário o reconhecimento de um segundo milagre ocorrido após a beatificação. Após nova análise e aprovação da Igreja, o Papa proclama oficialmente a canonização.

Túmulo e memorial mantêm viva a memória de Irmã Paulina Sens

 

Mesmo após 24 anos de seu falecimento, a presença e o legado de Irmã Paulina Sens seguem vivos na comunidade de Ituporanga. Seu túmulo está localizado no Jazigo das Irmãs Franciscanas de São José, no Cemitério Católico de Ituporanga, próximo ao Hospital Bom Jesus, no centro da cidade de Ituporanga. Desde sua partida, o local recebe constantemente a visita de fiéis, familiares, amigos e pessoas que encontram em sua história um testemunho de fé, serviço e dedicação ao próximo.

Outra importante referência para quem deseja conhecer mais sobre a trajetória da religiosa é o Memorial Irmã Paulina, localizado nas dependências do Hospital Bom Jesus. O espaço foi idealizado e inaugurado em 2016 com o objetivo de preservar sua história e manter viva a memória de sua missão junto à comunidade. Aberto à visitação, o memorial reúne objetos pessoais, fotografias, documentos e uma linha do tempo que retrata a vida e a atuação de Irmã Paulina Sens, especialmente sua dedicação ao Hospital Bom Jesus e às pessoas mais necessitadas da região.

Para a Congregação das Irmãs Franciscanas de São José, tanto o túmulo quanto o memorial se tornaram locais de oração, gratidão e encontro com a história de uma religiosa que marcou gerações pelo exemplo de simplicidade, caridade e amor ao próximo.

Momento após a celebração
Momento após a celebração

Sobre Irmã Paulina Sens e sua trajetória de fé e santidade

 

Nascida em 30 de maio de 1919, no  interior do município de Angelina/SC, Irmã Paulina Sens ingressou na Congregação das Irmãs Franciscanas de São José no ano de 1939. Em 1944, já consagrada religiosa, veio para Ituporanga, onde iniciou uma longa trajetória de dedicação ao Hospital Bom Jesus (HBJ) e à comunidade.

No HBJ, Irmã Paulina atuou em varias funções. Realizou o curso de Auxiliar de Enfermagem em Curitiba/PR e, em todos os momentos de sua vida, buscou ser uma serva fiel de Deus, colocando-se à disposição para servir onde fosse necessária.

Seu trabalho teve destaque especial na área da obstetrícia, dedicando-se por mais de 30 anos ao auxílio e realização de partos. Ao todo, foram 62 anos de dedicação ao Hospital Bom Jesus, marcados pelo cuidado, pela fé e pelo amor ao próximo.

Para a comunidade de Ituporanga, Irmã Paulina é lembrada como a mãe dos pobres e da caridade. Visitava famílias carentes, acompanhava pessoas doentes e também ajudava a encontrar famílias para crianças abandonadas, sempre guiada pela solidariedade e pela compaixão.

Diante de tamanha entrega e do legado deixado junto ao Hospital Bom Jesus e à comunidade, Irmã Paulina é reconhecida por muitos como santa, sendo relatados testemunhos de graças e possíveis milagres atribuídos à sua intercessão.

Irmã Paulina Sens faleceu no dia 22 de junho de 2002, aos 83 anos. Porém, sua bondade, fé e exemplo de vida seguem vivos no coração de todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-la ou ouvir sua história. No Hospital Bom Jesus, um memorial em sua homenagem foi inaugurado em 2016 e pode ser visitado pela comunidade. O espaço preserva parte de sua história, missão e legado, tornando-se também um local de oração, fé e lembrança daquela que dedicou sua vida ao cuidado com o próximo.

Histórico dos acontecimentos que marcaram esses 24 anos após a morte de Irmã Paulina Sens 

 

1. Ainda em vida, Irmã Paulina Sens era amplamente conhecida pela comunidade de Ituporanga e região como a "Mãe dos Pobres", em razão de sua dedicação aos enfermos, gestantes, famílias carentes, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social. 

2. Logo após seu falecimento, ocorrido em 22 de junho de 2002, começaram a surgir relatos espontâneos de graças alcançadas e testemunhos relacionados à sua intercessão, consolidando gradativamente sua fama de santidade junto à comunidade. 

3. Na mesma semana de seu falecimento, o médico Dr. Ceccato, profissional do Hospital Bom Jesus e pessoa muito próxima de Irmã Paulina Sens, elaborou uma oração em sua homenagem. O texto foi distribuído aos participantes da Celebração de Sétimo Dia da religiosa. 

4. Posteriormente, a oração dedicada à Irmã Paulina Sens foi revisada e atualizada, recebendo aprovação eclesiástica do Bispo Diocesano de Rio do Sul, Dom José Juvêncio Balestieri, permitindo sua divulgação e utilização pelos fiéis. 

5. No ano de 2.004, foi oficializado o Loteamento Irmã Paulina Sens, que recebeu esse nome em homenagem a religiosa que dedicou décadas de sua vida a comunidade ituporanguense, trabalhando no Hospital Bom Jesus, 

6. No ano de 2006, após invocação a Irmã Paulina Sens, durante internação, em momento de fortes dores provocadas por um trauma de contusão, sentindo-se aliviado o paciente compôs uma música em homenagem à religiosa, contribuindo para a preservação e divulgação de sua memória e de seu testemunho cristão. 

7. Desde seu falecimento, o túmulo de Irmã Paulina Sens recebe visitas frequentes de membros da comunidade local e regional, que ali realizam orações, agradecimentos e pedidos de intercessão, com a colocação de velas e flores em seu túmulo. 

8. No ano de 2.010 a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Bom Jesus, recebeu o nome UTI Irmã Paulina, em homenagem a religiosa, com intuito de manter vivo o seu legado dentro da instituição. 

9. Em 2016, durante as comemorações dos 80 anos do Hospital Bom Jesus e dos 14 anos do falecimento de Irmã Paulina Sens, foi inaugurado um memorial permanente em sua homenagem na recepção da instituição. O espaço reúne fotografias, objetos pessoais, documentos e relatos de sua trajetória de vida e missão. 

10. Também em 2016 foi produzido um documentário sobre a vida de Irmã Paulina Sens, reunindo depoimentos de familiares, religiosas, colaboradores, pacientes e membros da comunidade, incluindo relatos de graças atribuídas à sua intercessão e testemunhos sobre sua atuação em favor dos mais necessitados. 

11. Mais de duas décadas após seu falecimento, permanece viva a devoção popular à Irmã Paulina Sens, manifestada por meio de orações particulares, invocação do seu nome diante de momentos de dificuldade, testemunhos espontâneos e contínuas referências à sua vida exemplar de serviço a Deus e ao próximo.

Oração pela Beatificação de Irmã Paulina Sens

 

Ó Deus de bondade e misericórdia, que concedestes à Irmã Paulina Sens um coração humilde e compadecido, para que pudéssemos aprender dela a cultivar a paz, o perdão, a generosidade e o amor aos pobres e sofredores. Com confiança, nós Vos pedimos: olhai com amor compassivo para todos nós, dai-nos viver em harmonia com nossos irmãos e abençoai nossas famílias, nossos pobres, doentes e desamparados. Nós Vos pedimos, pelos méritos de Vossa serva Irmã Paulina Sens, a graça... (pedir a graça). Pedimos também, se for de Vossa vontade, que a santidade de sua vida seja reconhecida pela Igreja, para a glória do Vosso Nome, por Cristo, Nosso Senhor. Amém!  (Com aprovação Eclesiástica do Bispo Diocese de Rio do Sul)

(Graças alcançadas, comunicar: Associação das Irmãs Franciscanas de São José. Rua Governador Celso Ramos, nº470, Bairro Centro, CEP 88400-00 Ituporanga/SC  Instagram: @irmapaulinasens   testemunhos@hbj.org.br)

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26 junho 2026, 13:25