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Foco na História: as grandes civilizações africanas.  Foco na História: as grandes civilizações africanas.  

Foco na História: as grandes civilizações africanas. A Grande Guerra Africana

Essa guerra se transformou no mais mortal conflito do mundo desde a Segunda Guerra Mundial, envolvendo nove nações africanas e mais de 20 grupos armados, causando cerca de 5 milhões de mortes e devastando a conhecida região dos Grandes Lagos.

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista

Frequentemente as guerras ocupam as manchetes de jornais e internet, sabendo que na atualidade mais de 40 conflitos ocorrem simultaneamente em nosso planeta. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia, por exemplo, ou a guerra entre os Estados Unidos e Irã e mesmo entre Israel e os palestinos expuseram várias realidades terríveis de uma guerra, como o aumento do número de refugiados, os milhares de feridos, mutilados e mortos e a destruição de cidades e vilas como se viu na Faixa de Gaza. Mas a guerra mais sangrenta desde a Segunda Guerra Mundial não ocorre na Europa, no Sudeste Asiático e não ocorreu também no Oriente Médio.

Esse trágico episódio ocorreu na África, mais precisamente na República Democrática do Congo e suas consequências são sentidas até hoje, pois o país não consegue voltar à normalidade.

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A Grande Guerra Africana

O conflito conhecido como a Grande Guerra Africana ou Segunda Guerra do Congo ocorreu entre os anos de 1998 e 2008. O país era um barril de pólvora, com mais de 200 grupos étnicos, muitos inimigos entre Sim.

Essa guerra se transformou no mais mortal conflito do mundo desde a Segunda Guerra Mundial, envolvendo nove nações africanas e mais de 20 grupos armados, causando cerca de 5 milhões de mortes e devastando a conhecida região dos Grandes Lagos.

O Congo, conhecido anteriormente como Zaire possui imensa riqueza mineral com grandes jazidas de ouro, diamantes e outras matérias primas fundamentais para as tecnologias globais, sobretudo, o coltan, matéria prima usada na indústria que produz os modernos aparelhos de comunicação.

Após ajudar Laurent-Désiré Kabila a chegar ao poder em 1997, derrotando Mobutu Sese Seko que havia governado o país de 1965 a 1997, naquela que ficou conhecida como Primeira Guerra do Congo, Ruanda e Uganda, dois países fronteiriços, foram privados do poder. Laurent Kabila expulsou suas tropas por medo de interferência, desencadeando uma invasão liderada pelos antigos aliados.

Esses países invadiram o leste do Congo buscando reprimir grupos rebeldes hostis aos seus governos que haviam fugido para o país. A República Democrática do Congo recebeu apoio de Angola, Zimbábue, Namíbia e Chade. Ruanda e Uganda, por sua vez, receberam o apoio de várias milícias rebeldes locais.

O conflito rapidamente se transformou em uma guerra por procuração, pois visava guerra o controle da exploração de recursos. Algumas províncias orientais, especialmente Kivu do Norte e do Sul tornaram-se o epicentro de uma violência sem precedentes contra a população civil.

O triste legado de um conflito

A pressão de algumas potências ocidentais, entre elas a Grã-Bretanha, forçou os demais países africanos a sair do Congo, firmando acordos com o governo congolês.

A guerra terminou formalmente entre 2002 e 2003 graças aos acordos internacionais de paz, incluindo o chamado Acordo de Pretória, África do Sul. Apesar disso, diversos grupos armados continuaram a espalhar o caos e o terror no interior do país.

Para completar esse “caldeirão de instabilidade”, o presidente Joseph Kabila que deveria deixar o governo no final de 2016, realizando eleições gerais, não cumpriu sua palavra. Um novo acordo político foi feito, acertando sua permanência no poder e novas eleições foram marcadas para o final de 2018.

A transição de poder no Congo aconteceu em janeiro de 2019, quando Félix Tshisekedi tomou posse como presidente, após vencer eleições marcadas por muitos casos de violência e com resultado contestado por Joseph Kabila que foi assassinado em 2021.

A Grande Guerra Africana causou a morte de cerca de 05 milhões de pessoas e apenas para se ter uma ideia, a Guerra na Síria que durou muito mais tempo provocou cerca de 500 mil mortes.

Apesar dos acordos, a estabilidade de longo prazo nunca foi alcançada, porque tensões geopolíticas e exploração ilegal de recursos continuam a alimentar a violência. As províncias de Kivu, no leste do país, continuam sendo palco de confrontos entre o exército regular e grupos rebeldes como o M23, apoiados por países da região como Ruanda num ciclo interminável de crises humanitárias.

A República Democrática do Congo (RDC) está enfrentando uma crise política e de segurança muito séria em 2026, que causa uma catástrofe humanitária com mais de 7 milhões de deslocados. A corrupção e a fraqueza do Estado mantêm o país entre os mais pobres do mundo.

O presidente Félix Tshisekedi, reeleito, precisa lidar com forte insatisfação interna devido a ineficácia no combate aos rebeldes e a corrupção desenfreada. E pra complicar ainda mais a situação veio agora o surto provocado pelo vírus ebola que já matou centenas de pessoas e infectou muito mais.

Dois países, desafios semelhantes

É importante recordar que existem dois países com nomes muito próximos numa mesma região. Também na África, fazendo fronteira com a República Democrática existe também a República do Congo, da qual Brazzaville tornou-se a capital. Em 1958, uma colônia francesa pré-existente foi dividida em quatro países atuais e, em 28 de novembro do mesmo ano, a região do Congo Central tornou-se a República do Congo, declarada independente da França no dia 15 de agosto de 1960.

Portanto, são dois estados distintos na África Central. Ambos devem seu nome ao rio do mesmo nome, mas têm histórias e dimensões diferentes. Também chamado Congo-Brazzaville, a antiga colônia francesa possui tamanho muito menor, com cerca de 6 milhões de habitantes, enquanto a República Democrática é bem maior, possui população próxima de 115 milhões de habitantes.

Os dois países são separados a oeste pelo Rio Congo e suas respectivas capitais Kinshasa e Brazzaville são as duas capitais mundiais mais próximas de todos os tempos.

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26 junho 2026, 12:22