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Foco na História: as grandes civilizações africanas. Foco na História: as grandes civilizações africanas.  

Foco na História: as grandes civilizações africanas. A partilha da África

Nesse assunto, normalmente nos lembramos do continente africano, que foi tomado, retalhado e explorado pelos diversos países europeus dentro do regime do Imperialismo que consolidou especialmente no final do século XIX.

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista

A Europa dominou quase o mundo inteiro ao longo de vários séculos desde que começou a viajar para outros continentes, sobretudo, a partir da expansão comercial capitalista dos séculos XV e XVI, o que levou à formação de grandes impérios coloniais nos continentes periféricos do mundo.

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Nesse assunto, normalmente nos lembramos do continente africano, que foi tomado, retalhado e explorado pelos diversos países europeus dentro do regime do Imperialismo que consolidou especialmente no final do século XIX. A África, porém, não foi totalmente dominada e temos dois países, Etiópia e Libéria, que escaparam da colonização. Deles falaremos num outro texto.

A divisão do continente africano

A divisão do continente africano que já acontecia desde o século XV, teve sua fase mais marcante na segunda parte do século XIX. A Conferência de Berlim celerada entre 1884 e 1885 organizou a delimitação das fronteiras da África entre as várias nações envolvidas. Nesta conferência foram definidas as normas que deveriam ser obedecidas pelas potências colonizadoras. Apesar do objetivo inicial da reunião ter sido o de acertar os limites conforme os interesses econômicos destes países na região, não foi possível alcançar um equilíbrio entre as ambições imperialistas de cada nação. A partilha da África foi decidida por Rússia, Estados Unidos e mais 14 países da Europa.

Líder do imperialismo na época, a Inglaterra dominou do norte do Mar Mediterrâneo até o extremo Sul do continente africano, região onde do Cabo da Boa Esperança. Benjamin Disraeli foi o grande nome da Inglaterra nessa discussão, pois conseguiu tomar o Canal de Suez do domínio francês e egípcio. Este canal encurtava a distância entre os centros da indústria europeia e as áreas de colonização da Ásia e além disso, ligava o mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho.

Disraeli adquiriu ações do governo egípcio, fazendo com que o canal de Suez e todo Egito tivessem dupla administração: inglesa e francesa. Já em 1904, o governo inglês apoiou a França na conquista do Marrocos, tendo como moeda de troca o abandono dos franceses das terras egípcias. Por fim, em 1885, a Inglaterra ainda anexou o Sudão, país localizado ao Sul do Egito.

A França, apesar de ter perdido o Egito para os britânicos, ficou com a maior parte do norte do continente dominando Argélia, Tunísia, ilha de Madagascar, Somália Francesa, Marrocos e Sudão que depois seria dominado pela Inglaterra.

A constante presença dos europeus no continente africano fez com que se desencadeassem diversas disputas colonialistas. Uma delas foi a Guerra dos Bôeres (1899-1902). A Inglaterra, que dominava há muito tempo a Colônia do Cabo, hoje África do Sul, entrou em conflito com os bôeres que eram colonos holandeses que dominavam as regiões de Orange e Transvaal.

A descoberta de ouro e diamantes na região de Joanesburgo, área dominada pelos bôeres, foi o que atraiu o interesse britânico. A Guerra dos Bôeres estourou em 1899 durando até 1902. A Inglaterra saiu vitoriosa e anexou o território de Orange e Transvaal às suas colônias.

A Alemanha, outro país colonizador, dominava a região que atualmente é conhecida como República dos Camarões, Togo, sudeste e oriente da África. Já a Itália deteve o litoral da Líbia, Somália e Eritréia. A Bélgica ficou com o Congo.

Consequências do colonialismo

Esta divisão, feita de acordo com os interesses coloniais, criou diversos conflitos na sociedade africana, gerou sérios problemas étnicos, econômicos e políticos.

Essa partilha da África entre as nações pretendentes além de gerar uma forte exploração dos recuros vegetais, minerais e animais do continente gerou a miséria que toma a população do continente, originando também a dívida externa que cresce a cada ano.

A divisão artificial das fronteiras fez com que os países que foram sendo formado a partir dessa divisão tivesse em seu interior povos e tribos oponentes, o que explica várias guerras e massacres que continuam acontecendo no continente.

Somente no período posterior à Segunda Guerra Mundial as nações colonizadoras foram se retirando, dando início ao processo de formação das modernas nações africanas que em algumas regiões ainda não foi concluído.

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19 março 2026, 14:24