Papa na saudação ao Principado de Mônaco: com Jesus, elaborar boas práticas de fraternidade
Andressa Collet - Vatican News
Assim o Papa Leão XIV se dirigiu ao Príncipe Alberto II e à população no primeiro discurso da primeira viagem internacional de 2026 para o Pontífice. A visita "relâmpago" de 13 horas ao Principado de Mônaco neste sábado (28/03) começou oficialmente com a chegada no heliporto da Cidade-Estado, quando foi recebido por autoridades civis e eclesiásticas, e a cerimônia de boas-vindas no Palácio do Príncipe com a visita de cortesia a Alberto II.
Leia a íntegra da saudação do Papa Leão XIV
O segudo menor país com viva herança espiritual
Na saudação, o Papa descreveu em detalhes a Cidade-Estado "voltada para o Mediterrâneo e situada entre os países fundadores da unidade europeia", com "vocação para o encontro e o cuidado da amizade social, hoje ameaçados por um clima generalizado de fechamento e autossuficiência". Num momento histórico em que "a ostentação da força e a lógica da prevaricação prejudicam o mundo e comprometem a paz", continuou ele recordando que na Bíblia são os pequenos que escrevem a história, "o dom da pequenez e uma viva herança espiritual empenham a riqueza de vocês ao serviço do direito e da justiça".
Das dimensões reduzidas – é o segundo menor país do mundo, depois do Estado da Cidade do Vaticano – à grande composição plural da população, formada por "um microcosmo", disse o Papa, formada por uma minoria ativa de nativos locais e uma maioria de cidadãos provenientes de outras nações, que "ocupam cargos de considerável influência nos setores econômico e financeiro", por exemplo:
"Para alguns, morar aqui representa um privilégio e, para todos, um apelo específico a perguntar-se sobre o seu lugar no mundo. Aos olhos de Deus, nada se recebe em vão!", aprofundou Leão XIV, encorajando a aproveitar as oportunidades locais não para criar abismos "entre ricos e pobres, entre privilegiados e marginalizados, entre amigos e inimigos", mas dar "um destino universal" para que a vida de todos seja melhor, colocando em prática a "lógica de liberdade e partilha".
A fé católica no Principado de Mônaco
O Principado de Mônaco é um dos últimos países da Europa a manter o catolicismo como religião oficial e o diálogo entre as instituições civis e a Igreja mantém uma importância concreta. O Papa, então, abordou sobre o papel da Cidade-Estado e as escolhas feitas através de "um coração livre e uma inteligência iluminada" que emana do Evangelho, sobretudo em tempos de "cultura pouco religiosa e muito secularizada":
"A fé católica, que o país de vocês é dos poucos a ter como religião de Estado, coloca-nos perante a soberania de Jesus, que interpela os cristãos a tornarem-se, no mundo, um reino de irmãos e irmãs, uma presença que não oprime, mas eleva; que não separa, mas une; pronta a sempre proteger com amor toda a vida humana, em qualquer momento e condição, para que ninguém seja jamais excluído da mesa da fraternidade. É a perspectiva da ecologia integral, que sei que é muito cara a vocês. Confio ao Principado do Mônaco, pelo vínculo tão profundo que o une à Igreja de Roma, um compromisso de todo especial no aprofundamento da Doutrina Social da Igreja e na elaboração de boas práticas locais e internacionais que manifestem a sua força transformadora."
Pax vobis! Que la paix soit avec vous!
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