Dom Manuel Linda, Bispo do Porto (Portugal) - foto Miguel Mesquita Dom Manuel Linda, Bispo do Porto (Portugal) - foto Miguel Mesquita  (© Miguel Mesquita)

Portugal: Porto avança para um Sínodo Diocesano

O bispo do Porto convocou toda a diocese para um “momento de graça e comunhão”. “Com alegria e esperança iniciamos este caminho sinodal”, escreve em Carta Pastoral D. Manuel Linda.

Rui Saraiva – Portugal

No passado Domingo de Pentecostes a diocese do Porto, em Portugal, entrou oficialmente em Sínodo.

“Não se trata de fazer programas mundanos, mas de invocar o vento do Espírito que renova a Igreja e alarga os horizontes do amor”, sublinhou o bispo do Porto, no domingo 24 de maio, na Missa da Solenidade de Pentecostes, dando início oficial ao Sínodo Diocesano do Porto com a leitura do Decreto de Convocação.

Oportunidade para acolher a graça de Deus

Destaque para a Carta Pastoral recentemente publicada, a propósito do Sínodo, na qual D. Manuel Linda escreve: “Mais do que um olhar para dentro, cuja preocupação seria organizar estruturas ou decidir sobre algumas regras, o Sínodo é uma oportunidade para acolhermos a graça inspiradora de Deus e mergulharmos na própria natureza da Igreja, entendida como um organismo vivo que caminha e se transforma”, escreve o bispo do Porto.

O primeiro passo para este Sínodo Diocesano, agora iniciado, foi dado na Peregrinação Jubilar Diocesana ao Santuário de Fátima em setembro de 2025. Na ocasião, D. Manuel Linda colheu de surpresa os mais de 60 mil peregrinos da diocese do Porto ao afirmar a possibilidade da realização de um Sínodo.

“Está na hora de convocar um Sínodo Diocesano”, disse o bispo do Porto na Missa no Santuário de Fátima. E declarou querer exercitar a escuta das pessoas e dos organismos nos meses seguintes.

“Mas gostava muito de, nos próximos meses, ter eco, receber o sentir das pessoas e organismos”, apelou D. Manuel Linda a propósito da organização de um Sínodo na diocese do Porto.

O bispo do Porto disse ainda nessa homilia em Fátima que “caminhar juntos” é a atitude para a diocese, com o objetivo de envolver todos em “percursos” que levem à “implementação de uma Igreja sinodal”.

“Juntos na escuta da Palavra de Deus e da vida, juntos na celebração da Eucaristia e dos Sacramentos, juntos no testemunho da caridade, juntos no desejo de anunciar Cristo e de O levar aos outros, juntos na comum responsabilidade da organização e dos serviços. Só assim é que podemos ouvir e discernir o que o Espírito nos tem a dizer e dar lugar a que todos se sintam escutados, envolvidos e responsabilizados”, apontou D. Manuel Linda.

Ser Porto: formar, reformar, transformar

Num primeiro exercício de comunicação, após a publicação da Carta Pastoral que orienta o Sínodo Diocesano do Porto, D. Joaquim Dionísio, bispo auxiliar do Porto, revela o essencial do caminho percorrido até ao momento. Em entrevista ao jornal Voz Portucalense, semanário daquela diocese, o coordenador geral do Sínodo Diocesano do Porto explica o lema da diocese para este processo sinodal.

“O lema foi escolhido depois de termos ouvido muitos protagonistas. E a verdade é que a formulação pretende ser já um programa. Ou seja, tentarmos crescer e evoluir, no sentido de, enquanto diocese, de acordo com aquilo que fomos ouvindo, promover uma maior formação de todos, quem somos, e sobretudo, também, olhando para aquele a quem queremos seguir: Jesus Cristo, a quem temos que conhecer melhor. E de maneira que o “formar” vai no sentido de, em conjunto, encontrarmos respostas para aumentar não apenas o que sabemos, e não é um saber apenas intelectual, mas o ser cristão e o ser capaz de dar respostas. Um pouco no seguimento daquilo que São Pedro dizia na sua carta: ‘Estai sempre prontos a dar razões da vossa esperança’. Então propomos isso. Propomos também esse “reformar” no sentido de agilizar estruturas, ver quais são as melhores maneiras de estar no terreno, ocupar o território, atendendo à mobilidade das pessoas, mas depois olhar também para as nossas estruturas e ver o que podemos fazer para agilizar e estar com capacidade para. E depois o “transformar” é a grande meta, porque é a conversão pastoral que desejamos. Portanto, aumentar esta consciência de que somos discípulos missionários, e capacitarmo-nos todos para darmos respostas àquilo que o mundo espera de nós”, assinala D. Joaquim Dionísio.

Divulgação, preparação, motivação

Nesta entrevista, o coordenador geral do Sínodo Diocesano do Porto indica quais foram os passos percorridos na fase preparatória.

“Não cometo nenhuma inconfidência se disser que D. Manuel Linda colheu a diocese de surpresa quando, no dia 20 de setembro de 2025, em Fátima, anunciou a possibilidade de um sínodo. Depois durante alguns meses, decorreram aqueles encontros habituais com o Conselho Presbiteral, o Conselho Pastoral, o Conselho Episcopal, reuniões de vigários, reuniões de secretariados e, portanto, muitos que responderam individualmente. E o sentimento foi unânime. O Porto estava preparado. E desde 1710 que isso não acontecia. Portanto, há mais de 300 anos que não há um sínodo diocesano. De maneira que, após este anúncio e depois destes encontros, foi organizada uma comissão preparatória que começou a desenvolver algum trabalho e de maneira que esta preparação, esta divulgação está ainda a decorrer, embora haja já muito que esteja feito, como a oração, o hino, o Regulamento Geral, a Carta Pastoral... As pessoas tenham sido já convidadas para assumirem determinadas responsabilidades. Eu penso que esta fase de divulgação, preparação, motivação vai continuar, penso eu, até quase finais deste ano, porque vamos ter encontros vicariais de formação e de informação. Vamos sobretudo convidar as pessoas a rezarem por este evento de Graça que é o Sínodo. E de maneira que esta fase preparatória decorreu já de uma forma muito sinodal, colhendo opiniões, auscultando pessoas, convidando... De maneira que está a decorrer, e penso que bem”, refere o bispo auxiliar do Porto.

A palavra, o diálogo, a escuta

Na Carta Pastoral dedicada a este Sínodo Diocesano é afirmada a necessidade de exercitar uma escuta ativa do Espírito. D. Joaquim Dionísio revela como vai ser a dinamização desse trabalho.

“Depois desta fase dita mais de divulgação, de preparação, vamos entrar numa outra fase dita de auscultação. Ou seja, no primeiro semestre de 2027, as equipas sinodais, grupos sinodais, em todas as paróquias, secretariados, escolas, onde haja possibilidade de serem formadas, vão ser auscultadas de acordo com materiais, conteúdos, esquemas que vão ser divulgados, e de maneira que essa auscultação vai ser feita. E desta auscultação será depois possível elaborar aquilo que chamamos o instrumento de trabalho, que será apresentado em dezembro de 2027. Depois, essa escuta do Espírito continuará sobretudo naquelas que nós prevemos serem as três sessões da Assembleia Sinodal que decorrerão nos primeiros quatro meses de 2028. Portanto, a palavra, o diálogo, a escuta, tudo isso são termos sinodais que nós queremos implementar. E, sobretudo, queremos que todo este esforço, este caminho, se transforme depois num processo, nesse novo estilo de ser Igreja que parte deste evento. Não partimos do nada. Há muito trabalho que já se fez, há muita participação que já acontece, há muito diálogo que continuamente se processa e, portanto, penso que só um pouco mais de esforço que é pedido a todos, tendo em conta aquilo que queremos. E, portanto, essa fase da escuta do espírito, que não termina, que vai continuar, mas está mais ou menos presente nestes dois passos. E depois, após a conclusão do Sínodo, a aprovação das propostas sinodais que se prevê para dia 4 de junho, dia de Pentecostes, de 2028, teremos depois a grande fase, o grande desafio que é sempre a receção. De maneira que em todo este caminho nós queremos escutar verdadeiramente o Espírito e queremos que todos participem nesta ação”, sublinha o coordenador geral do Sínodo do Porto.

Na diocese do Porto, a primeira fase do caminho sinodal será de formação, informação e motivação sinodal e vai percorrer todas as 22 vigararias, de setembro a dezembro neste ano de 2026.

O primeiro semestre de 2027 será o tempo fundamental dos encontros em grupos e equipas sinodais nas paróquias e comunidades. Um processo intenso e profundo que dará origem a um “Instrumentum Laboris”, um instrumento de trabalho que será a base para as grandes assembleias sinodais de 2028.

“Ser Porto: formar, reformar, transformar” é o lema do Sínodo Diocesano do Porto que deverá ter a sua conclusão a 4 de junho de 2028, na Solenidade de Pentecostes.

Laudetur Iesus Christus

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25 junho 2026, 10:37