Irã intensifica ataques contra Israel e países do Golfo em meio a tensão com os EUA
Matheus Macedo - Vatican News
Nas primeiras horas desta terça-feira (24/03), o Irã lançou uma série de mísseis contra Israel, segundo informações do exército israelense. O ataque ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar um bombardeio contra usinas de energia e outras infraestruturas iranianas, devido a “conversas produtivas” com autoridades da República Islâmica.
De acordo com agências de notícias, um míssil com ogiva de 100 kg atravessou as defesas israelenses e atingiu uma rua no centro de Tel Aviv, causando destruição parcial de um edifício residencial. Não está claro se os danos foram causados por um impacto direto ou por destroços de interceptação. Relatos indicam quatro pessoas com ferimentos leves.
Ataques na região do Golfo
Os ataques iranianos também atingiram o Kuwait, onde estilhaços da defesa aérea causaram interrupção parcial de eletricidade por várias horas. Sirenes soaram no Bahrein, enquanto a Arábia Saudita informou ter destruído 19 drones iranianos que tinham como alvo sua Província Oriental, rica em petróleo.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que novos ataques com mísseis e drones atingirão Israel caso o país continue com seus “crimes contra civis do Líbano e da Palestina”. O comunicado ocorre em meio à intensificação dos ataques no Líbano contra o Hezbollah, grupo armado aliado a Teerã.
Ataques de Israel e EUA
Durante a noite, Estados Unidos e Israel realizaram ataques aéreos em áreas residenciais na província de Tabriz, no Irã. Segundo La Presse e a agência iraniana Tasnim, os bombardeios destruíram várias unidades habitacionais; pelo menos duas pessoas morreram e outras nove ficaram feridas.
Mais cedo, o Ministério da Saúde do Líbano informou que Israel bombardeou os subúrbios ao sul de Beirute, afirmando ter como alvo infraestruturas do grupo Hezbollah, o ataque atingiu um prédio residencial e deixou ao menos duas vítimas.
Cessar-fogo temporário
Nesta segunda-feira, Trump anunciou que ordenou ao Departamento de Defesa adiar por cinco dias os ataques contra usinas e infraestrutura energética iraniana, após “conversas produtivas” entre EUA e Irã. A pausa se aplica apenas a instalações energéticas, e os ataques continuam, informou o site Semafor, citando autoridades americanas.
O adiamento trouxe alívio temporário, evitando que milhões ficassem sem eletricidade no Irã e no Golfo Pérsico, e preservando usinas de dessalinização essenciais para o abastecimento de água em países desérticos. Além disso, diminuiu os temores de uma catástrofe caso instalações nucleares fossem atingidas.
Disputa sobre negociações
O Irã contestou as informações sobre as negociações mencionadas por Trump, negando qualquer diálogo. Pelo Twitter (rede X), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, classificou a notícia como fake news usada para manipular os mercados financeiros e de petróleo.
Um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou à CBS News que o Irã recebeu uma mensagem dos EUA por meio de mediadores, como possível prelúdio para negociações indiretas. “Recebemos pontos dos Estados Unidos por meio de mediadores e estamos analisando”, afirmou o funcionário.
Segundo a CBS, Irã e EUA se comunicam indiretamente, com países da região atuando como mediadores. Paquistão e Omã se ofereceram para mediar as negociações. Conversas diretas para encerrar a guerra poderiam ocorrer em Islamabad ainda nesta semana, envolvendo o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner.
Israel ameaça destruição “como Gaza” no sul do Líbano
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o país continuará seus ataques ao Irã e ao Líbano, mesmo com um cessar-fogo por parte dos EUA. “Há mais por vir”, declarou.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que o exército destruirá casas no sul do Líbano, assim como fez em Gaza, como parte de um esforço intensificado para eliminar militantes do Hezbollah.
Katz afirmou que Israel aplicará “os modelos de Rafah e Beit Hanoun”, referindo-se a duas cidades fronteiriças de Gaza que Israel arrasou em sua ofensiva no território palestino. Segundo ele, o exército vai além da destruição da infraestrutura do Hezbollah, atingindo também casas em vilarejos libaneses próximos à fronteira que “servem como bases terroristas para todos os efeitos”.
Reações internacionais
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que “a China está profundamente preocupada com a contínua escalada da situação e sua expansão, que afetam a paz e a estabilidade regional e internacional”. Ele pediu que as partes cessem imediatamente as hostilidades e retomem o diálogo pacífico.
A ONU informou que o Conselho de Direitos Humanos se reunirá em caráter de urgência nesta quarta-feira para discutir os ataques do Irã a países do Golfo e suas consequências para os direitos humanos. “Um grupo de países pretende apresentar um projeto de resolução ao Conselho no âmbito deste debate urgente”, declarou o porta-voz Pascal Sim em Genebra.
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