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Cruz e oração Cruz e oração  (©paul - stock.adobe.com)

CNBB Sul 4: etapa regional do 5º Congresso Vocacional do Brasil

Com o tema “Comunidades Vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão” e o lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46), o encontro reuniu representantes de todas as arquidioceses e dioceses de Santa Catarina para momentos de formação, reflexão e partilha.

Jaison Alves da Silva - ASCOM CNBB Sul 4

Entre os dias 15 e 17 de maio de 2026, o Recanto Champagnat, em Florianópolis (SC), recebeu a Etapa Regional do 5º Congresso Vocacional do Brasil, promovida pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV Nacional), SAV Regional Sul 4, Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada (CMOVIC) e pelo Regional Sul 4 Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Com o tema “Comunidades Vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão” e o lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2,46), o encontro reuniu representantes de todas as arquidioceses e dioceses de Santa Catarina para momentos de formação, reflexão e partilha.

Assessorado pela Irmã Maristela Ganassini, FsCJ, assessora da CMOVIC, o encontro teve como objetivo fortalecer a Cultura Vocacional nas comunidades eclesiais e preparar os participantes para a etapa nacional do Congresso, que acontecerá entre os dias 4 e 6 de setembro de 2026, no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo. A programação foi organizada em três sessões, seguindo a estrutura do texto-base do Congresso: Exegese e Encontro, Testemunho e Missão. Após cada exposição, os participantes realizaram trabalhos em grupo para aprofundar os temas e apresentar contribuições.

Exegese e Encontro: a vocação na experiência comunitária

No primeiro bloco, a Irmã Maristela conduziu a reflexão a partir da dimensão bíblica e comunitária da vocação, tomando como referência a experiência da comunidade apostólica narrada nos Atos dos Apóstolos. A exposição abordou aspectos como perseverança, unidade, partilha, alegria e simplicidade de coração, relacionando esses elementos à vivência vocacional nas comunidades atuais.

Ao tratar sobre o tema do encontro, a assessora destacou que a vocação nasce da relação com Deus, consigo mesmo e com o outro. A comunidade foi apresentada como espaço onde esse processo acontece por meio da Palavra, da Eucaristia, da oração e da convivência fraterna. A reflexão propôs compreender a vocação como experiência comunitária, relacional e eclesial.

Também foram abordados temas relacionados ao itinerário vocacional, ao acompanhamento e à atuação do Serviço de Animação Vocacional. A reflexão incluiu aspectos ligados às juventudes, à escuta, ao discernimento e à necessidade de criar espaços de acompanhamento nas comunidades.

Testemunho: a vocação expressa na vida

Na segunda sessão, dedicada ao tema Testemunho, a reflexão concentrou-se nas atitudes e relações que expressam a vivência vocacional. Entre os elementos apresentados estiveram a empatia, acolhida, disponibilidade, fraternidade, alegria, unidade e comunhão. A apresentação destacou a relação entre o testemunho e a vivência cotidiana da vocação.

Outro ponto desenvolvido foi a comunidade como espaço de escuta, discernimento e convivência. A escuta, o diálogo e a acolhida foram apresentados como dimensões relacionadas ao acompanhamento e à construção das relações comunitárias.

Também foi abordada a comunicação no ambiente digital, compreendido como espaço para presença e anúncio vocacional. A reflexão tratou da comunicação como forma de promover encontros e comunhão entre as pessoas.

Missão: vocação e envio

No terceiro bloco, a reflexão voltou-se à dimensão missionária da vocação. A exposição retomou a afirmação do Papa Francisco sobre a relação entre pastoral, formação, espiritualidade e vocação, apontando a missão como parte integrante do caminho vocacional.

Durante a apresentação foram abordados compromissos relacionados às dioceses, paróquias, comunidades formativas, ministros ordenados, leigos e vida consagrada. Entre os pontos trabalhados estiveram o acompanhamento vocacional, os processos formativos e a organização de ações voltadas à animação vocacional nas comunidades.

A reflexão também apresentou aspectos ligados ao acompanhamento vocacional, como aproximação, escuta, confiança e sensibilidade. Ao longo dos três dias, as contribuições dos trabalhos em grupo foram partilhadas entre os participantes, reunindo apontamentos e propostas para a continuidade das ações do Serviço de Animação Vocacional nas dioceses do Regional Sul 4.

A etapa regional contou ainda com a presença de dom Cleocir Bonetti, bispo da Diocese de Caçador e referencial da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB Sul 4; dom Onécimo Alberton, bispo auxiliar da Arquidiocese de Florianópolis; dom Wilson Tadeu Jönck, SCJ, arcebispo metropolitano de Florianópolis; e dom Milton Zonta, SDS, bispo coadjutor da Diocese de Criciúma, que participaram de momentos celebrativos e da programação do encontro.

Carta-compromisso reforça caminhos para a Cultura Vocacional no Regional Sul 4

Ao final da Etapa Regional do 5º Congresso Vocacional do Brasil, os participantes reunidos em Florianópolis (SC) elaboraram uma carta-compromisso que expressa os principais frutos do encontro e os compromissos assumidos para a caminhada vocacional nas dioceses catarinenses. O documento, intitulado Mensagem às “Comunidades Vocacionais” do Regional Sul 4 da CNBB – Encontro, Testemunho e Missão, sintetiza a experiência vivida ao longo dos dias de formação, escuta e discernimento e reafirma o desejo de fortalecer a Cultura Vocacional em Santa Catarina.

Na carta elaborada ao término do Congresso, os participantes destacaram que a experiência vivida foi marcada pelo espírito sinodal e pela comunhão eclesial. O texto afirma que o encontro foi uma expressão da “Igreja Sinodal, reunida em espírito de comunhão, escuta e discernimento” e que todos viveram uma verdadeira “experiência do cenáculo”, conduzidos pelo Espírito Santo.

Os congressistas também reafirmaram a centralidade da comunidade na promoção das vocações. Inspirados pela comunidade apostólica, ressaltaram a importância da perseverança “no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações”, compreendendo a comunidade como a primeira sementeira vocacional.

Ao refletirem sobre a missão do Serviço de Animação Vocacional, os participantes reafirmaram que a animação vocacional é constitutiva da vida da Igreja e deve favorecer processos de acolhida, discernimento e perseverança. A carta destaca ainda a responsabilidade compartilhada das comunidades no cuidado com aqueles que buscam compreender a própria vida como chamado, testemunho e missão.

Entre os compromissos assumidos, os participantes reafirmaram o Projeto Padres para a Igreja em Santa Catarina, reconhecendo seus pilares: oração, chamado, formação, divulgação e corresponsabilidade como horizonte pastoral comum para o Regional Sul 4. O texto lembra a urgência missionária presente nas palavras do Evangelho: “a messe é grande e poucos os trabalhadores”.

Além disso, a carta apresenta dois compromissos concretos que passam a integrar a caminhada vocacional nas dioceses catarinenses. O primeiro deles é a construção de um planejamento vocacional integrado e orgânico, em sintonia com a proposta da Iniciação à Vida Cristã e assumido pelas comunidades eclesiais. A iniciativa busca criar espaços onde jovens encontrem acolhimento, escuta e testemunhos que os auxiliem no discernimento vocacional.

O segundo compromisso está voltado ao acompanhamento vocacional das famílias, especialmente daquelas que confiam à Igreja o acompanhamento de seus filhos. O documento ressalta a necessidade de acolher, apoiar e caminhar junto às famílias, compreendendo a vocação como “um caminho de liberdade” e de descoberta do chamado de Deus para cada pessoa.

A mensagem também reforça o desejo de fortalecer uma Igreja sinodal e promotora de uma autêntica Cultura Vocacional, na qual toda a comunidade se coloque em atitude permanente de escuta e discernimento dos diversos chamados suscitados por Deus. O cuidado com as vocações ao ministério ordenado, à vida consagrada e à vocação matrimonial e familiar foi destacado como responsabilidade compartilhada por toda a Igreja.

Encerrando a carta, os participantes expressaram o sonho de comunidades vocacionais marcadas pela oração, escuta, acompanhamento e serviço, confiando à Virgem Maria o despertar das vocações. Renovados pela experiência vivida, retornaram às suas dioceses levando consigo a esperança do Ressuscitado e o compromisso de continuar promovendo a cultura vocacional em suas realidades locais.

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28 maio 2026, 16:17