Foco na História: as grandes civilizações africanas.  Foco na História: as grandes civilizações africanas.   A história

Foco na História: as grandes civilizações africanas. África, Berço do Mundo

Durante séculos a historiografia repetia a narrativa de que “a África foi descoberta pelos navegadores portugueses”, especialmente a chamada Áfica Negra ou Sub-Saariana.. Esta ideia, além de historicamente limitada, ignorava o papel central do continente africano na formação da humanidade e das primeiras civilizações conhecidas.

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista

Nos últimos tempos a historiografia tem estudado mais de perto a história do continente africano. Com isso, sua história e a organização dos povos existentes no continente na fase anterior à chegada do europeu ganham novas formatações e o continente aos poucos vai resgatando a sua importância. A própria cartografia já começa a criar modelos de mapas e cartas geográficas que, diferentemente do que se fez durante mais de 15 séculos, a África vai ganhando uma centralidade maior.

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A África do norte, localizada acima do Deserto do Saara, mantece relações mais estreitas com a Europa no tempo do Império Romano que incluiu diversas regiões em seu imenso domínio. No Norte da África os romanos se depararam com Cartago, uma potência comercial e marítima que se opos ferozmente a Roma. Apenas depois da derrota de Cartago nas chamadas Guerras Púnicas e com sua submissão é que Roma teve abertas as portas do Mar Mediterrâneo, com a possibilidade de se expandir pelo norte da África, Oriente Médio e partes do extremo Oriente, chegando até a Índia.

Outro caso específico é o do Egito que ao longo do Rio Nilo que nasce no coração da África constituiu uma ds maiores civilizações de todos os tempos. Porém, na maioria das vezes o estudo da Civilização Egípcia não considera como se ela fosse parte do continente.

Ao longo de vários milênios o Deserto do Saara foi quase que intransponível, como que separando a África em duas partes, acima e abaixo do deserto.

A verdadeira descoberta do Continente Africano

Durante séculos a historiografia repetia a narrativa de que “a África foi descoberta pelos navegadores portugueses”, especialmente a chamada Áfica Negra ou Sub-Saariana.. Esta ideia, além de historicamente limitada, ignorava o papel central do continente africano na formação da humanidade e das primeiras civilizações conhecidas.

A ideia ou conceito de “Descobrimento” conforme acontece em relação ao Brasil ou às Américas é limitado. Assim como hoje não se aceita mais a noção de que o Brasil ou a América tenham sidos descobertos, a África também não foi descoberta, mas foi se revelando ao mundo.

A arqueologia moderna é categórica: a espécie humana surgiu na África. Os fósseis mais antigos do Homo Sapiens foram descobertos em localidades da Etiópia, datados de 195 mil anos no passado ou em localidades doMarrocos, datados de 300 mil anos no passado. Esses testemunhos confirmam que o continente africano foi o primeiro lar da humanidade e de lá, em levas sucessivas, os humanoides foram se espalhando por outras regiões.

Como vimos nos textos passados, séculos antes de qualquer navegador europeu cruzar o Oceano Atlântico ou o Oceano Índico, já existiam na África reinos, impérios e centros urbanos altamente organizados e ali existiram grandes civilizações que as vezes não são consideradas como parte da África. Trazemos aqui alguns exemplos da grandeza que existiu na África antes da chegada dos europeus.

Norte da África: Civilização de Cartago e Egito Antigo. Cartago era expert em navegação e comércio marítimo.

𝐊𝐞𝐦𝐞𝐭 (𝐄𝐠𝐢𝐭𝐨 𝐀𝐧𝐭𝐢𝐠𝐨). Foi pioneiro em escrita, astronomia, matemática e medicina. A mumificação alcançou um alto grau de especialização no Egito.

𝐍𝐮́𝐛𝐢𝐚 𝐞 𝐊𝐮𝐬𝐡. Por serem rivais, por vezes foram dominados pelo Egito, mas legaram diversos exemplos de arquiteturas monumentais próprias.

G𝐚𝐧𝐚, 𝐌𝐚𝐥𝐢 𝐞 𝐒𝐨𝐧𝐠𝐡𝐚𝐢. Esses impérios controlavam o comércio trans-saariano e desenvolveram centros de saber como Timbuktu.

𝐆𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞 𝐙𝐢𝐦𝐛𝐚́𝐛𝐮𝐞. Se constituiu como cidade-estado monumental, símbolo da engenharia africana medieval.

Todos esses exemplos citados foram construídos, preservados e projetados pelo próprio povo africano. Antes da expansão europeia provocada pelo Capitalismo Comercial, africanos já realizavam viagens marítimas, comerciais e científicas. Os núbios e os egipcios navegavam pelo Rio Nilo e também alcançaram o Levante, o Mediterrâneo, o Mar Egeu e possivelmente a Arábia e o Oceano Índico. O Reino de Axum existente onde hoje está a Etiópia e Eritreia já mantinha comércio internacional com Roma, Pérsia, Arábia e Índia no século I da Era Cristã. O Império de Mali empreendeu expedições atlânticas antes mesmo das viagens de Cristóvão Colombo ou Vasco da Gama, incluindo a famosa expedição do imperador Abu Bakr II no século XIV.

Quando os navegadores portugueses chegaram às costas africanas no século XV, encontraram cidades, portos, sistemas fiscais, exércitos organizados, complexas estruturas políticas e religiosas. Ou seja, encontraram povos já descobertos por si mesmos há milénios. Portanto, a ideia de “Descoberta” ganhou força como forma de legitimação da expansão comercial da Europa.

Num caso ou no outro o que se chamou de “descoberta” foi, na verdade, o primeiro contato europeu, e não a revelação de um continente desconhecido.

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13 fevereiro 2026, 10:21