Leão XIV: proclamar a fraternidade que é mais forte do que diferenças e conflitos
Edoardo Giribaldi – Vatican News
O abstrato “campo das ideias”, a comunhão arquivada como “utopia de outros tempos”: visões distantes, às quais se contrapõe a “necessidade urgente” de uma fraternidade mais forte do que conflitos, diferenças e tensões. É esse o contraste que o Papa Leão XIV enfatiza na mensagem publicada nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, por ocasião do Dia Internacional da Fraternidade Humana e da apresentação do Prêmio Zayed a ela dedicado.
LEIA AQUI A MENSAGEM DO PAPA EM INGLÊS PARA O DIA INTERNACIONAL DA FRATERNIDADE HUMANA
A necessidade urgente da fraternidade
O Papa recorda o sétimo aniversário da assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da Paz Mundial e da Convivência Comum pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã Ahmed Al-Tayeb, uma circunstância que permite celebrar “o que há de mais precioso e universal da nossa humanidade”: a comunhão, vínculo “indissolúvel que une todos os seres humanos”.
"Hoje, a necessidade dessa fraternidade não é um ideal distante, mas uma necessidade urgente."
A fraternidade, primeira vítima dos conflitos
O Pontífice menciona os muitos — “demasiados” — irmãos e irmãs que, no mundo de hoje, sofrem os horrores da violência e da guerra, recordando o que escreveu o Papa Francisco na encíclica Fratelli tutti: a primeira vítima de todo conflito é “o próprio projeto de fraternidade, inscrito na vocação da família humana”.
"Em uma época em que o sonho de construir a paz juntos é frequentemente descartado como uma 'utopia de outros tempos', é preciso proclamar com convicção que a fraternidade humana é uma realidade vivida, mais forte do que todos os conflitos, diferenças e tensões. Um potencial que deve ser realizado por meio de um compromisso diário e concreto de respeito, partilha e compaixão."
Não permanecer no “mundo das ideias”
“As palavras não bastam”, afirmou o Pontífice em dezembro de 2025, dirigindo-se aos membros do Comitê do Prêmio Zayed. Um apelo que ele reafirma também nessa mensagem, lembrando que as convicções mais profundas exigem “uma cultivação constante por meio de um esforço tangível”. Leão XIV recorda, em primeiro lugar, a sua exortação apostólica Dilexi te, na qual escreve que “permanecer no mundo das ideias e das discussões, sem gestos pessoais, frequentes e sinceros, será a ruína dos nossos sonhos mais preciosos”. Em seguida, ele volta à Fratelli tutti: como irmãos e irmãs, todos somos chamados a ir além das periferias e a “convergir” em um “pleno sentido de pertença mútua”.
Os premiados, “semeadores de esperança”
O Prêmio Zayed, continua o Papa, presta homenagem àqueles que souberam traduzir esses valores em “autênticos testemunhos de bondade e caridade humana”. Dirigindo-se diretamente aos premiados — Ilham Aliyev, presidente da República do Azerbaijão; Nikol Pashinyan, primeiro-ministro da República da Armênia; Zarqa Yaftali e a organização palestina Taawon — Leão XIV os define como “semeadores de esperança” em um mundo que muitas vezes constrói muros em vez de pontes.
"Escolhendo o difícil caminho da solidariedade em vez do fácil caminho da indiferença, eles demonstraram que mesmo as divisões mais arraigadas podem ser sanadas por meio de ações concretas. Suas ações testemunham a convicção de que a luz da fraternidade pode prevalecer sobre as trevas da fratricídio."
O próximo não seja visto como estrangeiro ou ameaça
A mensagem termina com a gratidão de Leão XIV a Mohammed bin Zayed Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos, por seu apoio constante à iniciativa, bem como ao próprio Comitê Zayed por sua “visão e convicção moral”.
"Continuemos a trabalhar juntos para que a dinâmica do amor fraterno se torne o caminho comum de todos e para que o 'outro' não seja mais visto como um estrangeiro ou uma ameaça, mas reconhecido como um irmão ou uma irmã."
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