Três jornalistas mortos no sul do Líbano: aumenta a tensão com ataques à imprensa
Matheus Macedo - Vatican News
Um ataque aéreo israelense contra um veículo de imprensa identificado causou a morte de três jornalistas no sul do Líbano no último sábado (28/03). De acordo com emissoras libanesas, os profissionais foram atingidos enquanto cobriam a guerra entre Israel e o Hezbollah.
A emissora pan-árabe Al-Mayadeen, sediada em Beirute, informou que a repórter Fatima Ftouni e seu irmão Mohammed, cinegrafista, haviam acabado de entrar ao vivo quando ocorreu o ataque, no distrito de Jezzine, no sul do país. O terceiro jornalista morto foi Ali Shuaib, da Al-Manar TV, um conhecido correspondente de guerra que cobria a região havia quase três décadas. Segundo a Al Jazeera, outros jornalistas ficaram feridos no ataque, e um paramédico morreu. Ambulâncias também teriam sido alvo.
O Exército israelense reconheceu o ataque, afirmando que tinha como alvo Shuaib, acusado de ser um agente de inteligência do Hezbollah. Segundo os militares, ele estaria “operando sistematicamente para expor a localização de soldados israelenses” na região. Também foi acusado de manter contato com militantes e incitar ataques contra tropas e civis israelenses, sem que fossem apresentadas provas. Os outros dois jornalistas mortos não foram mencionados no comunicado.
Desta o inicio do conflito em Gaza mais de 270 jornalistas foram mortos.
Fatima Ftouni já havia relatado, ao vivo, no início do mês, que a guerra atingira sua própria família: seu tio e outros parentes morreram em um ataque israelense. Desde o início do conflito no Líbano, a Al-Mayadeen perdeu seis jornalistas.
De acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), 2025 registrou um recorde global de 129 jornalistas mortos, o maior número em mais de 30 anos de monitoramento, sendo Israel responsável por dois terços desses casos.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que Israel violou “as regras mais básicas do direito internacional” ao atacar civis no exercício da profissão. Ele classificou o episódio como “um crime flagrante”. O primeiro-ministro Nawaf Salam também condenou o ataque, chamando-o de “violação evidente do direito internacional humanitário”.
Pressão sobre jornalistas também na Cisjordânia
Nesta segunda-feira (30/03), segundo a Agência France-Presse (AFP), o Exército israelense anunciou a suspensão de um batalhão da reserva após a agressão e detenção de uma equipe da emissora estadunidense CNN na Cisjordânia ocupada.
De acordo com a Associação da Imprensa Estrangeira (FPA), o caso ocorreu na quinta-feira (26/03), quando jornalistas cobriam um ataque de colonos e a instalação de um posto avançado próximo à vila palestina de Tayasir.
Mesmo claramente identificados, os profissionais e civis palestinos foram ameaçados por soldados, que apontaram armas e ordenaram a interrupção das filmagens.
“Um soldado se aproximou por trás do fotojornalista da CNN, agarrou-o pelo pescoço, derrubou-o e danificou seu equipamento. A equipe, assim como outros palestinos, foi detida por cerca de duas horas, sendo deliberadamente impedida de trabalhar”, afirmou a FPA, que classificou o episódio como um “ataque direto” à liberdade de imprensa.
Em comunicado, o Exército israelense informou que o batalhão será suspenso e passará por investigação, afirmando que os atos “não representam” a instituição e contrariam seus padrões.
Organizações de direitos humanos denunciam que jornalistas na Cisjordânia têm sido repetidamente detidos, assediados ou agredidos, com aumento significativo desde o início da guerra em Gaza. Segundo a AFP, embora estrangeiros sejam menos visados, soldados frequentemente apontam armas contra profissionais da imprensa em postos de controle ou áreas de cobertura.
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