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O baldaquino da Basílica de São Pedro projetado por Francesco Borromini. O baldaquino da Basílica de São Pedro projetado por Francesco Borromini.  (@Vatican Media)

Espiritualidade e tecnologia para festejar os 400 anos da Basílica de São Pedro

Apresentado, na Sala de Imprensa da Santa Sé, o intenso programa de iniciativas para o aniversário da dedicação da grande igreja do Vaticano, cuja construção contou com a participação de Bramante, Michelangelo e Bernini. O cardeal Gambetti: “uma ocasião para atualizar a profissão de fé do primeiro Papa”. Graças ao projeto “Além do visível”, a partir de agora será possível monitorar digitalmente a estrutura arquitetônica do monumento.

Daniele Piccini – Vatican News

Representações teatrais e aprofundamentos sobre a figura de São Pedro, momentos de espiritualidade, novos serviços tecnológicos dedicados aos peregrinos, para permitir uma experiência mais plena das liturgias e até mesmo uma exposição sobre as fases de projeto e construção da Basílica do Vaticano, desde os primeiros esboços do arquiteto Bramante até a conclusão pelas mãos de Maderno.

Estas são apenas algumas das muitas iniciativas previstas para as comemorações dos quatrocentos anos da dedicação da Basílica de São Pedro (1626-2026). O programa foi apresentado na manhã desta segunda-feira, 16 de fevereiro, na Sala de Imprensa da Santa Sé. “Um aniversário é sempre uma ocasião para atualizar um evento histórico, neste caso, guardar a memória do primeiro Papa, Pedro, e da basílica que repropõe a memória viva de Jesus Cristo e se baseia na profissão de fé do próprio apóstolo Pedro”, explicou o cardeal Mauro Gambetti, arcipreste da Basílica Papal de São Pedro e presidente da Fábrica de São Pedro, ao apresentar o programa das celebrações, que serão encerradas em 18 de novembro de 2026 com uma missa presidida pelo Papa Leão XIV.

Um momento da coletiva de imprensa para a apresentação dos eventos dos 400 anos da dedicação da Basílica de São Pedro..
Um momento da coletiva de imprensa para a apresentação dos eventos dos 400 anos da dedicação da Basílica de São Pedro..

Uma nova “Via Sacra”, obra de Manuel Dürr

“Entre os momentos de espiritualidade previstos – continuou o cardeal –, no dia 20 de fevereiro inauguraremos uma nova Via Sacra, dentro da Basílica, obra do jovem artista suíço Manuel Dürr.

Todos os sábados, às 16 horas, haverá trinta minutos de elevações espirituais, acompanhadas por canto polifônico, no altar da Cátedra. Nos dias 24 de março, 26 de maio e 13 de outubro, às 19 horas, sempre no altar da Cátedra, serão realizadas lectio pastorais. Nas três terças-feiras anteriores a 18 de novembro, 28 de outubro, 4 e 11 de novembro, o frade Roberto Pasolini, pregador da Casa Pontifícia, realizará narrationes Petri à luz do Evangelho e dos Atos dos Apóstolos.

Haverá também espaço para testemunhos sobre a presença de Pedro e Paulo em Roma e, na proximidade de sua solenidade, em 29 de junho, o ator Michele La Ginestra apresentará, no Teatro Sette, uma representação sobre os dois padroeiros de Roma. O cardeal Gambetti anunciou também a criação de um novo font, “Michelangelus”, inspirado na caligrafia de Buonarroti, que será em breve incluído no pacote do Microsoft Office.

Um painel de boas-vindas à exposição “Além do visível”,  no terraço da Basílica de São Pedro.
Um painel de boas-vindas à exposição “Além do visível”, no terraço da Basílica de São Pedro.

Um aplicativo em 60 idiomas para uma compreensão mais profunda das liturgias

Além disso, graças a um aplicativo para celular, desenvolvido em colaboração com o Dicastério para a Comunicação e a empresa Translated, continuou o cardeal, “seremos capazes de oferecer aos peregrinos liturgias, cantos e leituras traduzidos simultaneamente em 60 idiomas. Os fluxos de pessoas que têm principalmente um interesse histórico e artístico serão melhor distribuídos dos fluxos de fiéis que estão em visita por motivos devocionais. Entrará em vigor um sistema digital de reservas, o Smart Pass, que será integrado no site www.basilicasanpietro.va, a partir do qual será possível verificar os horários de acesso, permitindo uma gestão mais ordenada dos fluxos de visitas. Por fim, para promover a segurança dos peregrinos, uma rede de sensores monitorará a presença de pessoas na Basílica”.

Uma vista da cúpula da Basílica de São Pedro a partir do terraço da Basílica.
Uma vista da cúpula da Basílica de São Pedro a partir do terraço da Basílica.

Outras áreas do complexo monumental serão abertas, também “para aliviar a carga de presenças, favorecer a recolhimento e a oração, e dar a oportunidade de conhecer melhor a Basílica”, acrescentou o cardeal Gambetti. As cúpulas Gregoriana e Clementina poderão ser visitadas. Os banheiros e o ponto de restauração, administrado pela Fábrica de São Pedro, no lado sul do terraço, serão ampliados para o lado norte, com uma área utilizável pelos peregrinos que dobrará, atingindo cem metros quadrados. “Todo o terraço da Basílica estará acessível, na altura dos três leques absidais, com exposições multimídia permanentes relacionadas à construção e manutenção de São Pedro”.

Uma imagem de Júlio II, o papa que encomendou a construção da Basílica ao arquiteto Donato Bramante..
Uma imagem de Júlio II, o papa que encomendou a construção da Basílica ao arquiteto Donato Bramante..

“Além do visível”, monitoramento digital da Basílica

Oração, aprofundamentos culturais, mas também muita tecnologia. Por ocasião dos 400 anos da dedicação da Basílica do Vaticano, a Eni, uma das principais empresas de energia da Itália, decidiu doar um modelo digital integral do complexo da Basílica de São Pedro, chamado “Além do visível”, para garantir sua conservação ao longo dos anos.

“Colaboramos com a Fábrica de São Pedro durante 18 meses para estudar o trabalho a ser feito”, explicou Claudio Granata, diretor de Relações com Stakeholders e Serviços da Eni. “Depois, dedicamos 4.500 horas à coleta de dados e medimos digitalmente todos os 80 mil metros quadrados da Basílica. Agora”, anunciou o gerente, “podemos monitorar todos os movimentos estruturais desta obra monumental e dar suporte aos técnicos de manutenção. O sistema permite monitorar digitalmente, a qualquer momento, o que acontece dentro da área”.

“Graças a este sofisticado sistema de sensores instalado, aprofundamos nosso conhecimento estrutural da Basílica, inclusive em nível geológico”, disse Alberto Capitanucci, consultor sênior de Projetos Especiais da Fabbrica di San Pietro. “Agora”, concluiu o engenheiro, “somos capazes de antecipar as tendências de comportamento estrutural, porque intervir em um monumento de 400 anos é como agir medicamente em uma pessoa idosa, é necessária uma abordagem integrada”.

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16 fevereiro 2026, 17:35