O Papa com os sacerdotes e monges das Igrejas Ortodoxas Orientais O Papa com os sacerdotes e monges das Igrejas Ortodoxas Orientais  (@Vatican Media)

O Papa: quando desarmamos nossos corações, crescemos na caridade

Leão XIV recebeu os participantes de uma iniciativa promovida pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, destinada a jovens sacerdotes e monges das Igrejas Ortodoxas Orientais. Ele enfatizou que "as diferenças históricas e culturais em nossas Igrejas constituem um mosaico esplêndido de nossa herança cristã comum". "A unidade dos cristãos torna-se também um fermento para a paz na terra e a reconciliação de todos".

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta quinta-feira (05/03), na Sala Clementina, no Vaticano, os jovens sacerdotes e monges das Igrejas Orientais, em visita de estudo a Roma e ao Vaticano, representantes das Igrejas ortodoxas armênia, copta, etíope, eritreia, malankara e siríaca. A visita de estudo foi organizada pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

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"Espero que tenham gostado desta visita, que lhes deu a oportunidade de aprender mais sobre a Igreja Católica, em particular sobre a Cúria Romana e as instituições educacionais de Roma. Tenho certeza de que sua visita também foi uma bênção para todos que aqui se encontraram com vocês, permitindo-lhes aprender mais sobre suas Igrejas", disse o Papa no início de seu discurso.

O Papa Leão XIV lembrou que foi celebrada, recentemente, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, cujo tema foi extraído da Carta de São Paulo aos Efésios, na qual o apóstolo enfatiza a importância de estarmos unidos na fé: "Há um só corpo e um só Espírito, assim como a vocação de vocês os chamou a uma só esperança".

"Como sabemos, São Paulo viajou muito por Israel, Ásia Menor, Síria, Arábia e até mesmo pela Europa. Ao fundar e visitar muitas comunidades cristãs, ele tomou conhecimento das características únicas de cada igreja — sua etnia, costumes, bem como seus desafios e preocupações", disse o Pontífice.

Crescer na fé compartilhada em Cristo

De acordo com Leão XIV, "o apóstolo compreendeu que as comunidades podiam tornar-se demasiado fechadas em si mesmas, concentrando-se em seus problemas específicos. Portanto, em todas as suas cartas, São Paulo foi determinado em lembrar-lhes que elas faziam parte do único Corpo Místico de Cristo. Dessa forma, ele as encorajava a apoiarem-se mutuamente e a manterem a unidade da fé e dos ensinamentos que refletem a natureza transcendente e o ser uno de Deus".

“Queridos amigos, as diferenças históricas e culturais em nossas Igrejas constituem um mosaico esplêndido de nossa herança cristã comum, algo que todos podemos apreciar. Ao mesmo tempo, devemos continuar nos apoiando reciprocamente, para que possamos crescer em nossa fé compartilhada em Cristo, que é a fonte suprema de nossa paz. Isso requer que aprendamos a nos desarmar.”

Unidade dos cristãos, um fermento para a paz

"Como afirmou o Patriarca Atenágoras, pioneiro do movimento ecumênico, em uma bonita oração: 'Sou desarmado pelo querer ter razão, pelo justificar-me desacreditando os outros', pelo travar 'a guerra mais dura, a guerra contra nós mesmos'".

“Quando eliminamos os preconceitos que temos dentro de nós e desarmamos nossos corações, crescemos na caridade, colaboramos mais estreitamente e fortalecemos nossos laços de unidade em Cristo. Dessa forma, a unidade dos cristãos torna-se também um fermento para a paz na terra e a reconciliação de todos.”

O Papa agradeceu-lhes pela visita e assegurou-lhes sua recordação na oração. "Que o Senhor os abençoe e que a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, proteja vocês e suas amadas Igrejas", concluiu.

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05 fevereiro 2026, 12:48