Papa: "A Igreja nunca toma partido, é para todos"
Thulio Fonseca - Vatican News
Foi com esse convite que o Papa Leão XIV iniciou sua homilia, na manhã desta sexta-feira (26/06), durante a Missa de abertura do Consistório extraordinário, celebrada na Basílica de São Pedro. Ao longo de dois dias, os cardeais reunidos no Vaticano aprofundam, em espírito sinodal, temas ligados à vida da Igreja e aos desafios do mundo contemporâneo, refletindo sobre questões como a paz, a implementação do Sínodo e a missão evangelizadora. Inspirado nas leituras do dia e na proximidade da solenidade dos Santos Pedro e Paulo, o Santo Padre apresentou três orientações para o discernimento dos participantes.
A verdadeira liberdade nasce da fé
O primeiro convite foi a redescobrir a liberdade que nasce da relação com Cristo. Segundo o Papa, o exemplo dos apóstolos Pedro e Paulo recorda que é a comunhão com o Senhor que liberta do pecado e do medo e torna fecunda a missão da Igreja. "A Igreja viva é a Igreja que acredita", afirmou Leão XIV, recordando que a fé "precede a nossa e pede para ser testemunhada com ardor". Por isso, destacou que anunciar o Evangelho, celebrar os sacramentos e servir o povo de Deus somente produzem frutos quando permanecem enraizados em Cristo, a verdadeira videira.
"A guerra nunca é digna do homem"
O segundo eixo da reflexão foi dedicado à paz. Diante das tensões internacionais e dos conflitos que atingem a humanidade, o Papa recordou que continuam surgindo iniciativas que promovem a dignidade humana, a justiça e o respeito ao próximo, sinais concretos de esperança. Quando a dignidade da pessoa humana é ferida, observou, toda a humanidade sofre. Por isso, afirmou com firmeza:
Leão XIV ressaltou ainda que "a unidade da família humana precede cada povo e cada Estado" e sublinhou: "A paz é um dever de justiça, porque somos uma única família humana, uma magnifica humanitas que encontra em Cristo a sua Cabeça e Redentor." Ao retomar sua encíclica Magnifica humanitas, promulgada em 15 de maio, o Pontífice afirmou ser necessário prosseguir o caminho indicado por São Paulo VI na construção da "civilização do amor", promovendo um desenvolvimento humano integral. Nesse horizonte, acrescentou:
"Ao anunciar o Evangelho, entre alegrias e perseguições, a Igreja nunca toma partido: é para todos, e a cada um dirige a mesma palavra de conversão e salvação."
Caminhar juntos na escuta
Como terceira orientação, o Papa convidou os cardeais a viverem "a concórdia na obediência", entendida como a escuta da Palavra viva, que é Cristo. Segundo ele, é o Espírito Santo quem orienta a Igreja, indicando os desafios pastorais, purificando intenções e conduzindo todos no caminho comum. Leão XIV afirmou que a implementação do Sínodo convida toda a Igreja a avançar "na unidade da fé, na promoção da paz e na obediência à Palavra viva", encontrando novas linguagens para anunciar o Evangelho sem perder a sua permanente novidade. Por fim, destacou que a colegialidade episcopal resume a sinodalidade vivida por todo o povo de Deus e dirigiu-se aos cardeais com um pedido de colaboração humilde no exercício do ministério petrino:
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