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Oriente Médio: mães palestinas e israelenses marcham pela paz em Roma

Yael Admi, ativista israelense e uma das figuras mais proeminentes do movimento 'Mulheres lutam pela paz', e Reem Al-Hajajreh, ativista palestina e fundadora do movimento 'Mulheres do Sol', marcharam descalças em Roma na terça-feira na Caminhada descalça: apelo das mães pela paz. A iniciativa uniu mães israelenses e palestinas num apelo comum pelo fim da violência.

Guglielmo Gallone – Vatican News

"Vi minha mãe perder seu filho mais velho e não conseguir mais seguir em frente. Ela morreu de tristeza. Mas sei que nossa responsabilidade é vencer essa dor profunda, essa agonia, e encontrar forças para cuidar de nossos outros filhos e das futuras gerações, porque esse é o nosso dever como mães."

Foi a partir dessa dor, mas também dessa consciência, que começou a marcha pela paz organizada por Yael Admi, ativista israelense e uma das figuras mais proeminentes do movimento 'Mulheres lutam pela paz' (Women Wage Peace), que nasceu após a guerra de Gaza de 2014 para pedir uma solução política para o conflito e a plena participação das mulheres nos processos de paz.

A marcha pela paz

Ao lado dela, caminhando descalça do Ara Pacis ao Pincio, sob um céu cinzento e algumas gotas de chuva, estava Reem Al-Hajajreh, ativista palestina e fundadora das 'Mulheres do Sol' (Women of the Sun), uma rede de mulheres fundada na Cisjordânia para promover o diálogo, a não violência e a participação feminina na construção da paz. Juntas, na última terça-feira (24/03) à tarde, em Roma, essas duas mulheres lideraram a 'Caminhada descalça: apelo das mães pela paz' (Barefoot Walk: Mothers’ Call for Peace), uma iniciativa que uniu mães israelenses e palestinas num apelo conjunto pelo fim da violência, pela proteção das crianças e pela inclusão das mulheres nas mesas de negociação. A marcha marcou o lançamento de uma série de iniciativas internacionais promovidas no âmbito do 'Apelo das mães' e na esteira da Resolução 1325 da ONU sobre "Mulheres, Paz e Segurança", aprovada há vinte e cinco anos, mas ainda amplamente e lamentavelmente ignorada.

Yael Admi e Reem Al-Hajajreh em Roma
Yael Admi e Reem Al-Hajajreh em Roma

O papel das mulheres

Para Reem Al-Hajajreh, a paz deve começar precisamente ali: "As mulheres devem ser parte integrante da mesa de negociações", explica ela, "porque devem participar das organizações civis para desenvolver a sua sociedade e defender os seus filhos". Na sua voz firme e decisiva, percebe-se como a dor da guerra se transformou numa responsabilidade – educativa e moral. "Ensinei os meus filhos a reivindicar os seus direitos através da não violência e do diálogo. Mesmo que a liberdade seja realmente custosa, o preço a pagar nunca deve ser o sangue."

Uma mensagem para as gerações mais jovens

Em ambos os testemunhos, a referência aos filhos e às gerações mais jovens torna-se central. "As gerações mais jovens são a nossa maior esperança. Queremos que elas tenham a oportunidade de crescer, de realizar seus sonhos, de viver uma vida significativa, de contribuir para a sua sociedade. Não queremos que elas sejam mortas, nem que tenham que matar ninguém em guerras. Devemos encontrar em nossos corações a energia mais forte para vencer a dor, o desespero, a agonia, o ódio e trabalhar por um futuro melhor para todos eles." Reem enfatizou isso com uma imagem concreta: "Hoje, meus filhos estão participando desta marcha. E isso demonstra verdadeiramente o sucesso que alcançamos, começando pela família."

A Caminhada descalça: apelo das mães pela paz
A Caminhada descalça: apelo das mães pela paz

O encontro com o Papa Leão XIV

Roma, neste contexto, não foi apenas uma etapa logística, mas sobretudo uma cidade universal e espiritual onde poder encontrar o Papa Leão XIV na manhã de quarta-feira, ao final da Audiência Geral. Para Reem Al-Hajajreh, este é um sinal importante porque "neste processo político na região, as mulheres foram excluídas, e os líderes religiosos também". E isso, disse ela, "é um grande erro. Hoje, é a festa da Anunciação. Maria é uma mãe muito importante para muitas religiões. Hoje, é o aniversário do lançamento da nossa iniciativa". Yael também falou sobre o encontro com o Pontífice com a esperança de que ele represente um apoio capaz de "impulsionar nossos líderes a darem passos corajosos rumo a acordos, reconhecimento recíproco e reconciliação".

Um apelo a todas as mães

Também porque a guerra continua a inflamar todo o Oriente Médio. "Quando estou nos refúgios e tento acalmar meus netos, aterrorizados mais uma vez pelos bombardeios, penso nas mães de Israel, nas mães da Palestina, do Líbano e nas mães iranianas", concluiu Yael Admi. "Todas queremos a mesma coisa: não queremos que nossos filhos sejam mortos. Compartilhamos esse desejo e, juntas, podemos mudar essa realidade. Agora, acho que é hora de construir uma coalizão regional de mulheres, porque a solução para o conflito israelense-palestino é um fator-chave para a estabilidade de toda a região. É urgente. Precisamos fazer isso hoje."

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26 março 2026, 18:43