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Irmã Beta Almendra - Missionária da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre no Sudão do Sul Irmã Beta Almendra - Missionária da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre no Sudão do Sul 

Religiosa portuguesa denuncia insegurança no Sudão do Sul

A irmã comboniana Beta Almendra é missionária naquele país e em mensagem enviada à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre revela que há lutas pelo poder na origem dos conflitos. Pede a oração de todos. Segundo a ONU há o risco de regresso aos tempos da guerra civil.

Rui Saraiva – Portugal

No Sudão do Sul, no primeiro domingo de março, um ataque brutal em Abiemnhom, causou a morte a quase duas centenas de civis e provocou a fuga de mais de 4 mil pessoas.

Massacre, violência e risco de guerra civil

A irmã comboniana Beta Almendra, que está em missão na diocese de Wau, enviou uma mensagem para a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) informando sobre este massacre. Porque como ela própria explica o Sudão do Sul continua em guerra, vivendo-se ali um clima de insegurança crescente.

“O Sudão do Sul continua em guerra. E nestes dias houve um massacre de quase 200 pessoas, que foram mortas inocentes. Mulheres, mães e filhos… Os rebeldes entraram e dispararam…”, refere a religiosa.

Para a Igreja este ataque tratou-se de um massacre. Num comunicado divulgado pela Conferência Episcopal do Sudão e do Sudão do Sul, os bispos classificam o ataque como um crime “hediondo e sem sentido” e afirmam que “não há qualquer justificação para o assassinato de civis inocentes” e que tais atos são uma “ofensa contra Deus”.

Nessa declaração, os prelados afirmam ainda que receberam “relatos angustiantes de ataques brutais” e condenam a cultura da vingança e violência que está a crescer no país.

Toda esta violência ocorre no meio da crescente instabilidade política no Sudão do Sul, que remonta a 2018, quando se deu o rompimento do acordo de paz assinado entre o presidente Salva Kiir e o seu então vice-presidente Riek Machar. A situação é tão grave que o Alto Comissário para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Volker Türk, alertou, em 27 de fevereiro, que o país se encontra num “ponto perigoso”, em que há o risco de regresso pleno aos tempos da guerra civil.

“É tudo uma questão de poder”

A Irmã Beta Almendra refere que estes conflitos no Sudão do Sul são “uma questão de poder”. Quando uma tribo quer fazer prevalecer o seu poder e território iniciam os conflitos e com eles as revoltas e as vinganças, assinala a religiosa.

“E porquê estas guerras? Porquê estes conflitos? É tudo uma questão de poder. O poder atrai muita gente e atrai também o mal. Há uma tribo que quer prevalecer sobre a outra, sobre o território e, claro, depois vêm estas revoltas, estas vinganças”, salienta a irmã Beta Almendra.

A Fundação AIS informa que, a somar a tudo isto, existe o facto do Sudão do Sul ser um país pobre no qual as populações têm dificuldade em sobreviver. Uma situação que ajuda ao sentimento de revolta. A irmã Beta Almendra revela que “há uma crise enorme de necessidades básicas” e “os salários não são pagos há mais de dois anos”.

A religiosa comboniana pede a oração de todos, para que naquela comunidade possam ser um ponto de esperança e de apoio, pois têm recebido muita gente que tenta escapar à violência.

“Peço, com grande carinho, com grande amor, que rezem por esta gente. Nós aqui, em Wau, ainda estamos um bocadinho longe destes conflitos, mas temos recebido muita gente que tenta escapar, recebemos muitos, muitos deslocados, pessoas que não têm nada… Não há grande esperança para esta gente. Rezemos para que possamos ser um ponto de esperança, um ponto de apoio, um ponto de carinho”, declara.

Projetos de apoio da Fundação AIS

O Sudão do Sul é um país prioritário para a Fundação AIS, não só ao nível dos projetos de ajuda de emergência que são desenvolvidos, nomeadamente de apoio a refugiados, mas também de auxílio à sobrevivência de padres e religiosas, na tradução para línguas locais de material catequético, de que se destaca a “Bíblia das Crianças”.

A situação no Sudão do Sul é grave, só por si, mas o país tem também acolhido milhares de pessoas em fuga do vizinho Sudão, um país dilacerado pela guerra desde há vários anos. E a Fundação AIS tem estado também profundamente preocupada com a situação dos que atravessam a fronteira, fugindo dos combates e que estão sem nada. Em 2024, a AIS lançou, em Portugal, uma campanha para auxílio à Diocese de Malakal que acolhe cerca de 500 famílias de refugiados.

Oiça

Laudetur Iesus Christus

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22 março 2026, 09:21