Busca

As lágrimas de voluntárias em um complexo de um abrigo de animais atingido por um ataque de drone russo durante a noite em Zaporizhzhia, Ucrânia, em 6 de fevereiro de 2026. REUTERS/Stringer As lágrimas de voluntárias em um complexo de um abrigo de animais atingido por um ataque de drone russo durante a noite em Zaporizhzhia, Ucrânia, em 6 de fevereiro de 2026. REUTERS/Stringer 

Apelo de bispo ucraniano: não se esqueçam da Ucrânia

O testemunho do bispo auxiliar, dom Jan Sobilo, após o mais recente bombardeio na região da usina nuclear ucraniana em Zaporizhzhia: as sirenes de alarme tocam constantemente e muitos já não descem para os abrigos, é impossível fazê-lo todas as vezes, senão teríamos que viver permanentemente no subsolo.

Svitlana Dukhovych – Cidade do Vaticano

Na noite entre 5 e 6 de fevereiro, e nas primeiras horas da manhã, o exército russo lançou novamente um ataque massivo contra várias localidades na Ucrânia. Entre as regiões mais atingidas está a de Zaporizhzhia. Muitas casas foram danificadas e novas vítimas civis foram relatadas: um casal, um homem de 49 anos e uma mulher de 48 anos, enquanto um menino de 14 anos e outro homem ficaram feridos.

Sobre a situação após mais este ataque, o bispo auxiliar da Diocese Latina de Kharkiv-Zaporíjia, dom Jan Sobilo, falou à mídia do Vaticano, descrvendo o cotidiano de uma cidade que continua a resistir a sirenes que alertam para ataques, frio e à falta de eletricidade e aquecimento.

"Esta manhã, às oito horas, celebramos a Santa Missa - disse ele - Também estiveram presentes convidados da Itália: o diretor das Pontifícias Obras Missionárias (POM) na Ucrânia, Pe. Luca Bovio, IMC, e seus colaboradores. Durante a celebração, ouviram-se fortes explosões: era um bombardeio. Também vi um drone ser abatido: voou como uma bola de fogo, caiu e continuou queimando. Foi uma manhã muito violenta.”

"Apesar de tudo - observa o bispo - as pessoas continuam a rezar. Agora, as pessoas rezam com meditação. É triste dizer, mas nos acostumamos à guerra. As sirenes de alarme soam continuamente, dia e noite. Muitos já não descem para os abrigos, porque é impossível fazê-lo sempre. Ou teriam que viver constantemente no subsolo. Então, as pessoas tentam sobreviver da melhor maneira possível.”

A energia não é suficiente para todos

 

Um dos problemas mais graves continua sendo a falta de eletricidade. “Os apagões - explica ele - são frequentes. Alguns bairros hoje não têm eletricidade, outros têm. Em Zaporizhzhia, apagões totais são raros, mas interrupções localizadas são regulares, porque não há energia suficiente para todos.”

A situação do aquecimento depende muito do tipo de prédio: "Quem tem gás, como nós, consegue se manter aquecido. Mas em muitos prédios modernos, tudo funciona com eletricidade. Quando a energia acaba, não há aquecimento, as bombas não funcionam, nem mesmo a água. Algumas pessoas se aquecem em seus carros: à noite, sentam no carro, se aquecem um pouco, depois voltam para casa e dormem vestidas para conservar o calor." Essa situação não dis respeito somente a Zaporizhzhia, mas também a outras cidades, como Kiev e Dnipro.

Solidariedade do Papa e das paróquias

 

Neste contexto difícil, as paróquias estão se tornando um ponto de referência essencial. "As pessoas", diz dom Sobilo, "continuam vindo à Missa. Na co-catedral, no Santuário de Deus Pai Misericordioso, os Frades Franciscanos Albertinos distribuem pão quatro vezes por semana. A cada distribuição, cerca de 1.500 pessoas comparecem, e aos sábados, até 2.000. Elas recebem pão e geleias." No entanto, os recursos estão diminuindo. "A situação é muito complexa. A ajuda está cada vez mais escassa, viajar é mais difícil e nem todos os transportadores concordam em nos trazer ajuda. Mas os frades continuam a fazer pão, alguns doam geleias e algumas organizações ajudam. E assim seguimos em frente."

Depois do Natal, chegou também um carregamento especial: "Chegou um caminhão com ajuda do cardeal Konrad Krajewski. Trouxeram massa instantânea. É boa, um pouco picante, e as pessoas realmente apreciam porque as aquece quando está frio. Até os soldados na frente de batalha pedem: de vez em quando vêm buscar porque é leve e fácil de transportar. Dizem que salva suas vidas".

Para a Igreja local, apoiar os militares é uma prioridade. "Ajudar nossos soldados é essencial. Se eles não nos defenderem, qualquer outra ajuda é inútil. Os ocupantes viriam e levariam tudo. É por isso que rezamos por eles e os apoiamos de todas as maneiras possíveis: eles estão defendendo nosso país."

Guerra, um fardo enorme

 

A situação militar permanece muito tensa. "Até este inverno, estava um pouco mais calma", explica dom Sobilo. "Estávamos convencidos de que nosso exército manteria o agressor longe da cidade." Agora vemos os russos avançando em direção a Zaporizhzhia, o front está cedendo, nossos homens estão em grande dificuldade."

Nessas circunstâncias, o frio não ajuda: "Eles estão bombardeando a cidade, o sistema de energia, tudo que nos dá luz e calor. Os civis estão sofrendo, assim como os soldados. O exército russo está aproveitando o inverno para avançar. O rio Dniepre está congelado e grupos de sabotagem e reconhecimento estão passando sobre o gelo.

"Obrigado por não se esquecerem de nós."

 

O fardo humano da guerra também é enorme. "Há pessoas que disseram: 'Nunca sairei daqui'. Agora -  observa o prelado - eu as vejo arrumando as malas e partindo com suas famílias. As crianças não aguentam mais: drones voam dia e noite, sendo abatidos. É um enorme fardo emocional, especialmente para os mais jovens."

O bispo auxiliar de Kharkiv-Zaporizhzhia exorta aqueles que podem, a ajudar como puderem, enfatizando que as pessoas em sua diocese perderam tudo. "Sem eletricidade e água, as empresas não podem funcionar, e as necessidades são enormes." Dirigindo-se aos leitores e ouvintes da mídia do Vaticano, o bispo auxiliar de Kharkiv-Zaporizhia expressa sua gratidão pela solidariedade:

Em primeiro lugar, agradecemos ao Santo Padre por sua proximidade, por suas palavras de apoio e pela ajuda que nos envia por meio do cardeal Krajewski. Continuemos a rezar. Agradeço também à mídia por noticiar a guerra, porque às vezes parece que o mundo não vê a brutalidade do que estamos vivenciando. Peço a vocês: não se esqueçam da Ucrânia. A lembrança e o apoio de corações humanos aquecem nossos corações.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

06 fevereiro 2026, 16:34