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2026.03.17 Messa di Pasqua in Piazza San Pietro celebrata da Papa Francesco nel 2019

“Somos pessoas de primavera”, o apelo dos Papas à esperança além das guerras e crises

Neste início da primavera no Hemisfério Norte, destacamos algumas reflexões dos Pontífices que nos exortam, apesar dos dramas e conflitos, a olhar para o futuro com confiança

Amedeo Lomonaco - Vatican News

Ainda vivemos em tempos marcados pelos horrores da guerra, por incertezas profundas que dilaceram várias regiões do mundo, entre as quais o Oriente Médio e a Europa Oriental. Mesmo assim, neste dramático momento histórico, a família humana conserva a esperança no futuro, a espera ansiosa por um novo dia. Depois do inverno, com seus dias frios e escuros, o olhar dos homens e das mulheres de boa vontade confia em uma nova e luminosa estação da história. Apesar do gelo que fez murchar e morrer inúmeros brotos de vida, este é um tempo em que a natureza se prepara para florescer novamente: no hemisfério norte inicia a primavera, a primeira das quatro estações do ano. A esperança é que, após o inverno, a paz possa germinar, desarmando linguagens obscurecidas pelo ódio.

Os Papas, o cristianismo e a primavera

Os Pontífices referiram-se diversas vezes à primavera, conferindo a este tempo "cores" que envolvem, em particular, as sementes da fé e da reconciliação. “O cristianesimo — afirma o Papa João XXIII na radiomensagem de 28 de março de 1959 — não é aquele complexo de fatores opressores, do qual fantasia quem não tem fé: mas é paz, é alegria, é amor, é vida que sempre se renova, como o pulsar secreto da natureza no início da primavera”. “O cristianismo — ressalta também Paulo VI durante a Audiência Geral de 2 de julho de 1969 — é como uma árvore, sempre em primavera, a caminho de novas flores, novos frutos; é uma concepção dinâmica, é uma vitalidade inesgotável, é uma beleza”.

Pio XII: a primavera é um tempo de renovação

Um “tempo de renovação, de confiante espera e de esperança”. São as três palavras unidas pelo Papa Pio XII dedicadas à primavera. No discurso aos jovens da Ação Católica, em 19 de março de 1958, o Pontífice exorta as novas gerações a vislumbrar, após as trevas do segundo conflito mundial, lampejos de esperança “mesmo em meio a tantas tristezas e misérias”.

Pio XII: na primavera, tudo no mundo é despertar

Na primavera, a terra desperta, a seiva ascende, os brotos se abrem, as folhas voltam às árvores; as cercas vivas renascem, os prados se revestem de verde e os campos exultam nas árvores em flor. Os céus se tornam límpidos; os dias ficam mais longos, as noites mais curtas; há mais luz do que trevas. Sem dúvida, há frequentemente nuvens no céu e, sobre a terra, os aguaceiros das tempestades; mas os homens repovoam os campos e demoram-se mais facilmente pelas ruas: a festa da natureza torna-se festa dos corações, porque a primavera é tempo de renovação, tempo de confiante espera, tempo de esperança. Olhai, diletos filhos: tudo no mundo é despertar. A vida material, mesmo em meio a tantas tristezas e misérias, move-se sempre em direção a um bem-estar maior e mais difundido.

João Paulo II: a primavera da vida é a juventude

A juventude é a estação da vida que se pode associar à primavera. O Papa João Paulo II indica este binômio durante a visita à paróquia romana de São Judas Tadeu, em 6 de abril de 1997. O Pontífice polonês, na ocasião, agradeceu aos jovens “pela promessa de orações pela viagem a Sarajevo”, uma cidade marcada por “muitos sofrimentos e tragédias”. Uma terra que foi visitada pelo Papa Wojtyła durante aquela mesma primavera.

João Paulo II: a Páscoa coincide com a primavera

Quando se pensa na juventude, vem à mente a primavera. A primavera é o tempo em que a natureza ressurge após a “morte” do inverno. Todos os anos, a solenidade da Páscoa, que nos recorda a ressurreição de Cristo, coincide com a primavera. Ele, com sua ressurreição, manifestou que a morte não tem poder absoluto e definitivo. Ele venceu a morte e manifestou a vida. A primavera da vida humana coincide com a juventude. Vejo aqui jovens, e também alguns menos jovens de idade, alguns até de 70 ou 80 anos. Parabenizo vocês por este desejo de serem sempre jovens, de quererem retornar à primavera da vida, à juventude.

Bento XVI e a primavera da humanidade

Usando uma metáfora que se entrelaça com as dinâmicas da primavera, o Papa Bento XVI, na mensagem Urbi et Orbi para a Páscoa de 2011, recorda que “uma luz diferente” fendeu “as trevas da morte e trouxe ao mundo o esplendor de Deus”.

Bento XVI e os raios de sol na primavera

Tal como os raios do sol, na primavera, fazem brotar e desabrochar os rebentos nos ramos das árvores, assim também a irradiação que dimana da Ressurreição de Cristo dá força e significado a cada esperança humana, a cada expectativa, desejo, projeto. Por isso, hoje, o universo inteiro se alegra, implicado na primavera da humanidade, que se faz intérprete do tácito hino de louvor da criação. O aleluia pascal, que ressoa na Igreja peregrina no mundo, exprime a exultação silenciosa do universo e sobretudo o anseio de cada alma humana aberta sinceramente a Deus, mais ainda, agradecida pela sua infinita bondade, beleza e verdade.

Francisco: somos pessoas que esperam o sol

Para os cristãos, no horizonte do homem, “há um sol que ilumina para sempre”. O Papa Francisco, na Audiência Geral de 23 de agosto de 2017, une essa perspectiva sem limites a uma pergunta.

Francisco: somos pessoas mais de primavera do que outono

Cremos que no horizonte do homem existe um sol que ilumina para sempre. Acreditamos que os nossos dias mais bonitos ainda devem chegar. Somos pessoas mais de primavera do que de outono. Gostaria de perguntar agora — cada qual responda no seu coração, em silêncio, mas responda — “Sou um homem, uma mulher, um jovem, uma jovem de primavera ou de outono? A minha alma está na primavera ou no outono?”. Cada um responda a si mesmo. Vislumbramos os rebentos de um mundo novo, em vez de folhas amareladas nos ramos. Não nos embalemos em nostalgias, arrependimentos e lamentações: sabemos que Deus nos quer herdeiros de uma promessa e incansáveis cultivadores de sonhos. Não vos esqueçais daquela pergunta: “Sou uma pessoa de primavera ou de outono?”. De primavera, que espera a flor, que aguarda o fruto, que se põe à espera do sol que é Jesus, ou de outono, sempre cabisbaixo, amargurado e, como às vezes eu disse, com a cara de pimenta avinagrada.

Leão XIV e as cores da primavera

Retornamos a estes dias frágeis que marcam, entre angústias e dores, o complexo tabuleiro geopolítico do mundo. São delicados como um fio de grama, mas podem, de qualquer modo — mesmo quando tudo parece silenciar —, recobrir campos, inclusive os do agir humano, capazes de se renovar. As fragilidades, mesmo aquelas que atrapalham o caminho do homem na história, não podem obscurecer a beleza, a maravilha. O Papa Leão XIV, durante a Santa Missa em Tor Vergata em 3 de agosto de 2025, destaca que, mesmo durante os meses frios, há uma energia que “vibra sob a terra”.

Leão XIV: o campo vive renovando-se

Pensemos no símbolo da erva: não é lindo um campo florido? Claro, é delicado, feito de caules finos, vulneráveis, sujeitos a secar, dobrar-se, partir-se, mas, ao mesmo tempo, imediatamente substituídos por outros que brotam depois deles e dos quais os primeiros se tornam generosamente alimento e adubo, ao desfazerem-se no solo. É assim que vive o campo, renovando-se continuamente e, mesmo durante os meses gelados do inverno, quando tudo parece silencioso, a sua energia vibra sob a terra e prepara-se para, na primavera, explodir em milhares de cores.

Esta energia, sublinha o Papa Leão, prepara-se para se mostrar na primavera. Esta força renovadora e regeneradora deve ser o tempo do homem que deseja viver em paz: um quadro policromático e coral onde resplandeça a linguagem “desarmada e desarmante” da fraternidade. Uma “primavera”, através do diálogo, para fazer florescer o homem, a criação e a paz.

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21 março 2026, 12:24