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Bispos italianos destinam 500 mil euros à Venezuela em articulação com as Cáritas

A iniciativa da CEI soma-se a diversas outras de várias países. O Santo Padre enviou ontem uma ajuda inicial de 100 mil euros. Vários países estão enviando equipes de resgate, bombeiros, cães farejadores, equipamentos, maquinários, hospitais de campanha e equipes médicas. Também a rede Cáritas se articula para levar ajudas.

Vatican News

Para responder à emergência na Venezuela causada pelo terremoto, a presidência da Conferência Episcopal Italiana (CEI) destinou uma quantia inicial de € 500.000, provenientes do fundo do programa 8 x mille (imposto) que os cidadãos destinam à Igreja Católica.

Esses fundos serão usados ​​para ações de socorro imediatas, coordenadas pela Cáritas Italiana, que está em contato direto com a Cáritas Venezuela e a rede internacional da Cáritas desde o início.

Portugueses e brasileiros entre as vítimas

 

O governo venezuelano informou na tarde desta sexta-feira, que o número de mortos em função do terremoto subiu para 920, enquanto os feridos são 2.980. "Vamos salvar as pessoas que estão presas", havia dito hoje cedo a presidente interina Delcy Rodrigue, cercada por autoridades governamentais e militares, ao dar as boas-vindas às equipes de resgate vindas de todo o mundo. Rodríguez afirmou que o estado de La Guaira foi o mais atingido pelos terremotos, observando que foi "militarizado", com equipes de resgate buscando sobreviventes e distribuindo alimentos e água. O governo também confirmou que 250 prédios desabaram ou foram danificados.

Um ministro venezuelano, por sua vez, declarou na noite de ontem à televisão venezuelana, que "atualmente há mais de 70.000 famílias venezuelanas desabrigadas." Em La Guaira, o estado mais atingido pelo terremoto, 100 prédios desabaram. As áreas mais danificadas são Caraballeda e Catia La Mar.

Entre as vítimas fatais há 9 portugueses. 56 não foram localizados. Também há duas vítimas brasileiras, conforme nota do Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgada na noite de quinta-feira: "O MRE informa, com grande pesar, o falecimento de uma cidadã e um cidadão brasileiros em consequência dos terremotos que atingiram a Venezuela. O MRE informa estar prestando assistência consular às famílias das vítimas".

Logo após o terremoto, o arcebispo de Caracas, dom Raúl Biord Castillo, pediu oração e solidariedade: “Pedimos a Deus para que possamos enfrentar este momento juntos. Em Deus, o consolo, na solidariedade e na caridade”.

Na tarde de quinta-feira, por meio da Esmolaria Apostólica, o Papa Leão XIV enviou uma ajuda inicial de 100 mil euros, valor definido após conversas com o núncio no país, dom Alberto Ortega Martín, arcebispo titular de Midila, e o arcebispo de Caracas, dom Castillo.

Articulação da rede Cáritas

 

A Cáritas afirma que está sendo dada atenção especial às famílias mais vulneráveis, aos bairros menos visíveis e às pessoas abrigadas em praças públicas e abrigos temporários. As prioridades incluem água potável, alimentos, medicamentos, kits de higiene e apoio aos desabrigados ou em condições muito precárias.

Enquanto isso, a Cáritas Italiana enfatiza, ecoando o apelo da Cáritas Venezuela, que "é importante canalizar a solidariedade por meio de canais coordenados e seguros, evitando iniciativas isoladas que possam se mostrar ineficazes ou arriscadas. A coleta de bens materiais na Itália também é desaconselhada."

Desde as primeiras horas após o terremoto, a rede Cáritas Venezuelana começou a coletar informações, avaliar os danos e organizar uma resposta humanitária coordenada abrindo, entre outros, um centro nacional de coleta na sede da Conferência Episcopal Venezuelana e está estabelecendo pontos de coleta adicionais nas dioceses do país. Já estão em andamento iniciativas para distribuir água potável, alimentos não perecíveis, medicamentos essenciais e outros itens de primeira necessidade, enquanto as agências diocesanas da Cáritas continuam avaliando as necessidades das populações afetadas.

Em um comunicado divulgado após o terremoto, a Cáritas Venezuela enfatizou que "as agências diocesanas da Cáritas nas áreas afetadas estão atualmente coletando informações e avaliando os danos, transmitindo constantemente os dados coletados à Cáritas nacional". A rede eclesial também reiterou a importância de uma resposta coordenada e responsável para garantir intervenções eficazes nas áreas afetadas.

A Cáritas Italiana, por sua vez, acompanha com grande preocupação a evolução da situação na Venezuela após o violento terremoto que atingiu o país na noite de 24 para 25 de junho e está em contato constante com a Cáritas Internacional e a Cáritas Venezuela para monitorar a emergência e coordenar o apoio às comunidades afetadas. 

A emergência afeta um país que tem passado por uma profunda crise econômica e social há mais de uma década. Desde 2015, a Venezuela tem sido marcada por uma deterioração progressiva das condições de vida da população, agravada pela hiperinflação, escassez de alimentos e medicamentos e pelo colapso de inúmeros serviços essenciais.

Nesse contexto, a Cáritas Italiana vem apoiando há anos a resposta da rede Cáritas à crise venezuelana com intervenções nas áreas de segurança alimentar, nutrição, saúde, água e saneamento. A organização apoia crianças, gestantes e famílias necessitadas com triagem nutricional, tratamento, kits de alimentos e apoio psicossocial. Ao longo das rotas migratórias, promove proteção, direitos e passagem segura para mulheres migrantes expostas à violência, ao tráfico e à exploração.

"Neste momento, nossos pensamentos se voltam, antes de tudo, para as vítimas, os feridos, as famílias que perderam entes queridos e todos aqueles que, em poucas horas, viram suas casas, locais de residência e pontos de referência desabarem", diz o padre Marco Pagniello, diretor da Caritas Italiana. "A Venezuela é um país já profundamente afetado por anos de crise econômica e social. A Caritas Italiana se solidariza com a Igreja venezuelana e a rede Caritas, que vem servindo a população desde as primeiras horas."

É possível contribuir com as ações da Caritas Italiana para a emergência, usando a Conta Corrente Postal n. 347013, ou doações on-line, ou transferência bancária especificando no motivo “Emergenza in Venezuela” através:

·       Banca Popolare Etica, via Parigi 17, Roma – Iban: IT 24 C 05018 03200 00001 3331 111

·       Banca Intesa Sanpaolo, Piazza Paolo Ferrari 10, Milano – Iban: IT 66 W 03069 09606 100000012474

·       Banco Posta, viale Europa 175, Roma – Iban: IT 91 P 07601 03200 000000347013

·       UniCredit, via Taranto 49, Roma – Iban: IT 88 U 02008 05206 000011063 119

Médicos Sem Fronteiras: "Primeiros kits de primeiros socorros entregues em La Guaira"

 

"A equipe de Médicos Sem Fronteiras em Caracas conseguiu viajar para La Guaira, uma das cidades mais atingidas pelo terremoto, para avaliar a situação. O MSF entregou com sucesso uma doação inicial de kits de primeiros socorros para traumas (suficientes para aproximadamente 200 pacientes) ao Hospital José María Vargas em La Guaira. Nas próximas 24 a 48 horas, planejamos continuar doando kits de primeiros socorros para traumas, além de aumentar os recursos, coordenar com parceiros e desenvolver uma resposta operacional mais abrangente", é o anúncio feito pela organização.

Site de buscas na Venezuela: mais de 50 mil pessoas desaparecidas

 

Mais de 50 mil pessoas ainda estão desaparecidas após os terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta para quinta-feira, segundo o site venezuelano dedicado a pessoas desaparecidas. O site permite que as pessoas compartilhem detalhes e a última localização de seus entes queridos, na esperança de contribuir para as operações de busca e resgate em todo o país.

UNICEF: 3,9 milhões de crianças vivem em áreas afetadas pelo terremoto

 

Estima-se que 3,9 milhões de crianças vivam em áreas afetadas pelos fortes terremotos de magnitude 7,5 e 7,2, colocando milhares de crianças e famílias em risco, anunciou o UNICEF em um comunicado.  Dezenas de prédios desabaram nas regiões mais afetadas e, segundo relatos da imprensa, crianças estão entre as vítimas. 

"As imagens que nos chegam da Venezuela e os depoimentos que estamos recebendo de colegas a campo são de partir o coração", afirmou Catherine Russell, diretora executiva do UNICEF. "Nossos pensamentos estão com as crianças e famílias que perderam entes queridos e com todos aqueles cujas vidas foram afetadas. À medida que a extensão dos danos se torna mais clara, a segurança, a proteção e o bem-estar das crianças devem permanecer no centro da resposta."

As crianças estão entre as mais vulneráveis ​​quando ocorrem desastres, enfatiza o UNICEF. Nas próximas horas e dias, as crianças afetadas podem sofrer ferimentos, separação familiar, deslocamento, estresse e interrupções nos serviços, incluindo o acesso a cuidados de saúde, água potável, educação e proteção. Milhares de famílias precisarão de assistência urgente enquanto as avaliações de danos continuam. Casas, escolas, instalações de saúde, redes de água e outras infraestruturas críticas podem ter sido danificadas, comprometendo o acesso a serviços essenciais e aumentando os riscos para as crianças e seus cuidadores.

Hospitais à beira do colapso, a "situação na Venezuela é muito preocupante"

 

Hospitais à beira do colapso, falta de ambulâncias, medicamentos e suprimentos de primeiros socorros, com departamentos de emergência improvisados, muitas vezes até mesmo nas ruas: esta é uma emergência de saúde pública após o terremoto na Venezuela, um país em crise devido a anos de deterioração e falta de investimento.

"O sistema vem se deteriorando significativamente há muitos anos. Uma situação como esta o encontra na pior condição possível. No geral, as condições são preocupantes", disse à CNN Marino González, especialista em políticas de saúde pública e membro da Academia Nacional de Medicina da Venezuela.

O Ministério da Saúde informou que ativou a rede de oito hospitais públicos na Grande Caracas (que abrange a maior parte das áreas afetadas) e adicionou 12 clínicas privadas para triagem, estabilização e internação após os terremotos. Mas a emergência mais grave está na região de La Guaira, uma das áreas mais devastadas pelo terremoto, a apenas algumas dezenas de quilômetros de Caracas: "Apesar da proximidade, enfrenta diversas limitações, como a topografia do território e a disponibilidade reduzida de serviços. As pessoas que precisam de assistência devem ser transferidas para centros de atendimento mais bem equipados na capital, o que cria um problema de transporte", explicou González.

A transferência também afeta os profissionais de saúde. De modo geral, além dos suprimentos, o fator humano também diminuiu recentemente, com muitos profissionais deixando o país como parte do êxodo da última década. "A principal necessidade é de unidades especializadas em politraumatismo. Os hospitais precisam ter unidades especializadas em atendimento a traumas, mas estas exigem muitos equipamentos, tecnologia e recursos humanos, como cirurgiões de trauma e unidades de terapia intensiva."

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26 junho 2026, 08:57