Sacerdotes da Amazônia: a experiência da sinodalidade no retiro anual do clero
Vatican News
De 26 a 30 de janeiro de 2026 realizou-se na cidade de Coari, às margens do rio Amazonas, o retiro anual do clero das dioceses de Coari, Alto Solimões e da prelazia de Tefé, que este ano teve como tema: “REZANDO O CAMINHO SINODAL COM AS PALAVRAS DOS PAPAS FRANCISCO E LEÃO XIV”. Cerca de quarenta sacerdotes e três bispos participaram dessa que foi uma verdadeira experiência de sinodalidade, vivida na meditação pessoal orante e na partilha em grupos, seguindo o método da conversação no Espírito.
A ideia do tema surgiu durante o encontro dos bispos dos nove países da região panamazônica, realizado em Bogotá em agosto de 2025, por iniciativa da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), cujo tema foi a Sinodalidade. Naquele encontro o bispo da diocese de Coari, dom Marcos Piatek C. Ss. R., em seu nome e no nome dos bispos de Tefé e do Alto Solimões, fez o convite ao padre Adelson Araújo dos Santos SJ, da equipe de teólogos assessores da CEAMA, para que orientasse o retiro sobre o tema do caminho sinodal, proporcionando ao clero dessas três igrejas particulares localizadas às margens do Rio Solimões (Amazonas), de rezarem e refletirem juntos sobre o atual momento vivido pela Igreja.
Comentando sobre a experiência do retiro, o padre Adelson recordou que o sínodo não se encerrou com a realização da assembleia de 2023-2024, mas continua na sua fase de atuação, à qual todas as igrejas particulares estão chamadas a se comprometer. Neste sentido, as dioceses e prelazia estão de parabéns pela iniciativa de reunir o clero dessas três igrejas para vivenciarem juntos o retiro anual do clero, rezando sobre os passos espirituais do caminho sinodal.
Para o pregador do retiro, que é nascido na Amazônia e atualmente leciona e reside na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, foi motivo de muita consolação poder testemunhar essa experiência bem concreta de sinodalidade e trazer aos participantes uma reflexão baseada na palavra de Deus e no magistério dos Papas Francisco e Leão XIV. Por outro lado, segundo as palavras de dom Altevir da Silva C.S.Sp., bispo da prelazia de Tefé, o retiro iniciou com uma introdução que o descrevia como uma oportunidade privilegiada de encontro com Deus, “um tempo de voltar a beber na fonte”, sendo importante evitar dois riscos espirituais: entrar no retiro acreditando que já está tudo bem, sem necessidade de mudança, ou iniciar desanimado pelas próprias fragilidades, esquecendo de confiar plenamente em Deus. Para dom Altevir, foi importante poder oferecer ao clero por meio do retiro momentos de oração pessoal, grupos de partilha, celebração em comum, etc. um tempo forte de espiritualidade, mas também de formação permanente, ambas tão necessárias em nossa vida missionária na Amazônia.
Por sua vez, para o padre Elcivan Alencar, pároco da Paróquia Cristo Libertador, na cidade de Manacapuru/AM, Diocese de Coari o retiro anual do clero das três dioceses, não obstante as distâncias, se caracterizou como uma experiência eminentemente sinodal: “O tema ‘Rezando o caminho sinodal com as palavras dos Papas Francisco e Leão XIV’ nos ajudou a transformar em oração a experiência de sinodalidade feito pelas igrejas particulares nos últimos anos. Nesse sentido, o retiro para mim foi um convite pessoal e eclesial a estar com o Senhor (encontrá-lo), para melhor escutar seus apelos, e discernir sua vontade, enquanto membro do presbitério a serviço da Igreja na Amazônia. Juntos renovamos a corresponsabilidade uns pelos outros e, consequentemente, pela missão que temos em comum”.
De fato, foram lembradas ao longo de todo o retiro os ensinamentos dos Papas Francisco e do Papa Leão XIV, sobre a importância de que sejamos verdadeiramente uma Igreja sinodal e o que isso significa. Do Santo Padre Francisco, por exemplo, foram lembradas as palavras da sua homilia na missa inaugural do Sínodo, realizada na Basílica de São Pedro, 10 de outubro de 2021, quando afirmou que “fazer o Sínodo significa caminhar na mesma estrada, caminhar juntos. Encontrar, escutar, discernir”, pois “o Sínodo é um caminho de discernimento espiritual, de discernimento eclesial”. E do atual sucessor de Pedro, Papa Leão XIV, se recordou que poucas horas depois de ter sido eleito pelos seus irmãos cardeais como o novo bispo de Roma e guia de todos os católicos no mundo, o novo Papa fez questão de retomar o tema da sinodalidade dizendo no seu primeiro discurso aos milhares de peregrinos na Praça São Pedro, no dia 8 de maio de 2025: “A todos vocês, irmãos e irmãs de Roma, da Itália, do mundo inteiro: queremos ser uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminha, uma Igreja que busca sempre a paz, que busca sempre a caridade, que busca sempre estar perto, especialmente daqueles que sofrem”.
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