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Leão XIV: educar significa ensinar a descobrir não apenas como viver, mas também por que viver

Nesta missão educativa, todos são chamados a trabalhar juntos. “Ninguém pode enfrentar sozinho desafios tão profundos e complexos”. Palavras do Papa Leão XIV no encontro com os membros da Organização dos Estados Ibero-Americanos na manhã deste sábado (30/05) no Vaticano

Jane Nogara – Cidade do Vaticano

Na manhã deste sábado (30/05) o Papa Leão recebeu no Vaticano os membros da Organização dos Estados Ibero-Americanos por ocasião do Encontro “Mapas de Esperança para uma agenda educativa regional. Saúde mental, tecnologias digitais e educação”.

Educação: tecer comunhão

 

O Santo Padre iniciou seu discurso destacando que carrega profundamente no coração o território ibero-americano com sua geografia de extraordinárias reservas espirituais e humanas. Sugerindo como imagem seus tecidos artesanais formados por múltiplos fios com cores intensas, que nos ensinam que nenhum fio basta por si só para criar o desenho. Cada fio tem seu próprio significado dentro de uma trama mais ampla. Do mesmo modo é a educação, chamada a redescobrir-se: não como a construção de individualismos isolados, nem como a simples transmissão de competências, mas como a arte de tecer comunhão.

Constelação educativa global

 

Lembrando que os povos antigos olhavam para o céu para ler as constelações e nelas buscar orientações para compreender o momento adequado de agir, preservando assim a harmonia entre o homem, a natureza e o tempo, Leão XIV afirmou que hoje precisamos voltar a erguer os olhos para o céu. Porém, afirmou, olhar para o céu para “construir uma constelação educativa global, na qual cada instituição, cada cultura e cada povo possam oferecer a sua contribuição original para iluminar o caminho da humanidade”.

Cada cultura é chamada a colaborar no desenho de um itinerário comum, amadurecendo a consciência de pertencer a uma única família humana”.

Explicando em seguida que a consciência deste grande patrimônio cultural poderá nos ajudar a enfrentar uma das maiores pobrezas do nosso tempo: a perda das constelações interiores. Pois muitos jovens possuem sofisticados instrumentos tecnológicos, mas têm dificuldade para encontrar um sentido pelo qual viver, esperar, amar e até mesmo sofrer.

Horizonte de sentido para saúde mental

 

Recordando que não somos um algoritmo, mas um rosto, uma história, uma vocação, disse que quando o ser humano se reduz a um rendimento, ou a um dado estatístico, surge inevitavelmente um profundo sofrimento interior. “Muitos jovens vivem hoje sob o jugo das expectativas e do desempenho, imersos em uma competitividade exasperada que gera ansiedade, medo de não estar à altura e desorientação”. “Por isso”, observou o Santo Padre, “não podemos abordar o tema da saúde mental unicamente como uma questão clínica ou técnica”. “Acreditamos que o homem pode viver autenticamente — e superar tantas fragilidades interiores — dentro de um horizonte de sentido”. E se este horizonte de sentido se obscurece aumenta o vazio interior, o isolamento e o desespero. Ao contrário, quando uma pessoa descobre que a sua vida tem valor, que é amada, então nasce a esperança. “E a esperança não é uma ilusão ingênua: é uma força espiritual que sustenta a vida, inclusive nos momentos mais difíceis

Cultivar a vida interior

 

Portanto, afirmou o Papa Leão, “entre os objetivos do Pacto Educativo Global, está também o de cultivar a vida interior. De fato, não basta conectar os jovens às redes digitais, se depois eles permanecem desconectados de si mesmos, dos outros e da sua própria interioridade. “Cultivar a vida interior significa ajudar as novas gerações a redescobrir o silêncio, a reflexão, a capacidade de fazer-se perguntas, a profundidade das relações e a abertura à transcendência”. Educar, afirmou ainda o Santo Padre, “significa acompanhar os jovens a descobrir não apenas como viver, mas também por que viver”. Explicando ainda que nesta missão educativa, as instituições públicas, a escola, as universidades, as famílias, as comunidades religiosas, o mundo da cultura e o da comunicação são chamados a trabalhar juntos. “Ninguém pode enfrentar sozinho desafios tão profundos e complexos”, afirmou o Papa.

Pontos de referência confiáveis

 

Concluindo convidou os presentes a reforçar a rede de cooperação que estão construindo entre a OEI e a Santa Sé. destacando: “Nesta época de transição digital, somos chamados a ser luz para muitas pessoas, sobretudo para os jovens, que buscam pontos de referência confiáveis e mapas capazes de orientar o caminho da vida”.

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30 maio 2026, 11:10