Moçambique - Bispos repudiam ataques contra cristãos no país
Dulce Araújo - Vatican News
Numa Nota assinada por Dom Inácio Saure, Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), no dia 13 de maio de 2026, os Bispos moçambicanos manifestam profunda solidariedade à Diocese de Pemba no conjunto e a todos os fiéis cristãos que continuam a sofrer as dolorosas consequências da violência e dos ataques dirigidos contra pessoas, comunidades e lugares de culto.
Uma ferida contra a humanidade
Os Bispos afirmam ter recebido com profunda tristeza as notícias de profanações, destruições e atentados contra igrejas cristãs e símbolos religiosos. Atos que ferem a consciência moral de toda a nação e os valores ancestrais do povo moçambicano. “Uma Igreja destruída é uma ferida aberta no coração do povo: um templo profanado é um atentado contra a dignidade humana e contra o direito fundamental à liberdade religiosa” - escrevem na Nota.
A CEM enaltece a convivência pacífica entre povos, culturas e religiões que sempre caracterizou Moçambique, e recordam que a sabedoria africana ensina que “A aldeia permanece de pé quando os seus filhos caminham juntos”. Por isso - continuam - “rejeitamos firmemente toda a tentativa de semear divisão, ódio e desconfiança entre irmãs da mesma pátria.”
Condenação de todas as formas de extremismo e manipulação das populações
Além disso, condenam com veemência todas as formas de extremismo violento e de manipulação das populações, especialmente jovens e crianças em nome de interesses religiosos, económicos, de poder e exploração das riquezas naturais. Nada disso vale mais que a vida humana, nem pode justificar os deslocamentos de pessoas, morte de inocentes, a destruição de comunidades e a profanação de espaços sagradas - sublinham.
Os prelados de Moçambique recordam ainda que a instrumentalização da religião para justificar a violência está em contradição com os valores de fé cristã, da fé islâmica e das religiões tradicionais africanas, que sempre procuraram promover o respeito pela vida, pela hospitalidade e pela fraternidade. Atacar lugares de culto fere gravemente a humanidade - escrevem, convidando a evitar todos os atos de intolerância que podem alimentar suspeitas mútuas entre comunidades religiosas que sempre viveram juntas, em Moçambique, de forma pacífica e em diálogo.
Não se desanimem
Os Bispos encorajam, por isso, os cristãos de Pemba a não se desanimarem, mas a perseverarem na fé, não obstante os sofrimentos; reafirmam a sua proximidade, apoio espiritual, solidariedade humana e material para com todas as vítimas da violência em Cabo Delgado, recordando que a última palavra pertence sempre à esperança, à reconciliação e à vida.
Pôr fim imediato à intolerância religiosa
Ao Governo, a CEM recorda o dever fundamental de garantir a dignidade humana, a segurança e o bem-estar de todos, protegendo a vida e o património nacional, aspetos que estão a ser gravemente postos em causa em Cabo Delgado e que correm o risco de se alastrar por todo o país. Propõem que as autoridades competentes “tomem uma decisão corajosa para pôr o fim imediato à intolerância religiosa” e exortam “todas as comunidades religiosas, autoridades civis, organizações da sociedade e pessoas de boa vontade a permanecerem unidas na promoção da paz, do diálogo, da justiça social e da reconciliação nacional.”
Orar pela paz
Por fim, os Bispos de Moçambique convidam todos os fiéis a intensificarem orações pela paz em Cabo Delgado e em todo o país.
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