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Pedro Carvalho - foto Agência Ecclesia Pedro Carvalho - foto Agência Ecclesia 

Portugal. Pedro Carvalho: “levar o Evangelho a mais jovens”

A Jornada Nacional “Rejoice” vai contar com a presença do cardeal Pizzaballa, que virá “do centro da guerra” para falar de paz, diz o diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, lançando um olhar para a participação portuguesa na JMJ Seul 2027.

Rui Saraiva – Portugal

O cardeal Pierbattista Pizzaballa, vai ser um dos principais oradores da Jornada Nacional de Juventude em Portugal que vai decorrer em Lamego de 24 a 26 de julho. O Patriarca Latino de Jerusalém participará no “Rejoice” que vai levar centenas de jovens de todo o país àquela diocese sob o mote da unidade e da paz.

Em entrevista conjunta à Agência Ecclesia e Renascença, Pedro Carvalho, diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil em Portugal apresenta a atividade deste ano, analisa o trabalho realizado desde a JMJ Lisboa 2023 e lança dados sobre a participação portuguesa na JMJ de Seul em 2027. A entrevista é conduzida por Henrique Cunha da Renascença e Octávio Carmo da Agência Ecclesia.

P: O Rejoice vai levar centenas de jovens a Lamego, sob o mote da unidade, num tempo de polarização. Também surge na continuidade da JMJ Lisboa, em resposta a mensagens de Leão XIV. Que apelos concretos são estes do novo Papa e de que forma é que o Rejoice, marca o fim do tempo de uma saudade da JMJ de Lisboa e passa a uma ação no presente?

R: O Rejoice é a Jornada Nacional da Juventude, que é um encontro em que se celebra a fé, reúne a juventude católica portuguesa e promove uma experiência de alegria, comunhão, missão, de encontro com Cristo vivo, em Lamego, de 24 a 26 de julho. Este foi um desafio lançado então pelo Papa Francisco aos Bispos de Portugal para que houvesse em Portugal uma Jornada Nacional da Juventude.

E nós estamos a cumprir isso. A primeira foi uma celebração, uma celebração de um ano pós-Jornada Mundial da Juventude 2023 e nós achámos por bem continuar este encontro. Depois posso falar do programa em geral, mas vamos falar sobre a paz, que é um tema caro ao Papa Leão. Vamos querer ler a paz com o cardeal Pizzaballa, que do centro da guerra vem para Lamego dialogar com os jovens sobre a paz.

Portanto, se é esta a alegria de viver uma Jornada Nacional e de começarmos a despedir-nos da Jornada Mundial da Juventude, também passamos e fazemos esta ponte para a paz. Penso que é um bom mote, entre Papas.

P: E então, Pedro, o que é que esperam ouvir do cardeal Pizzaballa? O que é que os jovens portugueses podem retirar de alguém que, como dizem, não fala de paz em abstrato, mas no meio da guerra? 

R: O cardeal Pizzaballa, entre outras propostas que vamos fazer, está incluído na tarde de sábado em que temos pensado um programa que é “diálogo com a Cidade”, com a cidade de Lamego, onde temos vários workshops, oficinas para falar e refletir.

A nossa inspiração vem do manifesto que tivemos em Roma; o manifesto da juventude de Portugal, e que fala de paz.

P: Para quem não se lembra, agosto de 2025, em São Paulo fora de muros…

R: Foi aí que falámos no manifesto da juventude e que fala sobre a paz. Ler a paz deste momento. Nós queremos ouvir de viva voz, o cardeal Pizaballa porque diariamente vive em clima e na própria pele a situação da guerra.  E porque nós estamos muito distantes, queremos saber e perceber o que se passa e o que é que nós também podemos fazer enquanto cristãos, no nosso dia a dia, para celebrar a paz, para fazer paz.

P: Já voltaremos um pouco ao detalhe do Rejoice, mas olhando para 2023, três anos depois de Lisboa, o que é que está a mudar, efetivamente, na relação da Igreja Católica com os jovens? 

R: O ano 2023 foi um ano muito especial. Foi onde nós tivemos uma experiência muito profunda. E deixámos um legado de fé, de participação e missão.

E, portanto, eu não sei se está a mudar ou a aprofundar, mas o que eu sinto é que estamos preocupados em levar o Evangelho a mais jovens. E levar este encontro com Cristo vivo a mais jovens em Portugal. E isso eu sei que estamos a fazer.

Nós, por exemplo, no Departamento Nacional, percebemos que existe um grande desafio na formação. E, portanto, criámos uma oficina-gerador, onde já começámos com dois laboratórios, em que queremos que os jovens sejam protagonistas, e prepararem o futuro, já e agora.

P: Uma igreja jovem em saída….

R: Sim, é isso mesmo. Terminou no fim de semana passado o Laboratório de Liderança Jovem, em que os jovens são os protagonistas dos próprios projetos, e queremos nós que sejam os protagonistas do futuro.

Estamos também a apostar na formação de novos formadores em pastoral dos jovens. Nós percebemos com a Jornada Mundial da Juventude, e as estruturas e os agentes pastorais, que era muito importante apostarmos na formação. E escutar também os jovens ao longo do tempo, foi o que fizemos com o quadro de referência.

Portanto, numa frase, a Jornada Mundial da Juventude 2023, trouxe-nos uma igreja alegre, disponível, participativa e em missão, e que eu acho que estamos a prolongar este legado.

P: A primeira edição do Rejoice, em 2024, juntou 5 mil jovens em Lisboa, e funcionou como o grande motor de mobilização para o jubileu dos jovens de 2025 em Roma, de que já há pouco falaste. Agora, em 2026 estamos em Lamego a fazer o mesmo, mas a olhar também para o próximo ano, para Seul. Podemos oficializar que o Rejoice deixou de ser apenas um eco nostálgico da Jornada de Lisboa, para se instituir definitivamente como a grande Jornada Nacional, que vai marcar o ritmo da juventude católica portuguesa no futuro? 

R: Sim, no futuro nós queremos passar para a frente e olhar com olhos o horizonte, queremos que as próximas edições do Rejoice que venham a acontecer sejam as jornadas de encontro dos jovens em Portugal. Este, em Lamego, é o primeiro ano fora de Lisboa, e sublinho que as pessoas de Lamego, a cidade de Lamego, estão de braços abertos para receber os jovens que querem viver este momento. E queremos “prototipar”, se podemos dizer assim, uma jornada nacional que dialogue com as pessoas e com o território.

Este é um território do interior, e queremos que os jovens de Portugal conheçam outra realidade eclesial, e que também conheçam outras propostas. Esta reunião de jovens em Lamego é com perspetivas do futuro, e que nós depois no final também vamos avaliar como é que vamos fazer e qual é a cadência.

P: E que expectativas de participação é que tens nesta altura? 

R: Penso eu que nesta altura já passámos as 1000 inscrições. As inscrições correspondem aos jovens que querem viver toda a experiência em Lamego, desde o alojamento, à alimentação e à participação em todo o programa. Ainda falta de quase um mês, e a nossa perspetiva é que haja uma mobilização de jovens para Lamego. 

P: Olhando agora para a Coreia do Sul, nós sabemos que Seul vai acolher a JMJ de 2027. O Departamento Nacional da Pastoral Juvenil estima que a viagem que é longa custe entre 1900 e 2300 euros, e eu pergunto o que é que está a ser feito em termos práticos para evitar que a JMJ de Seul seja um evento acessível apenas a quem o pode pagar?

R: Em tom de brincadeira, nós não podemos comprar aviões para as coisas ficarem mais baratas. Não é isso. Mas o que nós estamos a tentar fazer e o nosso diálogo com todos tem sido minimizar este impacto destes custos. E já estamos a preparar. Neste momento iniciámos esta caminhada. O que nós podemos dizer é que vamos fazer tudo, por tudo, para baixar este preço. Agora, nós não temos mão nas guerras, nas bolsas do petróleo…obviamente, que é um custo, mas por aquilo que temos visto, é que há mobilização dos jovens; sabemos que estão a mobilizar-se nas próprias paróquias, já na angariação de fundos, e já passámos as 600 inscrições. Podemos dizer à data de hoje que é a maior peregrinação para uma jornada mundial da juventude que não seja na Europa. Mas vai ser difícil baixar estes custos e vamos tentar fazer tudo o possível para que seja um custo menor para os jovens poderem participar.

P: O plano para Seul não prevê apenas os dias centrais, mas também uma experiência prévia num contexto de uma diocese asiática. Como é que o programa “Caminho 27” vai preparar os jovens para o diálogo intercultural com uma igreja que é minoria e que tem uma vivência muito diferente da nossa? 

R: Agora, e nesta preparação, e no Conselho Nacional de Santarém avançamos alguns princípios orientadores para esta peregrinação: “vamos juntos”,  é este o grande desígnio, é que Portugal vá junto. Logo, à partida um caminho espiritual, que vai ser “o Caminho 27”, depois esta cultura de encontro, esta interculturalidade. Nós percebemos o que é que a Igreja de Seul nos pode aportar enquanto jovens portugueses. Uma caminhada também ela sinodal. Ou seja, nas nossas decisões queremos falar com várias pessoas, para fazer boas propostas.

E também queremos aproveitar este momento para a capacitação e liderança dos jovens. Eles que sejam protagonistas de alguns projetos que estejam a ser realizados nesta peregrinação.

No “Caminho 27” temos duas vertentes. Uma que é a oração “Rezamos Juntos ao dia 27”, e que vamos começar uma parceria no dia 27 de agosto, vai ser a primeira oração com a Rede Mundial de Oração com o Papa, no “Passo a Rezar”.

E depois também estamos a desenhar as catequeses mensais, que são subsídios que o Departamento, está a desenhar com os secretariados, movimentos e congregações que estamos a trabalhar. Queremos que seja proposta uma catequese para os jovens que vão a Seul e os jovens que ficam e não podem ir a Seul. Portanto, há aqui uma caminhada espiritual para quem vai e para quem fica.

Pedro Carvalho é o diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil em Portugal.

Laudetur Iesus Christus

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13 julho 2026, 11:06