Comissão de Inquérito da ONU: crianças de Gaza são alvo, "é genocídio"
Vatican News
A Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel, instituída em 2021 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, publicou na terça-feira (23/06) um relatório intitulado "A essência da infância foi destruída: ataque deliberado de Israel contra crianças palestinas no Território Palestino Ocupado desde 7 de outubro de 2023". A Comissão, presidida por Srinivasan Muralidhar, afirma ter encontrado provas de que "crianças palestinas foram deliberadamente alvejadas e mortas pelas forças de segurança israelenses" e que "com base nas provas examinadas, e em consonância com seus relatórios anteriores, a Comissão conclui que existem motivos razoáveis para considerar que as autoridades israelenses e as forças de segurança israelenses continuaram a cometer o crime de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra na Faixa de Gaza, bem como crimes de guerra na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental".
Ferimentos e traumas
No relatório divulgado na terça-feira, membros da Comissão Independente da ONU afirmaram que a intensidade e a natureza sistemática das operações militares israelenses continuaram resultando em um número "sem precedentes" de mortes, ferimentos e traumas entre crianças palestinas. De acordo com a Comissão, existem "motivos razoáveis" para afirmar que as autoridades israelenses e as forças de segurança "continuaram a cometer o crime de genocídio" em Gaza.
Estado de Israel classifica relatório como "difamatório"
As autoridades israelenses criticaram o relatório, classificando-o como "difamatório" e uma "farsa caluniosa", acusando os investigadores de ignorarem "as táticas brutais do Hamas, que ataca impiedosamente crianças israelenses e usa crianças palestinas como escudos humanos". Em um relatório inicial divulgado em setembro passado, a Comissão acusou o Estado de Israel de cometer genocídio em Gaza. Em seu relatório mais detalhado, divulgado na terça-feira, a Comissão destaca que essa prática continuou mesmo após o cessar-fogo, ressaltando ainda que as condições de vida impostas em Gaza "causam mortalidade infantil evitável".
Uma vida de deficiência
A Comissão falou de ações que "apagaram a infância" na Faixa de Gaza. A investigação da ONU afirmou que, durante os dois primeiros anos da guerra, pelo menos 20.179 crianças foram mortas e 44.143 ficaram feridas. O assassinato e o ferimento de crianças palestinas, afirma o relatório, "fizeram parte de uma estratégia para destruir a continuidade biológica e a existência futura do grupo palestino em Gaza". Os jovens feridos "enfrentam uma vida de deficiência", que agora é "uma realidade demográfica definidora" entre as crianças de Gaza. O colapso dos programas de saúde pública também "deteriorou as condições necessárias para uma futura geração saudável".
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