Busca

2026.07.22 santuario santissima trinità vallepietra

Regra de Fé nos primeiros séculos do cristianismo

"Tertuliano foi um dos Padres da Igreja que reforçou a fé em único Deus em Três Pessoas. Desta forma Ele disse que a Regra de Fé consistia em crer que há um só Deus, que é o Criador do mundo. Ele criou todas as coisas do nada por meio da mediação do seu Verbo, gerado antes de todas as coisas. Este Verbo é chamado seu Filho."

Por Dom Vital Corbellini, bispo de Marabá (PA)

A Regra de Fé expressava num certo sentido, nos primeiros séculos do cristianismo, a profissão de fé, sendo uma fórmula breve de confissão de fé das pessoas, ligada ao símbolo de fé, o credo apostólico, onde os fiéis que se preparavam ao batismo, ela era uma norma para a busca cristã da verdade[1]. Ela abraçava a pregação da Igreja, espécie de síntese da fé para a pessoa que deixava o paganismo ou o judaísmo para ingressar na vida cristã, no cristianismo em geral[2]. A seguir nós vejamos a forma como ela se processou na vida cristã e na vida das comunidades.

 A Regra de Fé em Santo Ireneu de Lião

 

O Bispo de Lião, século III afirmava a necessidade de se manter na Regra da Fé, e cumprir os mandamentos da Lei de Deus, temendo com o Senhor e amando-o como Pai. A fé é dada pela verdade, pois ela tem o seu fundamento nela[3]. Santo Ireneu afirmava que os fiéis acreditavam nas verdades que realmente são, como sempre, para assim manter a adesão na firmeza das coisas anunciadas[4].

 Fé e Salvação

 

 A Regra de Fé liga a Fé com o dom da Salvação. Desta forma é preciso dar maior atenção a ela para obter uma verdadeira inteligência da verdade. É esta fé que foi comunicada pela Tradição que vinha dos Bispos, dos Presbíteros, das Comunidades Cristãs, em profunda ligação com os apóstolos e do Senhor Jesus Cristo[5].

A tradição e o batismo

 

Esta tradição colocou a importância do batismo para a remissão dos pecados em nome de Deus Pai e em nome de Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado, morto e ressuscitado, e no Espírito Santo de Deus. O batismo é o selo da vida eterna, sendo o novo nascimento em Deus, de modo que nós somos filhos, filhas do Deus eterno , acima de todas as criaturas, de qualquer espécie, porque foi por Ele criado. Deus é onipotente e tudo provém dele[6].

A Regra de Fé em Tertuliano

 

Tertuliano, padre da Igreja nos séculos II e III do Norte Africano afirmou a Regra de Fé para que os fiéis acreditassem no único e verdadeiro Deus, um único Deus, uma só economia divina, seja também na disposição da Trindade[7]. Tudo isso seja vivido pelo batismo na qual os fiéis recebiam a graça de serem batizados em nome da Santíssima Trindade.

A economia divina

 

O Padre africano afirmou a Regra de Fé como economia divina, o único Deus que tinha também o Filho, a sua Palavra, que do Pai foi gerado, derivou, por meio do qual tudo foi criado e sem o qual nada foi criado, que foi enviado pelo Pai na Virgem Maria e nasceu dela, Homem e Deus, Filho do Homem e Filho de Deus e foi chamado Jesus Cristo; Ele sofreu, morreu e foi sepultado, segundo as Escrituras e ressuscitado pelo Pai, levado no céu, sentou-se à direita do Pai e virá para julgar os vivos e os mortos; e mandou segundo a sua promessa, por parte do Pai, o Espírito Santo, o Paráclito, o Santificador da fé de todos os que crêem no Pai e no Filho e no Espírito Santo[8]

Lei da Fé

 

Tertuliano dizia que a Regra de Fé na qual tinha uma síntese do ensinamento da Igreja, proveniente do Evangelho de Jesus Cristo, era também a Lei da Fé. Ele o descreveu em uma de suas obras que a Regra da Fé é todo um conjunto de forças e de doutrinas que consiste no crer em um só Deus Onipotente, Criador do universo e no seu Filho, Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, foi crucificado sob Pôncio Pilatos, ressuscitou dos mortos o terceiro dia, subiu aos céus e está sentado à direita do Pai e que deve vir para julgar os vivos e os mortos para a ressurreição da carne[9].

O único Deus em Três Pessoas

 

Tertuliano foi um dos Padres da Igreja que reforçou a fé em único Deus em Três Pessoas. Desta forma Ele disse que a Regra de Fé consistia em crer que há um só Deus, que é o Criador do mundo. Ele criou todas as coisas do nada por meio da mediação do seu Verbo, gerado antes de todas as coisas. Este Verbo é chamado seu Filho. Ele foi anunciado pelos patriarcas e pelos profetas e desceu dos céus por obra do Espírito Santo e pelo Poder de Deus Pai, na Virgem Maria, se fez carne no seu seio, e nascendo dela, viveu como Jesus Cristo[10].

A pregação de Jesus

 

Tertuliano afirmou que Jesus pregou uma nova Lei em relação ao amor e a nova promessa do Reino dos Céus. Fez muitos milagres, curando as pessoas e expulsando demônios, foi crucificado e ressuscitou ao terceiro dia. Elevado aos céus, sentou-se à direita do Pai. Enviou no seu lugar o poder do Espírito Santo, para guiar os fiéis[11].

A volta do Senhor

 

A Regra de Fé que Tertuliano ressaltou e viveu em sua comunidade, dizia respeito também a volta do Senhor para tomar as pessoas santas e fazê-las gozar da vida eterna, das promessas e também para julgar a todas as pessoas em vista da ressurreição dos justos e dos injustos, com a restauração de suas carnes.

Tal Regra de fé foi ensinada pelo Senhor Jesus Cristo, passada aos Apóstolos, seus Sucessores, os Bispos e às Comunidades Cristãs, segundo o Autor africano. Ela não levantou nenhuma discussão entre as pessoas da comunidade[12]. Nós somos chamados a seguir a Regra de Fé, que era uma síntese do Credo Apostólico, e Ela nos ajuda a amar a Deus, ao próximo, como a si mesmo neste mundo e um dia na eternidade.

[1] Cfr. V. Grossi. Regula Fidei. In: Nuovo Dizionario Patristico e di Antichità Cristiane. Institutum Patristicum Augustinianum. Casa Editrice Marietti- Genova-Milano, 2008, pgs. 4491-4492.
[2] Cfr. Idem, pg. 4492.
[3] Cfr. Irineu de Lyon. Demonstração da Pregação Apostólica, 3. São Paulo: Paulus, 2014, pg. 73.
[4] Cfr. Idem.
[5] Cfr. Ibidem.
[6] Cfr. Ibidem, pgs. 73-74.
[7] Cfr. Q.S.F. Tertulliano. Contro Prassea, 3,1. Società Editrice Internazionale, Torino, 1985, pg. 147.
[8] Cfr. Idem, II,1, pgs. 145-147.
[9] Cfr. Tertulliano, De VIrg. Vel., 11. In: Johannes Quasten, Patrologia (I primi due secoli, II-III). Casale, 1980, pg. 560.
[10] Cfr. Idem, De Praescr, 13, In: Idem pg. 560-561.
[11] Cfr. Ibidem, pg 561.
[12] Cfr. Ibidem, De Praescr., 13-14, pg. 561.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.

18 agosto 2026, 08:50