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2019.04.07 aborto, interruzione vita, embrione, bambino, donna 2019.04.07 aborto, interruzione vita, embrione, bambino, donna  Editorial

O aborto nunca é uma escolha verdadeira

A mãe que se fez de escudo para proteger seu filho dos escombros na Colômbia e as leis sobre o aborto aprovadas em outros lugares: diferentes maneiras de entender o valor da vida humana.

Massimiliano Menichetti

Há imagens e histórias que se tornam virais, que destacam a verdade, a beleza e a comunhão, que dão esperança, como a sequência filmada na Colômbia, que mostra uma mãe sob os escombros protegendo com o próprio corpo seu filho recém-nascido após o desabamento, causado pelo terremoto de magnitude 7,4, de um prédio de cinco andares no bairro de Ciudad Capri, em Cali. As imagens divulgadas nas redes sociais e nos noticiários mostram o horror da devastação, as equipes de resgate que procuram e lutam contra o tempo e os escombros, a mulher e o bebê resgatados com vida e agora fora de perigo. A imagem retrata, em toda a sua dramaticidade, uma sociedade inteira fraterna e solidária, empenhada em salvar, cuidar, assumir a responsabilidade pelo outro e salvar-se. Não importa quantos recursos sejam necessários: o objetivo é preservar a vida, mesmo que seja apenas uma.

A cerca de 4.300 quilômetros de distância, em Massachusetts, nos Estados Unidos, o cenário é completamente diferente: trata-se da assinatura de um projeto de lei. A vida de uma criança, neste caso no ventre da mãe, não é mais considerada; prevalece outra coisa. Ali, foi assinada a “Prioritizing Patient Access to Care Act”, uma lei que elimina o limite da 24ª semana para a interrupção voluntária da gravidez e que confere maior discricionariedade ao julgamento profissional do médico. Nessa lei está presente a palavra “cuidado”, mas aqui ela é sinônimo de morte. Atualmente, nos EUA, são dez os Estados que não estabelecem limites gerais para o aborto. Nesse caso, não foi a vida que triunfou. No mundo, passo a passo, no silêncio do politicamente correto ou no estrondo do confronto ideológico, sopram ventos de morte contra o ser humano. Só neste ano, por exemplo, Luxemburgo incluiu na Constituição a liberdade de recorrer ao aborto — segundo país, depois da França, a ter uma menção explícita na Carta Fundamental — e o Reino Unido o descriminalizou quando realizado fora do âmbito normativo.

Em quase todos os países do mundo onde foram aprovadas leis que permitem matar uma criança no ventre de uma mulher, existem artigos que visam prevenir esse assassinato: por meio de assistência, cuidados, acompanhamento e apoio; mas essas normas permanecem, na prática, em quase todos os casos, sem aplicação. Porque são muito onerosas. Fala-se em escolha para a mulher, em cuidado, mas nunca se oferece uma verdadeira possibilidade de escolha, pois propõe-se o caminho aparentemente mais fácil, que, na verdade, é tudo menos isso. Propõe-se intervir imediatamente, eliminar o problema, fechar os olhos, negar toda evidência científica que mostra como, desde o momento da concepção, se inicia um processo inevitável que determina a pessoa. Propõe-se matar sem nunca dizer isso. Por outro lado, permitir que uma mulher tenha uma escolha verdadeira significaria oferecer caminhos e apoios psicológicos, econômicos e espirituais, mas isso tem um custo infinitamente mais alto em termos econômicos e de recursos; por isso, é melhor ficar calado.

Um Estado revela toda a sua visão de longo prazo e seu horizonte quando cuida de seus cidadãos, garante a paz, a igualdade e o direito à liberdade de expressão, e protege a vida; quando os cidadãos constroem uma sociedade capaz de reconhecer o outro, de ajudá-lo, apoiá-lo, acompanhá-lo e amá-lo, edificando no presente as raízes do futuro. O aborto, então, torna-se confirmação ou distorção do que é certo e do que é errado, do que é contra a vida e do que é a favor dela. A distorção está em querer esconder o sofrimento, a dificuldade, a dor, em vez de querer acolher quem se encontra em situações extremas e não encontra saídas. É aqui que se mede a humanidade que não mata, mas ama e assume a responsabilidade, que está disposta a se mover entre os escombros para salvar uma vida e se alegrar plenamente quando isso acontece.

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13 agosto 2026, 15:13