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Protesto para recordar o 46º aniversário do assassinato de São Oscar Arnulfo Romero, em San Salvador. Protesto para recordar o 46º aniversário do assassinato de São Oscar Arnulfo Romero, em San Salvador. 

Dia dos missionários mártires, padre Pizzoli: manter viva a esperança

O diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM) explica o verdadeiro significado atual do martírio, que não deve ser interpretado como um acontecimento distante ou excepcional, mas como uma realidade que ainda hoje atravessa a vida de muitas comunidades cristãs no mundo.

Francesco Ricupero e Lorenzo Grosso – Cidade do Vaticano

A memória dos missionários mártires, celebrada todos os anos em 24 de março, confirma-se como um momento de profunda reflexão para a Igreja universal. Não se trata apenas de uma recordação comemorativa, mas de um convite concreto a renovar o compromisso evangelizador em contextos frequentemente marcados pela violência, injustiça e perseguição. 

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Com o título “Povos de primavera”, celebra-se este ano o 34ª Dia dos Missionários Mártires, promovida pela Missio, organismo pastoral da Conferência Episcopal Italiana. 

A data recorda simbolicamente o sacrifício de tantos que, como o arcebispo de San Salvador, São Óscar Arnulfo Romero Galdámez, assassinado em 24 de março de 1980, deram a própria vida pelo Evangelho, testemunhando até o fim a fidelidade a Cristo e o serviço aos mais pobres.

Capazes de viver até o fim o Evangelho do amor
 

Ao olhar para esses testemunhos, a Igreja redescobre a sua identidade mais autêntica. Os missionários mártires não são heróis isolados, mas sinais vivos da vocação de cada cristão: ser testemunha de esperança mesmo nas contradições da história. 

Homem carrega imagem de São Oscar Romero
Homem carrega imagem de São Oscar Romero

Nesse contexto se inserem as palavras do padre Giuseppe Pizzoli, diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias, que explicou aos meios de comunicação do Vaticano o verdadeiro significado atual do martírio: não deve ser visto como algo distante ou excepcional, mas como uma realidade presente ainda hoje na vida de muitas comunidades cristãs no mundo. “Os missionários mártires, disse, são homens e mulheres enraizados na vida cotidiana, capazes de viver até o fim o Evangelho do amor”.

“Povos de primavera”
 

Mas o que significa ser “Povos de primavera”? Segundo o padre Pizzoli, “significa saber manter viva a esperança mesmo quando há situações que obscurecem o horizonte e nos impedem de olhar com confiança para o futuro. Os missionários são ‘pessoas de primavera’ exatamente por isso: porque, mesmo nas situações, nos ambientes e nas regiões onde é mais difícil pensar no futuro, marcadas pela pobreza, injustiça e guerra, conseguem manter viva a esperança”.

E acrescentou: “Nessas situações, os missionários mantêm viva a esperança, isto é, a capacidade de acreditar em um futuro melhor e o compromisso de construir diariamente as condições para que esse futuro possa se realizar”.

Sinais de paz e reconciliação
 

Padre Pizzoli chamou a atenção para o fato de que o testemunho missionário não se mede apenas pelo sacrifício extremo, mas também pela perseverança silenciosa de quem atua em contextos difíceis, compartilhando as dores e as esperanças das populações locais. Em muitos países, de fato, os missionários continuam sendo sinais de paz e reconciliação, muitas vezes pagando um preço altíssimo por sua presença junto aos mais pobres.

Particularmente significativa é a atenção que o sacerdote dá à relação entre missão e fraternidade. O mártir, explicou, é aquele que não abandona, que permanece ao lado do povo mesmo nos momentos mais difíceis. “É uma presença que fala de Deus sem necessidade de muitas palavras”.

Uma presença que, justamente em sua discrição, se torna um sinal eloquente de esperança. Em um tempo marcado por conflitos e divisões, o testemunho dos missionários mártires continua a indicar um caminho possível: o do amor que se doa sem reservas. Um caminho exigente, mas capaz de gerar vida mesmo nas situações mais sombrias. É essa a esperança que a Igreja renova a cada ano, confiando à memória desses testemunhos o desejo de um mundo mais justo e fraterno.

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25 março 2026, 11:41