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Dom Inácio Saure - Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique - CEM Dom Inácio Saure - Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique - CEM  (©Cremildo Alexandre, Rádio Encontro (Nampula, Moçambique))

Moçambique - Bispos repudiam ataques contra cristãos no país

A CEM repudia a violência em Cabo Delgado, manifesta solidariedade espiritual e humana à Diocese de Pemba, recorda ao Governo o dever de garantir a segurança e bem-estar à população e exorta as autoridades a tomarem uma decisão corajosa para pôr o fim imediato à intolerância religiosa. Aos fiéis convidam à oração e unidade na promoção da paz, do diálogo, da justiça e da reconciliação nacional, num país, Moçambique, onde povos de diferentes culturas e religiões sempre conviveram pacificamente.

Dulce Araújo - Vatican News

Numa Nota assinada por Dom Inácio Saure, Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), no dia 13 de maio de 2026, os Bispos moçambicanos manifestam profunda solidariedade à Diocese de Pemba no conjunto e a todos os fiéis cristãos que continuam a sofrer as dolorosas consequências da violência e dos ataques dirigidos contra pessoas, comunidades e lugares de culto.

Uma ferida contra a humanidade

Os Bispos afirmam ter recebido com profunda tristeza as notícias de profanações, destruições e atentados contra igrejas cristãs e símbolos religiosos. Atos que ferem a consciência moral de toda a nação e os valores ancestrais do povo moçambicano. “Uma Igreja destruída é uma ferida aberta no coração do povo: um templo profanado é um atentado contra a dignidade humana e contra o direito fundamental à liberdade religiosa” - escrevem na Nota.

A CEM enaltece a convivência pacífica entre povos, culturas e religiões que sempre caracterizou Moçambique, e recordam que a sabedoria africana ensina que “A aldeia permanece de pé quando os seus filhos caminham juntos”. Por isso - continuam - “rejeitamos firmemente toda a tentativa de semear divisão, ódio e desconfiança entre irmãs da mesma pátria.”

Condenação de todas as formas de extremismo e manipulação das populações

Além disso, condenam com veemência todas as formas de extremismo violento e de manipulação das populações, especialmente jovens e crianças em nome de interesses religiosos, económicos, de poder e exploração das riquezas naturais. Nada disso vale mais que a vida humana, nem pode justificar os deslocamentos de pessoas, morte de inocentes, a destruição de comunidades e a profanação de espaços sagradas - sublinham.

Os prelados de Moçambique recordam ainda que a instrumentalização da religião para justificar a violência está em contradição com os valores de fé cristã, da fé islâmica e das religiões tradicionais africanas, que sempre procuraram promover o respeito pela vida, pela hospitalidade e pela fraternidade. Atacar lugares de culto fere gravemente a humanidade - escrevem, convidando a evitar todos os atos de intolerância que podem alimentar suspeitas mútuas entre comunidades religiosas que sempre viveram juntas, em Moçambique, de forma pacífica e em diálogo.

Não se desanimem

Os Bispos encorajam, por isso, os cristãos de Pemba a não se desanimarem, mas a perseverarem na fé, não obstante os sofrimentos; reafirmam a sua proximidade, apoio espiritual, solidariedade humana e material para com todas as vítimas da violência em Cabo Delgado, recordando que a última palavra pertence sempre à esperança, à reconciliação e à vida.

Pôr fim imediato à intolerância religiosa

Ao Governo, a CEM recorda o dever fundamental de garantir a dignidade humana, a segurança e o bem-estar de todos, protegendo a vida e o património nacional, aspetos que estão a ser gravemente postos em causa em Cabo Delgado e que correm o risco de se alastrar por todo o país. Propõem que as autoridades competentes “tomem uma decisão corajosa para pôr o fim imediato à intolerância religiosa” e exortam “todas as comunidades religiosas, autoridades civis, organizações da sociedade e pessoas de boa vontade a permanecerem unidas na promoção da paz, do diálogo, da justiça social e da reconciliação nacional.”

Orar pela paz 

Por fim, os Bispos de Moçambique convidam todos os fiéis a intensificarem orações pela paz em Cabo Delgado e em todo o país.

Oiça

 

 

 

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17 maio 2026, 11:06