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Dom Dante Braida, bispo da Diocese de La Rioja (© Diocese de La Rioja) Dom Dante Braida, bispo da Diocese de La Rioja (© Diocese de La Rioja)  (© Diócesis de la Rioja)

Ano Jubilar dos Mártires de La Rioja: memória e compromisso com o Evangelho

50 anos após o martírio dos Mártires de Rioja, na Argentina, dom Dante G. Braida propõe a memória de quatro testemunhas de Cristo como um chamado atual para viver o Evangelho, transformar a realidade e ser “canais de libertação de tudo o que nos aprisiona e limita o crescimento”.

Rocío García - Cidade do Vaticano

Neste ano de 2026 a Igreja de La Rioja comemora o 50º aniversário do martírio dos Beatos Enrique Angelelli, Carlos de Dios Murias, Gabriel Longueville e Wenceslao Pedernera, quatro testemunhas da fé assassinadas em 1976 durante a ditadura militar argentina. A diocese declarou este ano como Ano Jubilar Diocesano, sob o lema “Páscoa Riojana, Alegria do Povo”, como um tempo de grata lembrança, oração, peregrinação e renovação do compromisso cristão.

Nesse contexto, o bispo de La Rioja, dom Dante Braida, compartilhou uma reflexão sobre o significado desta comemoração e sobre o legado que os mártires continuam a oferecer à Igreja e à sociedade.

O prelado afirmou que, assim como aquela época precisava de homens e mulheres capazes de dar a vida pelo Evangelho, o tempo presente também exige novas testemunhas da fé, comprometidas com a realidade e capazes de vencer a tentação do individualismo para promover caminhos comunitários mais abertos e inclusivos, especialmente junto àqueles que se sentem abandonados pela vida e precisam experimentar a misericórdia de Deus por meio de conexões simples e empáticas.

Quatro testemunhos de santidade que continuam a iluminar o presente

 

Em sua reflexão, dom Braida destacou as virtudes de santidade que caracterizaram os mártires de La Rioja e que continuam a iluminar a vida cristã diante dos desafios atuais.

Recordando a figura do bispo mártir Enrique Angelelli, observou que seu testemunho nos convida a viver uma fé encarnada na história concreta que enfrentamos e que continua a iluminar o compromisso cristão contemporâneo.


A respeito dos sacerdotes Carlos de Dios Murias e Gabriel Longueville, enfatizou que eles viveram o Evangelho em seu cotidiano, na simplicidade de cada dia e no serviço ao próximo. Ao mesmo tempo, ele sublinhou que eles assumiram uma voz profética quando foi necessário denunciar abusos e ameaças que violavam a dignidade humana.

Ele dedicou especial atenção ao testemunho do Beato Mártir Venceslau Pedernera, cuja santidade, explicou, se expressava através da vida familiar, do compromisso social e da busca pela justiça. Ele observou que Pedernera trabalhou incansavelmente por um mundo mais justo, construindo o matrimônio e as famílias cristãs, cumprindo suas responsabilidades sociais e, em particular, promovendo iniciativas produtivas que valorizavam o trabalho e a dignidade dos trabalhadores.

O bispo destacou que, no final de sua vida, essa busca pela justiça se transformou em um profundo ato de misericórdia para com aqueles que não compreenderam seu compromisso e lhe tiraram a vida. Sua declaração final, “Perdoem, perdoem e não odeiem”, afirmou Braida, é um testemunho de uma fé madura que encontra no perdão a mais alta expressão do Evangelho.

Uma memória viva que hoje nos chama a renovar nosso compromisso com o Evangelho

 

No centro de sua reflexão sobre a vida dos mártires, o prelado enfatizou a importância de oferecer a própria vida seguindo Jesus Cristo, encontrando nEle o profundo sentido da existência e a verdadeira felicidade, mesmo em meio às dificuldades e perseguições.

“Os quatro mártires representam diferentes vocações e cada um, a partir de seu próprio caminho, nos ensina a nos entregarmos completamente aos outros; desta forma, a memória que celebramos hoje será sincera”, afirmou Dom Braida.

O bispo convidou a todos a abraçar o testemunho dos mártires como um chamado a viver a doação diária, na simplicidade de cada dia, aceitando as diversas circunstâncias da vida à luz do Evangelho e buscando, a partir daí, transformar a realidade.

Ele também enfatizou que suas vidas são um testemunho de como viver o Evangelho e amar a Deus e ao próximo com todas as forças, comprometendo-se com a libertação de tudo o que escraviza a humanidade e acompanhando-a rumo a uma vida plena como membros de uma comunidade e dentro dessa comunidade.

Por fim, ele enfatizou que os mártires de La Rioja trabalharam pela paz como fruto da justiça e foram perseguidos justamente por viverem fielmente suas missões individuais. Portanto, afirmou que “caminhar juntos com espírito missionário” implica trabalhar pela transformação do mundo, levando a Boa Nova a indivíduos, famílias e todos os setores da sociedade, tornando-se “canais de libertação de tudo o que nos aprisiona e limita nosso crescimento”.

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10 julho 2026, 10:33