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(Foto de arquivo) (Foto de arquivo)  (AFP or licensors)

Índia, terra de mártires: ordenação de um bispo e quatro sacerdotes em Odisha

Os quatro sacerdotes, na sua infância, presenciaram aos ataques contra suas famílias e comunidades, durante a onda de violência que assolou Kandhamal, entre 2007 e 2008. Alguns perderam pais, parentes e as própria casas, enquanto outros foram obrigados a fugir para a floresta, sobrevivendo com medo, fome, deslocamento e incertezas. "A perseguição tentou calar o cristianismo, no entanto, suscitou novos pastores, que hoje testemunham e pregam o perdão e a paz".

A comunidade católica do Estado indiano de Odisha, no leste da Índia, acolhe um novo bispo auxiliar e quatro sacerdotes, que marca um aumento extraordinário de vocações em uma região profundamente marcada pela violência contra os cristãos. De fato, Odisha, no distrito de Kandhamal, foi palco de massacres que tiveram como alvo fiéis de diversas denominações cristãs.

Em 2023, a pedido dos bispos indianos, a Santa Sé concedeu o 'Nihil obstat' ao processo de beatificação de Kanteshwar Digal e seus companheiros, chamados 35 mártires de Kandhamal, assassinados por ódio à fé, no Estado de Odisha, em 2008.

Agora, naquela terra surge um poderoso testemunho de fé: cerca de 3.000 fiéis, mais de 140 sacerdotes e religiosas, participaram no último dia 28 de janeiro, na Paróquia de São José, em Godapur, Arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar, da solene Eucaristia de ordenação sacerdotal de quatro novos sacerdotes: Sugrib Baliarsingh, George Badseth e dois franciscanos conventuais, frei Saraj Nayak e Frei Madan Baliarsingh.

A Santa Missa foi presidida pelo novo bispo auxiliar de Cuttack-Bhubaneswar, dom Rabindra Ranasingh, natural de Kandhamal, que, em sua homilia destacou que "somos escolhidos por Deus para participar da tríplice missão de Cristo: santificar, ou seja, missão sacerdotal; ensinar, missão profética, e governar, missão pastoral real". A seguir, dirigindo-se aos novos sacerdotes, o bispo afirmou: "Vocês são a presença e a ação de Cristo, que os escolheu para servir seu povo, embora isso puder custar a vida".

Os quatro sacerdotes, na sua infância, presenciaram aos ataques contra suas famílias e comunidades, durante a onda de violência que assolou Kandhamal, entre 2007 e 2008. Alguns perderam pais, parentes e as própria casas, enquanto outros foram obrigados a fugir para a floresta, sobrevivendo com medo, fome, deslocamento e incertezas, sobre os quais padre Sugrib Baliarsingh foi testemunha: "Vi o ódio destruir vidas, mas também senti o perdão e a coragem e isso me levou até ao sacerdócio".

Por sua vez, o padre Pradosh Chandra Nayak, vigário geral da Arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar, recordou: "A perseguição tentou calar o cristianismo, no entanto, suscitou novos pastores, que hoje testemunham e pregam o perdão e a paz".

Ordenação episcopal

 

Os fiéis locais também expressaram sua alegria e esperança pela recente ordenação episcopal, no último dia 17 de janeiro, de dom Rabindra Kumar Ranasingh, bispo auxiliar da Arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar. Sua nomeação reveste-se de um profundo significado para uma comunidade, que sofreu ataques de violência, que causaram a morte de centenas de cristãos, 60.000 deslocados, milhares de casas e centenas de igrejas queimadas, profanadas ou destruídas. A Paróquia de Bamunigam, à qual pertencia o padre Kumar Ranasingh, foi a primeira a ser atacada.

Enfim, o padre Ajay Singh, sacerdote e advogado local, que acompanha os processos judiciais, ainda em andamento, observa: "Após quinze anos, muitas feridas permanecem abertas em nível humano; infelizmente, a justiça não foi feita; os meios de subsistência ainda não foram totalmente restabelecidos e o tecido social precisa de uma plena reconciliação".

Para os cristãos de Kandhamal, a ordenação episcopal de dom Rabindra Kumar Ranasingh demonstra ser “uma prova de que a fé venceu, a esperança está viva e a caridade de Cristo floresce no deserto, em meio ao sofrimento".

*Agência Fides

 

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02 fevereiro 2026, 13:05